<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786</id><updated>2011-09-14T14:50:04.162+01:00</updated><title type='text'>Os homens não choram de dia</title><subtitle type='html'>I made my song a coat (…)
But the fools caught it, (…)
Song, let them take it,
For there’s more enterprise
In walking naked

W. B. Yeats in Responsabilities</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>731</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-2012610267153567972</id><published>2010-12-14T19:15:00.000Z</published><updated>2010-12-14T19:15:34.663Z</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>Esta nova mensagem serve para colocar os links da editora onde podem adquirir os meus livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.bubok.pt/libros/825/A-Rua-da-Irmandade"&gt;A Rua da Irmandade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.bubok.pt/libros/1020/Baladas-da-varanda-fria"&gt;Baladas da varanda fria&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boas compras e boas leituras!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-2012610267153567972?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/2012610267153567972/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=2012610267153567972' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2012610267153567972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2012610267153567972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/12/blog-post.html' title='...'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-1650777879790318839</id><published>2010-04-30T12:16:00.000+01:00</published><updated>2010-04-30T12:16:58.760+01:00</updated><title type='text'>Fim</title><content type='html'>Acaba aqui a lamechisse dos homens não chorarem de dia, essa mentira ignóbil repetida durante anos. Acaba por uma revolução sangrenta que ocorreu no outro lado (&lt;a href="http://lesreveolution.blogspot.com/"&gt;http://lesreveolution.blogspot.com/&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, como todas as revoluções mantém aspectos do momento anterior, continua-se ali – do outro lado (&lt;a href="http://lesreveolution.blogspot.com/"&gt;http://lesreveolution.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– a divulgar livros dos outros, a publicar textos meus, imagens minhas e de outros, se for caso disso, mas tudo com os laivos de diferença que marcam as mudanças radicais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, desde Março de 2006 publiquei aqui o Viagens..., o Crescer, A Rua da Irmandade, as Baladas da varanda fria e um punhado de textos dispersos, mais umas fotos, minhas e de outros, mais uns quadros, fruto de uma necessidade extrema de vomitar sentimentos como tinta. Despois apagaram-se e republicaram-se alguns desses textos, fruto do trabalho de revisão ou porque foram publicados noutro sítio (&lt;a href="http://alexandre_valinho_gigas.bubok.pt/"&gt;http://alexandre_valinho_gigas.bubok.pt/&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega ao fim porque sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão ao outro lado ver o que há de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão à editora e comprem os livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão onde quiserem e sejam felizes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-1650777879790318839?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/1650777879790318839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=1650777879790318839' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1650777879790318839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1650777879790318839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/fim.html' title='Fim'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-2196039677544326710</id><published>2010-04-29T11:04:00.002+01:00</published><updated>2010-04-29T11:04:36.472+01:00</updated><title type='text'>25 de Abril sempre…</title><content type='html'>Este ano, por já estar farto de crises políticas, de mentalidades, de personalidades, eventualmente crises existenciais colectivas, declaro que pode ser, sim, 25 de Abril Sempre, mas é melhor começarmos a pensar de uma vez por todas em fazer outra revolução, não? Uma dessas que dê vontade de dizer às pessoas “data tal sempre”, que é uma mensagem deveras importante; uma mensagem que encerra toda a comodidade que a liberdade de 1974 trouxe. As pessoas juntam-se, revoltam-se colectivamente contra os outros, os dominantes, e enchotam-nos para cómodos exílios no estrangeiro, onde viverão infelizes o resto das suas vidas a dar conferências, palestras e aulas. Por cá haverão um ou outro incidente social, politica e moralmente reprováveis; eventualmente haverão algumas vítimas mortais, depende da proliferação das flores que entopem os canos das armas de fogo. Então um ou mais responsáveis, anteriormente encobertos pelo sistema político, até com alguns laivos de terem sido segregados, ostracisados, censurados, demitidos, tomam as rédias do novo poder para que alguém conduza o povo a um horizonte dourado de cegueira solar. Serão talvez os mesmos que se agarram à ideia que a história dos sobrenomes pomposos traz sabedoria, experiência e competências governativas acrescidas. Pessoas prontas, de forma altruísta para com os seus familiares, ao sacrifício de assumirem as responsabilidades que a todos cabem, substituindo os que já fizeram a revolução na difícil tarefa de arrumar a casa e tomar decisões por toda a gente. Assim, continuaremos a ser governados pelas mesmas famílias que nos governam desde os inícios da nacionalidade – faça-se excepção a um ou outro caso pontual para que se iludam as hostes de que há oportunidades iguais para todos, as mulheres, os gays, o pessoal com mais ou menos melanina que o grosso da população. Sim, iludamos-nos de novo, mas com outra data, sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-2196039677544326710?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/2196039677544326710/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=2196039677544326710' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2196039677544326710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2196039677544326710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/25-de-abril-sempre.html' title='25 de Abril sempre…'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-2910674526028348570</id><published>2010-04-22T17:17:00.000+01:00</published><updated>2010-04-22T17:17:39.571+01:00</updated><title type='text'>Livros</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/S9B2ZOXxXeI/AAAAAAAABWE/rQrTcgFs9XA/s1600/O+Rochedo+de+Tanios.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/S9B2ZOXxXeI/AAAAAAAABWE/rQrTcgFs9XA/s320/O+Rochedo+de+Tanios.jpg" wt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; O Rochedo de Tânios&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Amin Maalouf&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tradução:&lt;/strong&gt; Maria da Graça Morais Sarmento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Editora:&lt;/strong&gt; Difel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3ª Edição&lt;/strong&gt; – 2002&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tânios, o rochedo, e a memória fenomenológica da infância de Amin Maalouf. Assim começa mais uma brilhante história deste franco-libanes, que do rochedo salta para Tânios, uma personagem das montanhas libanesas; um homem que vive a queda do Império Otomano e que participa nos movimentos políticos dessa época, agarrado a um destino trágico, talvez o mais trágico que Amin Maalouf concebeu até ao momento na sua memória inventada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-2910674526028348570?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/2910674526028348570/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=2910674526028348570' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2910674526028348570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2910674526028348570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/livros_22.html' title='Livros'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/S9B2ZOXxXeI/AAAAAAAABWE/rQrTcgFs9XA/s72-c/O+Rochedo+de+Tanios.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-7745176651334042637</id><published>2010-04-22T17:04:00.002+01:00</published><updated>2010-04-22T17:04:57.456+01:00</updated><title type='text'>Livros</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/S9Bzcqn8a_I/AAAAAAAABV8/QM2yOVZWqvQ/s1600/Henry+June.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/S9Bzcqn8a_I/AAAAAAAABV8/QM2yOVZWqvQ/s320/Henry+June.jpg" wt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;Título:&lt;/strong&gt; Henry &amp;amp; June&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Anaïs Nin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tradução:&lt;/strong&gt; Ana Fonseca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Editora:&lt;/strong&gt; Editorial presença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3ª Edição&lt;/strong&gt; – 2002&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma história verídica, retirada dos diários da vida da autora. Uma história mais divulgada pela realização de um filme onde Maria de Medeiros faz o papel da autora. A história do envolvimento de Anaïs Nin com June, a companheira de Henry Miller e mais tarde com este. Na sua linguagem rica e muito mais poética do que a do escritor do sexo, a autora disserta sobre a descoberta da sua sexualidade, acoplando a essas considerações muito mais do que o conhecimento de si; as relações sociais e as convenções contemporâneas a que as pessoas se agarra, que as pessoas contornam, nem sempre da forma menos hipócrita. Não é de todo um grande livro, ainda assim, mas é uma grande autora que se apresenta, que se revela nas coisas simples do quotidiano, transformando-as em gigantes pensamentos sobre o que as pessoas podem ser para si e umas para as outras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-7745176651334042637?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/7745176651334042637/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=7745176651334042637' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7745176651334042637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7745176651334042637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/livros.html' title='Livros'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/S9Bzcqn8a_I/AAAAAAAABV8/QM2yOVZWqvQ/s72-c/Henry+June.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6013906246147381911</id><published>2010-04-21T14:12:00.002+01:00</published><updated>2010-04-21T14:12:58.779+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (fim)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Exortando Müller em Coimbra A&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprar um jornal, enfim, para matar o tempo; o tempo de espera pelo comboio que me leve daqui para fora. Esta estranha forma de tentar evitar o Tempo e – para que se cumpram os afazeres que os dias trazem, para que não me retenha na letargia de esperar – de chegar sempre mais cedo a qualquer sítio de onde se parte. Logo depois tomar um café, mesmo nesse espaço cinzento da Estação para isso criado. Não saio daqui sem ser de comboio, apesar da vida da cidade, que o ruído me faz denotar, me chamar insistentemente. Esta cidade já nada tem para me dar, depois da minha companheira me ter escrito, da realidade paralela mais próxima, informando-me que, em breve teremos um filho ou filha, que é urgente que nos encontremos juntos ao longo de toda a sua gestação. Amanhã já estarei perto dos dois. Peço um café e sento-me, começando o jornal pela última página, onde o mais céptico dos observadores sociais dá espaço às suas incoerências tão tipicamente humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a noite passada que durmo com a cabeça sobre os ombros. O peso desta não me dá a paciência requerida, para que leia o jornal com a &lt;em&gt;tabula rasa&lt;/em&gt;. Tenho a &lt;em&gt;tabula&lt;/em&gt; cheia de saliências, de farpas prontas a derramar sangue e de nós muito apertados. Os críticos apunhalam mais uma vez a Arte e vendem-na na CASA DO SENHOR, sem que o filho lá esteja para os chicotear. Espreito o país bucólico pela janela suja e o céu de Monet permite que salte a economia sem me preocupar. Entro pelo verde pontilhista, pensando de raspão no verdete das moedas com que pagarei o café. Pagarei todas as dívidas antes de me deixar conduzir pelos carris. A porta que a eles me conduzia fechou-se, mas abrir-se-á por certo em breve. Espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucrécio dissolveu-se na Natureza e inspiro-o, misturado com o fumo de cigarro que me preenche as narinas. Controlo a Atmosfera e ninguém me culpa por isso, por enquanto; mas já alguém acendeu a fogueira do meu Auto-de-fé. Serei inútil até para as térmitas, que não gostam de carne assada. O Eixo do Mal cresce e o Eixo do Bem não me consegue mobilizar uma réstia de preocupação. As crianças continuarão a explodir e haverão sempre mais crianças, para satisfazer a sede de sangue do Homem. Eu, contribuirei com a minha e não serei louvado, nem subirei ao pedestal por isso. Muitas estátuas preferem aspirar a coca, mas o meu corpo prefere as propriedades do chá. Gosto de chás, sobretudo quando as montanhas se enchem de neve e gelo; todos os elementos tornam as pessoas mais próximas, mais quentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta para os carris abre-se de novo, não sei movida pelo vento, que faz passar rapidamente as folhas do jornal, ou se por algum fantasma que entra. O mundo, afinal, não acabará amanhã. Uma onda fria de optimismo cria uma aura azul acinzentada em torno do meu corpo cansado. Os olhos revelam alguma vontade de se cerrarem, ainda que por breves instantes, mas são impedidos pela chegada do comboio à linha certa. Passa o batalhão de mulheres para a limpeza superficial. No Médio Oriente – um pouco por todo o lado, nos inúmeros lugares anónimos que o compõem – luta-se pela PAZ. Espero que morram todos em breve, para que ELA seja mais do que uma hipócrita pretensão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARA QUE SERVE A PAZ SENÃO PARA DAR PRÉMIOS AOS HIPÓCRITAS SONHADORES QUE A PROCURAM?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bombeiros tentam aplacar as chamas, mas chegarei antes que elas se extingam. Ardem fronteiras e sucumbem as línguas. A minha morre lentamente em manchas esparsas que debotam o papel branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandono o jornal, antes que a Pátria me chame para a Guerra da Paz. O empregado do café esvazia-me os bolsos balouçando-me preso pelos pés em cima do balcão. O seu olhar vazio não encontra musicalidade alguma nas moedas que tiritam pelo chão e prossegue a alienação dentro de momentos, quando colocar o jornal no caixote de lixo. Os poetas reciclados empurram-me até ao comboio. Não lhes chamarei mentirosos, nem os adjectivarei de outra forma, tentando ignorá-los como ignoro o passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paisagem urbana dissolve-se lentamente no reflexo dos vidros limpos da carruagem. Fiquei estático lá atrás a despedir-me de mim. O relógio enorme, desproporcional à fachada do edifício, parou. A Fortuna sobrevoa a cidade pressagiando bons augúrios. Não precisarei esventrar nenhum animal para o perceber. Dormirei, por fim, quando a insensatez parar de me embalar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6013906246147381911?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6013906246147381911/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6013906246147381911' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6013906246147381911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6013906246147381911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/viagens-fim.html' title='Viagens... (fim)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4730306293680295939</id><published>2010-04-16T13:12:00.000+01:00</published><updated>2010-04-16T13:12:01.423+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Relato de um dia de angústia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo com dificuldade, tentando lembrar apenas o objectivo de deitar fora os resíduos normais da noite, as urinas fruto do sangue lavado. Volto logo a deitar-me, para que esqueça as responsabilidades do dia; de todos os dias que vieram e que se seguem. Percorro os mesmos sonhos com algum esforço, mas o conforto que estes me dão é nenhum, não existe, nem existirá mais por hoje, por muito que insista nessa solução. Em última instância atira-se o corpo à lasciva masturbação, para que este se canse do nada que o dia se transformou, mesmo antes de o ser. Contudo, nada durante a noite o faria prever; talvez o grito – que foi soltado ao longo do jantar familiar – contra as instituições democráticas em que vivemos; talvez todo o silêncio que se lhe seguiu, sem que fosse obrigatório não haver ruído. Caminha-se pela letargia de nos esforçarmos a escrever a Dor que nos corrói, sem que o saibamos. Entra-se pela noite e não queremos, definitivamente, adivinhar essa manhã de angustia que ecoará por todo o dia seguinte. O dia seguinte não existem se o sonharmos com muita força, para que se escreva a Dor no ecrã frio do computador, na força que as teclas do PC permitem. O livre arbítrio permite que nos afundemos ainda mais nas árias musicais já preparadas para o efeito. Em breve percorrerei os horizontes de outro país, bem próximo deste, onde o sonho é travado pelas realidades que nos assomam a caixa do correio. As instituições democráticas devem tê-lo adivinhado, para que nos mandassem as contraditórias missivas do “pagas, mas estás isento de pagar”. Ainda assim tens de sair desse buraco para ir questionar os responsáveis aparentes, que se tornam gigantes do outro lado do balcão frio de mármore, do frio das suas existências pessoais. Agora tens a certeza que não pertences a esta realidade, questionando positivamente se pertencerás a alguma realidade que constróis. A insurreição perante os conceitos será a solução mais fácil, mais procurada, mais passível de obter os resultados que se procuram. Descansa um pouco de toda essa raiva, de toda essa angústia que toma conta do pensamento, alastrando-se agora ao corpo que a sente como agulhas que perfuram a carne, não deitando sangue nas feridas, não deixando cicatrizes algumas que te façam recordar estes dias. Quero recordar estes dias, para que não voltem a existir para além da recordação; para que nao sejam os segundos eternos, mesmo que nao tenhamos relógio algum que nos remeta para esse Tempo desnecessário à felicidade. As vísceras libertam todos os resíduos destes temores, destas formas intensamnente descrentes de viver a realidade. A irritante Calma sobressai da inércia do não escrever, do não pensar mais sobre o assunto, por muito que se insista em pensar, em dissecar essa horrível forma de viver os dias. Chegada a hora de recordar os dioas passados, longínquos, ressuscitam os amigos mortos, vivendo por breves segundos dispersos pelo sorriso apático, metaforicamente amarelado, o frio dá conta de tudo, transformando apenas os corpos, não os destruíndo. Torna-os maiores na sua massa inerte, gelados na sua essência temperamental. Caí dentro do labirinto feito de becos sem saída. Nem sequer tenho um Minotauro para enfrentar, para tomar um café, como o Sena teve o prazer. Não tenho prazer algum porque hoje não é dia de o ter. Azar. O dia em breve acabará e a resolução virá com a noite, com o cantar dos grilos, o coaxar das rãs, o gritar do brilho intenso da lua. Este, não me trará as cidades distantes, a morada dos sonhos viajantes, dos sonhos em geral. O melhor será aguardar, recolhendo-me ao sofá de onde se assiste ao pôr-do-sol. Ali, esperarei a morte do dia, dos sonhos, das cidades distantes, a morte de mim mesmo, que cresço nesta angústia desmesurada. Fingo que encontro a resollução de todos os problemas numa frase solta de folha de jornal. “Estou longe de tudo”, vou para longe de tudo o que existe, transportado pela neblina que envolve a Lua nesta noite fria de quase Primavera. Sei que não pertenço a lugar algum e afirmo-o em voz alta, para que me convença dessa verdade, como se de uma mentira se tratasse. Embalo-me na cantilena expulsa de alto minarete, até que o sono tome conta de mim, como há pouco o fez sem que o tivesse pedido. O dia já se foi e não restará muito mais tempo para que a angústia esmoreça, se vá de uma vez por todas até que daqui a um mês lunar me volte a mexer por dentro. Preciso de um mapa que me guie daqui para a frente. Na sua inexistência terei eu próprio de o elaborar, sem medo de delinear as curvas do que é terra, em confronto com o que é água; não traçando mais fronteiras que essas naturais a que atendo agora. Pinto um fundo multicolorido numa tela branca, para que ponha lá as palavras registadas de um dia igualmente negro. Está cumprida a minha missão e, vozes, parai de me chatear por agora, que não tenho mais nada que fazer. O dia terminou e com ele mais nada...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4730306293680295939?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4730306293680295939/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4730306293680295939' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4730306293680295939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4730306293680295939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/viagens-cont_6321.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-2539065967273455829</id><published>2010-04-16T13:11:00.000+01:00</published><updated>2010-04-16T13:11:00.641+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Duas prateleiras de vida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na cidade perdida os mutantes dos mais diversos estilos preparam-se para ir ao cinema. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A realidade ficou atrás de uma porta discreta, mas ainda assim aberta à luz por dois grandes vidros.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do &lt;em&gt;Livro Colorido ou Os incensos de todos os dias&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivi duas prateleiras em casa do meu amigo André; ou melhor, foi esse o tempo que vivi em sua casa. Tinha ido por dois dias, por dois dedos de conversa e acabei por ficar duas prateleiras de livros. Lindas e estranhas prateleiras, como o horizonte do viajante se abre ao desconhecido em cada novo passo que dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a uma sexta-feira pelas cinco e meia da tarde, para que o André me fosse buscar à estação depois de sair do trabalho. Iríamos logo para casa porque ele faria questão de manter o mesmo horário que mantinha todos os fins-de-semana, sendo que o programa se altera ao sábado, mas de uma forma previsível, para que não hajam alterações da rotina. Preferia sempre não alterar os seus hábitos à sexta-feira, para que o fizesse só ao sábado, mas não me preocupei com a confrontação directa com o seu &lt;em&gt;modus vivendi&lt;/em&gt;, reservando o passeio pela cidade para o dia seguinte e descansando da viagem nada cansativa que antecedeu esse momento. Contudo, ao longo da viagem facilmente me convenci de ficar em casa, olhando para a multidão que ia povoando o comboio cada vez mais até chegar à cidade. Senti a falta do silêncio e do conforto da ausência de pessoas, inclusive do André que, por certo, se encerraria no quarto e me deixaria à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apartamento era suficientemente pequeno para que o considerasse acolhedor, sobretudo quando a experiência do comboio ainda me fazia desejar a comodidade do sofá onde iria dormir. Conversámos convencionalmente ao longo do jantar, enquanto mascava-mos uma comida com forma e espécie, mas sem sabor que fizesse lembrar alguma coisa comestível. Sentados nos pequenos bancos da pequena mesa de cozinha – que felizmente o arquitecto colocara aberta para a sala – podíamos observar todo o espaço nobre da habitação, bem como a decoração minimalista, mas sombria e escura que o André lhe dera. Ao lado da parede-móvel – onde se encontravam os electrodomésticos de som e imagem, silenciados pela falta de ordem para que trabalhassem – dispunham-se a meia-altura duas prateleiras cheias de livros. Reparei nelas assim que entrei, passando-lhes ao lado com a despreocupação de quem teria muito tempo para as observar lentamente, mas ia ganhando uma maior curiosidade com a presença que tinham na decoração, preenchendo também os muitos silêncios entre mim e o meu anfitrião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que se recolheu aos seus aposentos rapidamente satisfiz toda a curiosidade e ânsia que crescia de segundo para segundo. Tinha acabado de ler um ensaio do Orlando Ribeiro sobre &lt;em&gt;O Portugal Mediterrâneo e Atlântico&lt;/em&gt; e o seu discurso escorrido e fluente levou-me a desejar parar de ler ciência e andar uns tempos a ler coisas mais leves, ainda que pesadas. O André tirou um livro, antes de se retirar e sem palavras algumas indicou-me por onde eu poderia começar; pelo lado oposto ao que ele tirou o livro. Talvez me tenha visto erguer a cabeça para a prateleira superior, olhando de soslaio os livros, procurando alguma regularidade visual, alguma disposição que mais se repetisse, para que depois iniciasse a análise minuciosa pelo lado esquerdo com a cabeça tombada para o lado direito. O primeiro livro era uma edição &lt;em&gt;d’O Processo&lt;/em&gt; de Kafka, que resolvi ignorar por procurar um equilíbrio nas leituras e por não desejar querer ler ciência outra vez; este volume facilmente me faria desistir e preferi não arriscar. Prefiro atravessar o oceano atlântico para o segundo livro e pegar sem dúvidas na &lt;em&gt;Música do acaso&lt;/em&gt; do Paul Auster. Deitei-me no sofá e iniciei logo a leitura sem demoras ou preliminares. Não pensei no acto de lhe ter pegado e de me ter apetecido lê-lo e o acaso caiu-me em cima durante toda a noite, para que despachasse mais de metade do livro. A noite toda é uma forma de expressão, porque não desisti da ideia de ir passear para a cidade durante o dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me para almoçar, espreitando o frigorífico. O André saiu do quarto com o ar de quem já fizera tudo o que havia para fazer num dia, tudo numa manhã. Acordei com ressaca literária, que curei com leite e fruta e segui o meu anfitrião pelas ruas da cidade. Tomámos um café no Miradouro da Graça e seguimos pelo trajecto do 28; umas vezes a pé, conversando o possível, de acordo com a vontade de cada um; outras vezes de eléctrico que, quando ia com algum banco livre, me dava a oportunidade para ler alguns trechos do livro. Talvez pela beleza da viagem a história me tenha feito rumar à desilusão de uma forma progressiva até ao seu fim. Terminei-o à porta de um bar do Bairro Alto, protegido pela iluminação pública, enquanto o André tentava convencer uns putos a que nos deixassem fumar um charro com eles. A porcaria da vodka que bebi deu-me azia e foi um terrível prenúncio físico para a digestão do livro. Quando cheguei a casa, logo que o André se refugiou todo o Domingo no seu quarto, Peguei hesitante no primeiro livro que me saltou à vista enquanto arrumava o outro. Tive medo de Quando os lobos uivam, por achar que o neo-realismo português não se adequaria àquela hora da manhã, nem à minha falta de sobriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que nessa altura já tinha traçado o objectivo de ler as duas prateleiras de livros, ou tratar-se-ia de uma ilusão provocada pelo consumo de álcool e haxixe. Felizmente o livro despertou-me logo nas primeiras páginas pela sobriedade que impregnava à minha leitura. Lembrei-me da ingenuidade com que também temi ler o &lt;em&gt;Vagão J&lt;/em&gt; do Vergílio Ferreira, mas num contexto diferente em que o medo nascia apenas do conceito existencialista que atribuía a esse autor. Enfim, todos os traumas passam e muito bem. Devo ter adormecido pelo meio da tarde depois de saciar a fome de comer muito que me acometeu. Fiz umas sandes de pão com chourição e queijo e bebi água fresca da fonte-frigorífico onde o André a guardava engarrafada. Depois, dormi até a manhã de segunda-feira, na hora em que o André saiu para ir para o seu trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toma uma chave de casa. Encontramo-nos pelas oito da noite, se quiseres jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se janto ou se vou estar em casa a essa hora. Nunca sei nada nem procuro saber. Logo se vê, meu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um banho sai para comprar tabaco e tomar uma boa dose de cafeína. Fui lendo a história dos lobos da serra com a pressa de um estudante a quem lhe houveram imposto uma tarefa para a qual já não tinha paciência. Assim que o terminei fui colocá-lo na prateleira de baixo, do lado direito, onde se encontravam as &lt;em&gt;Almas Mortas&lt;/em&gt; do Gogol e o &lt;em&gt;Morreram pela pátria&lt;/em&gt; do Cholokov. Lembrei-me dos concelhos literários do meu pai e terminei a aventura neo-realista com uma profunda dose de saudosismo paternal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava relaxar, mas como sou demasiado intuitivo fui pegar na &lt;em&gt;Casa do Incesto&lt;/em&gt; de Annais Nin. Bebi as suas palavras durante a toda a manhã e, pela hora de almoço, já tinha forças para ir dar umas voltas pelas ruas da cidade. Peguei num pequeno livro que se encontrava do lado esquerdo da prateleira inferior sem reparar no que seria. Tinha aspecto de velho e, logo, eu não deveria ter lido ainda. Calhou-me na rifa uma dose de poesia; &lt;em&gt;A invenção do amor e outros poemas&lt;/em&gt;, numa velha edição de 76. Despertou-me a curiosidade pelo Prefácio ou advertências iniciais. Estava na Avenida da Liberdade quando li o primeiro poema, tendo a felicidade de imaginar o Amor, tomando um café numa esplanada. O vento fazia cair as folhas das árvores, transportando-as para os mais diversos objectos, animados e inanimados que povoavam a paisagem. As folhas seriam os confetis da festa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi passear alegremente. Senti-me com força para enfrentar o Adamastor e a &lt;em&gt;Cidade ocupada&lt;/em&gt;, poema que se seguia no livro. Fiquei estático a olhar o rio e o sol que nele se banhava até que se transportasse para a linha do horizonte. Pensei na Cidade ocupada e no porquê de eu me encontrar aqui, percorrendo-a, tentando anular o tempo que não dominava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui para casa do André, apanhando-o a tempo do jantar, cujo horário cumpriu escrupulosamente, pondo-se logo ao fresco para o seu refúgio onde se prepararia para mais um dia de trabalho. Achei um pouco triste que nem sequer tivéssemos falado após o jantar, mas rapidamente resolvi ir buscar outro, lembrando-me que tinha falado disso ao André. Encontrei uma edição estrangeira de um romance de Chatwin em língua original, &lt;em&gt;The Songlines&lt;/em&gt; e achei-me com coragem de experimentar um novo autor de que tanto tinha ouvido falar. Não me arrependi de forma alguma, porque só consegui adormecer pela manhã. Contudo, ler em língua estrangeira também retardava o ímpeto de descobrir mais sonhos nas páginas seguintes, acabei por não avançar ao ritmo que tinha conseguido até então. Por outro lado, Bruce fazia com que viajasse frequentemente, obrigando a inúmeras pausas de leitura, umas mais prolongadas que outras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o despontar dos primeiros raios de luminosidade que a janela da porta do quarto deixava passar – pensando que seria, em breve, tempo do meu anfitrião partir – esforcei-me ainda para me manter acordado, num torpor que já não me permitia ler, para que o observasse, dirigindo-se ao frigorífico, bebendo leite à pressa e saindo para a rua sem articular qualquer palavra ou som. Adormeci pensando no contexto hipócrita em que lia a história de viagem, tendo por vizinho o André, preso ao seu trabalho, mas estando eu também preso às suas duas prateleiras de livros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malditas terças-feiras. – Pensei, de modo que resolvi ficar em casa todo o dia a cumprir o meu objectivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi por muito tempo, fazendo alguns lentos acordares para pegar numa e outra página do livro. Tornou-se difícil lê-lo e, pelas três da tarde, desisti de continuar a insistir. Coloquei música de dias de chuva no leito de Mp3 e deixei-me percorrer sonhos surrealistas de mundos quase desertos de vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui acordado, pelas seis da tarde, por toque leve de mão no meu ombro. Abri os olhos quase sem força e por certo sem sobressalto, apesar de não esperar ninguém que viesse até aos meus sonhos. Foquei uma figura angélica, de nariz pontiagudo, a face a três quartos aproveitando a luz tosca do candeeiro, abrindo o sorriso para perguntar, “Quem és tu?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jean-Arthur. E tu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se no pequeno sofá em frente, sem o peso da sabedoria, sem se voltar, mas com uma naturalidade desmesurada como o seu sorriso. Fechei definitivamente o livro e regressei a Portugal, sem o peso de uma longa viajem, sem a saudade dessa mesma viajem. Olhei a lombada da &lt;em&gt;Montanha Mágica&lt;/em&gt; do Mann antes de esfregar os olhos e esboçar um sorriso tímido, mantendo-me num silêncio que, logo desde o início, não foi incomodativo. Este foi quebrado num instante qualquer, na forma em que o sorriso e o olhar não se desfizeram, continuando o diálogo mudo que se travava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou amiga do André. – Disse com a subtileza inesperada de quem desiste de um jogo sem o perder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também. – Respondi, tentando disfarçar a surpresa e nem precisei de um espelho para perceber o ridículo em que caí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu chamo-me Carolina. – Disse com um ar sério, mas sem arrependimento de qualquer mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava que te chamavas Gala – Retorqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como te chamas tu? – Disse sorrindo e repousando de novo as costas no sofá. – Pára lá com jogos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jean-Arthur. – Que se lixasse. Já estava coberto pelo ridículo de qualquer forma, que preferi manter a muralha de esferovite como protecção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então e o que fazes Jean-Arthur? – Continuava a sorrir, sem esforço e sem exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio duas prateleiras de livros do André. – disse, não me preocupando em parecer sincero, mas pensado que era levado a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só fazes isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só fazes perguntas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vamos jantar e beber um copo. É uma afirmação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duvido que consigas arrancar o André do lar, doce lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podes duvidar da minha capacidade de persuadir o André. Não me conheces, nem à minha relação com ele. – Continuava a sorrir, pelo que não me preocupei com a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não leves tão a peito a observação. – Disse. – Só pensei nele quando a expus. Desculpa se te menosprezei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirou-se para um longo silêncio que se seguiu, voltando ligeiramente a face para olhar para o nada, até que percebi que se iria demorar nessa pose e não encontrei desculpas para continuar a olhá-la. Peguei de novo em Chatwin com outro fôlego e deitei-me, assumindo uma leitura que já não me transportava para longe, logo na valsa final das imagens em que seria mais necessário que o fizesse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se assim fosse, teria saído dali de rompante, sem olhar para trás e que se lixassem as duas prateleiras de livros, bem como os objectivos estúpidos que se inventam quando nada mais há a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde esse ponto da história que se desenvolviam as mais diversas citações de outros livros e de outras histórias, tentando explicar a tendência inata do ser humano para caminhar, que é como quem diz para ser nómada. A liberdade de escolha de geografias a viver seria a forma mais sublime de liberdade que o Homem poderia alcançar. Talvez lhe tenha dado razão, recusando-me a olhar no espelho da minha triste prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todo o tempo da leitura fiquei preso à presença de Carolina por uma grossa corrente analítica. Tinha a chave do apartamento do André e isso bastava para que dançasse entre a leitura e a pergunta preocupada do que seria ela para o meu amigo. Tentei quebrar a corrente, que só cedeu quando a Carolina se levantou, dirigindo-se para o espaço-cozinha e começou a cozinhar. Conhecia com minúcia o lugar de todos os objectos e alimentos. Resolvi perder-me de novo no deserto laranja da Austrália, que me cantou a Esperança e a Ciência nos Homens e em mim próprio, apesar de ser desnecessário fazê-lo. As repetidas citações tornaram a história monótona, fazendo com que rapidamente o acabasse, lendo na transversal os conjuntos de palavras que me faziam divagar em demasia, retendo-me noutros conjuntos cujo sumo não me azedava o não cumprimento dos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dividi depois o olhar entre a Carolina e a prateleira inferior, onde depositei o livro, indeciso sobre o que ler, sobre o porquê de a olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns gostam de poesia é uma óptima escolha. Uma antologia de poesia polaca. Não sei se conheces?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro olhei-a surpreso, por ter tido a coragem de se intrometer nas minhas escolhas; depois chegou o André e não tive tempo de pensar mais no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vais lê-los todos, de qualquer forma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns já li. – Respondi bruscamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que história é essa de os ler a todos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui o Jean-Arthur quer ler as tuas duas prateleiras de livros. – Disse por entre dois beijos de face e um breve abraço, talvez fruto da frequência com que se encontrem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que não destinei o Jean-Arthur a dormir no meu quarto. – Disse o André com um olhar cúmplice. – Teria de pensar em partilhar renda com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jantamos bolonhesa e depois vamos para a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem penses nisso. Tenho trabalho amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retive-me no silêncio da capa da antologia, para depois reflectir o olhar nos talheres dispostos sobre a mesa. Entrei no outro lado do espelho e bebi um chá rápido com o Coelho de Cartola. Cheguei ao jantar a tempo da sobremesa, feita com os restos mortais do Humpty-Dumpty. Os meus convivas sorriam entre si e percebi que demorara demasiado tempo com o chá, mas estava quente e tive de soprar imenso até o puder sorver. Ainda assim não tive pressa. Não queria ter pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos vens tomar um café connosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria difícil contrariar a amiga naquela noite, mas o André não estava assim tão anti-social que não pudesse descer uns lanços de escadas e atravessar a rua até ao café vizinho. Pensei que acabaria por sair connosco e levei a maldita antologia como companhia. Cometi um erro, porque antes de acabar de tomar o café e ao acender de cigarros, já estava a declamar um poema, em voz alta, para dar a entoação certa às palavras, a colocação fonética adequada a uma melhor expressão dos sentimentos. O André procurava esconder-se, movendo os olhos entre as bochechas coradas; Carolina sorria fazendo um olhar compenetrado na minha leitura. Não repeti mais nenhum poema, não querendo abusar da sorte. Os poemas que se seguiram li-os em silêncio, trocando algumas impressões com os meus amigos, procurando fugir da imagem de autista que estava a fomentar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos para o frio da noite, despedindo-nos do André, que rapidamente rumou à paz e tranquilidade do seu quarto. Seguimos por um punhado de ruas, conversando sobre o que estávamos a ler, arriscando assim dizer mais qualquer coisa sobre a forma como olhávamos o mundo. Ao iniciar a descida pela Avenida da Liberdade calámo-nos um instante, que me permitiu levantar a cabeça a olhar a copa das árvores projectadas no céu estrelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podes recitar todos os poemas que te apetecer. Não te tomo por louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma avalanche de seriedade tomou conta de mim. Olhei-a fixamente e agradeci-lhe do mais profundo de mim, o facto de me levar a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devias dizer essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deverias olhar-me assim. De onde são esses olhos Jean-Arthur?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer parte do mundo, mas estão registados em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No norte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Coimbra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde é esse sorriso? Holandês? – Perguntei sem medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê holandês? É de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizeste-me lembrar a Dama com o brinco de pérola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calámo-nos e prosseguimos até ao Bairro Alto em silêncio. Coloquei a minha boina, para proteger a cabeça do frio e para segurar os pensamentos. Interrompi o silêncio após um cigarro no primeiro bar onde fomos, recitando um poema sobre uma estação exilada na não-existência. Pudemos retomar a troca de informações mais precisas sobre nos, chegando mesmo aos sonhos que se podem partilhar com os amigos. Pudemos prolongar a noite até às primeiras horas do dia, porque nada tínhamos que fazer estando acordados. Todo esse tempo foi, no entanto, demasiado idílico para que acreditasse que era real. Terminámos o livro ao pequeno-almoço e separámo-nos. Segui pelas ruas embriagado, no meu corpo cheio de felicidade. Talvez não fosse o corpo, mas sim um pote, que parti na calçada mesmo antes de entrar no prédio onde vivia o André. Tive medo e rumei às prateleiras para o exorcizar da forma mais célere possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o resto do dia acordado, uma vez que seria difícil tentar entrar em sonhos, ou talvez estes me conduzissem a locais que eu não desejava. Para aplacar os ânimos comecei por ler &lt;em&gt;Dez horas e meia numa noite de verão&lt;/em&gt; de Marguerite Duras, porque gostei da capa da edição. Logo de seguida caminhei para &lt;em&gt;A tarde do Sr. Andesmas&lt;/em&gt;, da mesma autora, pela impressão que a primeira história me havia deixado. O amor que nasce pela substituição de um outro, ocorrendo sempre uma paixão efémera, condenada ao fracasso desde o seu início, ou seria o cepticismo do narrador que abundava em demasia. A leitura rápida de ambas as histórias alertou-me para a falsidade dos jogos do tempo, para o romance que o preenche, nascendo sempre ao longe de quem o observa, de quem o analisa, roçando os limites dos cenários, muito para além de todos os horizontes longínquos, descritos sobre o dia que finda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo ter adormecido nos meus pensamentos, rumo a um sono agitado, certamente povoado pelos mais estranhos sonhos, onde as mais estranhas personagens se cruzavam. O André despertou-me – qual salvador da mente decrépita – na manhã seguinte, antes de seguir para o trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então pá, assim não avanças na leitura das duas prateleiras. – Sorria abertamente, pelo que entendi as palavras e o sorriso como um convite aberto a que permanecesse ali o tempo que desejasse. – Ou se te distrais ainda arranjas um porto onde atracar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achas – Perguntei, com a entoação falsamente sarcástica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a certeza. O número de telefone da Carolina está em cima da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Telefonei-lhe a perguntar o que te tinha feito na noite anterior. Nada de mais para além da curiosidade de saber se tinhas apanhado um pifo. Percebi que não quando me disse que adorava a tua visão do Realismo Socialista. Grande conversa, hã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vais convidá-la para jantar aqui em casa; vais às compras, contribuis para o frigorífico, que está bastante magro e demonstras os teus dotes culinários pouco realistas. Eu hoje não venho dormir a casa porque vou visitar uma amiga minha. – Finalizou assim a conversa e saiu a correr como era seu apanágio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tive tempo de acordar e nem quis pensar em tudo este diálogo até à hora de almoço. Paralisei, a olhar o tecto branco-sombra e esvaziei a mente quase por completo. Em determinado momento ouvia a minha respiração profunda, que me transportou para um mar calmo, numa praia enorme e deserta, rodeada de palmeiras. Ouviam-se ali as gaivotas ao longe, misturado com o ruído das pequenas ondas que afloravam a areia. Ao longe, erguia-se uma estátua de pedra para onde me dirigi. A sua beleza marmórea fez-me perder, sentado em sua frente, percebendo os pormenores e detalhes dos contornos do rosto enorme, ajudado pela sombra que neles vagueava lentamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despertei do torpor de sonhar acordado com um ronco de estômago. Saltei para o frigorífico e elaborei uma lista de compras em cima do joelho dormente, para que pensasse na ementa do jantar apenas em frente às prateleiras do mercado. Antes de sair teria de telefonar e ronco de estômago caminhou numa vertiginosamente para a azia. O papel que o André deixara em cima da mesa tremia-me nas mãos e as teclas do telefone teimavam em fugir à ponta do dedo polegar. Não aguentaria a angustia se Carolina não atendesse, que me enganasse no número de telefone; muito menos que uma voz mecânica me informasse que o número não existia, quiçá que Carolina não existisse. Descansei, quando a sua voz se sobrepôs a um ruído de fundo quase incomodativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim? Jean-Arthur? És tu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, sou eu. – Balbuciei com uma rouquidão inicial. – Como adivinhaste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o número do André e ele não costuma estar em casa a esta hora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei que já esperavas que te telefonasse a convidar para jantar, como o André é que fez o arranjinho. – Arrependi-me de imediato de o ter dito, mas tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És sempre assim tão energúmeno ou encontraste um manual nas prateleiras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa. Estou nervoso com a ideia de jantar contigo, mas adorava fazer-te uma refeição e usufruir da tua companhia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está bem. Aceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se fala mais nisso. Até logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligou sem me dar tempo de emendar o erro e minorar a angústia que me iria acometer a partir daqui. Nem lhe perguntei o que preferia comer, se havia alguma coisa de que não gostasse. Detestei não ter um farol que me alumiasse o caminho até ela, temendo chocar contra o firme rochedo com que a caracterizava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí para a rua, para o vento forte que se fazia sentir e que me calava os pensamentos de culpa, ainda que alguns existissem, soprados pela intempérie, fazendo com que caminhasse absorto, mais tempo e mais metros que o necessário. Talvez fosse o trânsito frenético que andava de uma forma muito rápida, mas assustei-me por mim ou pelo movimento exterior a mim e refugiei-me no primeiro mercado que encontrei depois de despertar. Mesmo este estava com gente em demasia e tive de optar por uma simples carne branca de peru, acompanhada de legumes e de um molho-pimenta-suave, só para ajudar a saborear o vinho. Este último foi o ingrediente que mais tempo demorou a ser escolhido, como trunfo necessário a ultrapassar qualquer derrapagem culinária. De resto, seguiram-se as compras corriqueiras para os restantes dias, sem que existissem preocupações sobre possíveis críticas do André.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei excessivamente nos assuntos jantar e Carolina para que continuasse a preocupar-me com coisas corriqueiras. Pelo caminho de regresso a casa tentei absorver mais de tudo o resto que me rodeava, esquecendo-me dos problemas por mim criados. Eu, o inútil que nada mais tem a fazer do que ler duas prateleiras de livros. As pedras da calçada tomaram então uma tonalidade suja, como as fachadas dos prédios, como todas as expressões humanas de vida; animadas e inanimadas. O vagabundo deitado na rua, abrigando-se do vento e qualquer esquina irregular dos edifícios; os polícias que passavam multas, alheios às explicações dos condutores em falta. Mais à frente, um carro topo de gama, estacionado em segunda fila, era suporte para um tipo de fato executivo a falar ao telemóvel. Não existia para os polícias, mas eu conseguia vê-lo a sorrir para dois tipos com casacos de cabedal que guardavam prostituas, numa ruela escura do outro lado da via. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até chegar a casa do André não consegui encontrar a Literatura em lado nenhum, porque a minha noção de Arte seria mais idílica que toda a crueza da realidade percepcionada; nem nas vitrinas dos espaços comerciais que a exibem; nem nos selos comercias que a estampam em volumes coloridos; nem nas vozes negras e críticas dispostas pelo branco dos jornais; pasquins que com ela brincam num jogo demasiado sujo para que nele acredite. Toda a Arte morreu, ficou fria, como a fachada dos edifícios a que alguém quis dar vida. Se a Arte era a salvação para a triste condição humana, onde estava então naquele momento, naqueles cenários? Como confrontá-la com aquela escuridão, para que lhe desse luminosidade? Como poderia lustra a sujidade opaca desses materiais inertes que definiam os espaços?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei enfim ao porto seguro, pousando as compras na mesa e correndo ao WC para lavar a cara e tentar lavar a alma. Sentei-me no sofá, respirando fundo e tapando os olhos com as palmas das mãos. Segurei a luz, os pensamentos e a loucura, recordando a conversa que tinha tido com o psiquiatra uns dias antes de iniciar a viagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem; vá passear, conheça pessoas novas e liberte-se dessa prisão onde se encerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não acredito nas pessoas Sr. Doutor, perdi a fé que sempre tive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então procure outras pessoas que tenham perdido a fé. “O homem não é uma ilha” e tende sempre a procurar iguais a si próprio. Quando se perde a fé, como no seu caso, dificilmente se recupera, mas haverá por aí muita gente nesse estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cepticismo que me tolda o olhar o mundo que me rodeia leva-me usualmente a que me considere vítima de algo exterior a mim. Tento fugir desse estado de espírito, lembrando-me das vidas iguais à minha que tanta gente viverá. Nesse dia poderia pensar no André e nesse ritmo monocórdico com que vive os dias que por ele passam, mas do André chegaria à Carolina e não queria voltar a pensar nela até que começasse a cozinhar o jantar. Mesmo nesse momento, teria de pensar nela enquanto a mulher linda que é, nessa valorização estética, nessa irracionalidade de a sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para o escape das duas prateleiras de livros e estudei-as longamente, colocando de um lado os livros que já tinha lido, eliminando-os e adivinhando o tempo que demoraria a ler os que restavam. Resolvi organizar os pensamentos dando ordem à disposição dos livros. Na prateleira de cima coloquei os despachados, aqui ou ao longo da minha vida. Quando a preenchi guardei o espaço da esquerda da prateleira de baixo para os que já não cabiam em cima. Senti um certo desalento por perceber que acabaria em breve, mais cedo do que previra, mais cedo do que queria. Os resquícios do cepticismo, que se abateu sobre mim após as compras, levaram a considerar a hipótese de desistir daquele ridículo intento. Nesse momento, em que media a tarefa que tinha pela frente, percebi que o desalento se devia à necessidade de criar um novo objectivo; longe desta cidade, longe da casa do André, longe da possibilidade da presença de Carolina. Através dela renasciam a Arte e a Literatura, em mim, que era o lugar mais seguro onde guardá-las; o único lugar seguro que conhecia. Só a partir de mim é que essas duas criações irmanadas poderiam espraiar-se para o resto do mundo. Carolina representava apenas a nascente desse reviver, cabendo-me a mim conduzi-las pelo vale previamente escavado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, a existir, voou para longe nesses breves instantes e peguei na &lt;em&gt;Origem da Tragédia&lt;/em&gt; de Nietche sem reflectir. Tinha de escolher um livro antes de começar a cozinhar, ainda que não o lesse de imediato. Seguiu-se a acção de preparar o jantar, de cozinhar os alimentos enquanto o vinho respirava, aberto, dentro da garrafa, junto ao fogão. Coloquei a mesa de uma forma germânica e procurei um pau de incenso que queimasse de imediato, tentando criar uma atmosfera onde a minha túnica não fosse absurda. Era a minha vestimenta favorita, mesmo em tempo frio, uma vez que me dava a liberdade de movimentos que precisava para libertar também o espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a Carolina e nem precisei de pensar em qualquer possível diálogo, percebendo que o silêncio seria compreendido, mesmo requerido da sua parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá. Está pronto o jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos comer e saborear o vinho em silêncio, enquanto o resto do pau de incenso queimava, enquanto as duas prateleiras de livros perdiam a sua importância. O par de olhos de Carolina observava-me com a mesma atenção que os meus lhe davam a ela. Pude inebriar-me da sua altivez nórdica; da dança do seu rosto, provocada pela luz ténue do espaço sala, ajudado pela luminosidade irrequieta de uma vela; do seu silêncio compreensivo. Antes da sobremesa-fruta deixou verter uma lágrima com sabor a sal, que o meu dedo polegar transportou até aos meus lábios. O silêncio manteve-se até ao café, interrompido pontualmente pelo traquitar dos objectos-louça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dás-me um cigarro? – Perguntou, com a disposição de iniciar uma conversa-cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que andas a ler agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não li nada. Escolhi a Origem da tragédia e ainda não sei se o vou mesmo começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante que o leias. Cumpres progressivamente o teu objectivo e é um bom livro. – Sorria finalmente, contagiando-me com a força da sua boa disposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não percebo qual é o teu lugar teórico nesta história de duas prateleiras de livros. Choveste-me em cima depois de uma travessia no deserto autraliano e a minha alma nómada procurou refugio na Literatura. Já estava refugiado e não me deveria ter chovido em cima. Talvez, impreterivelmente, tivesse de me molhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também não sei qual é o meu lugar na tua história, mas também não quero ocupar lugar algum. Os olhares que conduzimos pelos silêncios bastam-me e cresci uma nova mulher depois da noite em que me recitaste poemas que já conhecia. Possivelmente não terei de iniciar um novo caminho contigo, basta-me que tenha começado a partir de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou-me embora dentro de uma semana – não sabia ainda se seria uma semana – seguindo para a Estação de comboios que me conduza a outro objectivo. O meu caminho terá obrigatoriamente a Estação e um comboio como meio de locomoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inevitável que assim seja. – Afirmou – Irei acompanhar-te à Estação e serei o ponto estático, com que medirás a distância, no horizonte. Para além disso, serei a saudade igualmente estática que morrerá quando sair da Estação. Os livros, continuarás a ler noutros locais, mas a minha saudade ficará ali, junto á linha do comboio que partiu e será irrecuperável assim que se dissolver na atmosfera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontraremos de novo a saudade. Viveremos algumas vezes nas mesmas cidades, uma ou outra, ao longo da vida, mas na distância imensa de percorrermos a mesmas ruas, pertencendo a mudos distintos, talvez a realidades paralelas. Não me reconhecerás e eu não te conseguirei ver, mesmo que contigo cruze no espaço. A saudade poderá existir ainda, na frágil memória que teremos um do outro. É pena que assim seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não somos donos de nos próprios e tudo acontece porque tem de acontecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simplesmente tenho de partir e tu compreendes que tens de ficar; tudo o resto será uma paixão efémera que fizemos nascer acidentalmente e que morrerá, como Shakespear a mataria nos seus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando a ser então uma paixão eterna que irá corroer os corpos até á morte de ambos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não respondi e Carolina não continuou a conversa. Ambos saboreámos o vinho que restava no fundo da garrafa, cada um com os seus pensamentos de olhar distante, talvez para dentro de nos. Pensei que tínhamos falado demais, que deveria procurar os seus lábios e o seu ser interior, escondido nesse olhar distante. Ela, eventualmente, terá também pensado nessa possibilidade, mas ambos permanecemos estáticos durante mais uns minutos. Sentou-se no sofá e eu arrumei a mesa e comecei a lavar a louça. Tenho a firme certeza de que essas acções de limpeza limpam muito mais do que os objectos dessa acção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina olhou demoradamente para as prateleiras dos livros. O facto de manter a cabeça direita permitia supor que pensaria nelas enquanto um todo, não observando as especificidades das lombadas. Essa suposição fez voltar a angústia e procurei lavar tudo rapidamente para que lhe fosse cortar os pensamentos, bem como acabar com essa angústia que crescia dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim Jean-Arthur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doce da tua voz não está escrito em nenhum livro, assim como o doce do teu ser. Ambos ficarão na minha memória, mais do que todas as ideias de todos os livros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito Jean-Arthur, porque é essencial para ti que acredite. – Os seus olhos tomarão uma tez avermelhada. – Será portanto a nossa despedida; hoje já, apesar de te ires embora só para a semana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não digas isso. – Perdi o jogo com esta frase. Mergulhei na hipocrisia que me afastou da realidade, da sinceridade que assumimos como essencial ao nosso relacionamento. Caí no túnel multicolorido de tanto a amar, percorrendo-o numa vertigem descontrolada. Deveria finalmente procurar os seus lábios, mas resolvi agir em conformidade com a minha pequenez, deitando-me a seu lado no sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorremos a noite em silêncio, de olhos abertos que evitavam as prateleiras e os olhos do outro. Trocámos pequenas carícias de pontas de dedos, acidentais ou fugidias. Pela manhã, quando a luz se tornava mais forte na janela da porta do quarto do André, Carolina adormeceu e retirei-me calmamente para uma cadeira em sua frente, cobrindo-a com um cobertor. Perdi o sono e penso que nunca mais dormi desde esse dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei na &lt;em&gt;Origem da tragédia&lt;/em&gt; e, estranhamente, a complexidade do discurso de Nietche não travava a rapidez com que o absorvia. Quando Carolina acordou, pelo meio-dia, decidimos ir tomar café na rua. Peguei no livro eu lia e escolhi um outro, para ler mais tarde, &lt;em&gt;Os sete loucos&lt;/em&gt; de Roberto Arlt. Tomámos café, comigo completamente distraído do perigo da junção dos dois livros que trazia na mochila. Um olhar doce, um sorriso e uma conversa amena podem-nos afastar dessa objectividade realista com que temos de avaliar os livros que se escolhem para ler, de os avaliar previamente. Fiquei sozinho em poucos minutos, para que resolvesse terminar a bomba em diversas esplanadas da cidade. Não combinámos outro encontro, porque ambos sabíamos que ele aconteceria inevitavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O espírito dionisíaco consolidou-se fatalmente enquanto li as primeiras páginas &lt;em&gt;d’Os Sete Loucos&lt;/em&gt;. Tornei-me invencível frente a um fracamente fundamentado Super-homem, para que depois aprendesse os subterfúgios morais onde o Homem se refugia, para que cometa toda a espécie de crimes, legais e morais. Mais nada travou o meu pensamento e todo o mundo fluía – equilibrado nos julgamentos a que as minhas observações conduziam – a caminho de casa do André. Ao percorrer os degraus da longa escadaria sentia-me a cair pelo funil dos meus sentidos, dos meus pensamentos, que só com esforço consegui dominar, alcançando o sofá onde dormi ou desmaiei, permanecendo em inconsciência por largas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando abri os olhos, li compulsivamente o que restava do livro, escolhendo outro de imediato. &lt;em&gt;Ontem&lt;/em&gt;, de Agota Kristof, prolongou a loucura, mantendo-me absorto. Não denotei qualquer movimento pela casa, até que o André pousou a mão sobre o meu ombro. Dei espaço a que se sentasse e fê-lo, em silêncio como eu desejava, mas com o semblante carregado que eu temia ver. Firmei, nesse ar carrancudo, a amizade que nunca tínhamos ainda admitido, mesmo quando disse que não tinha de terminar as duas prateleiras. Respondi-lhe que era teimoso quanto aos objectivos a que me propunha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deverias ser tão obstinado perante outros propósitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente tem, meu caro amigo. Não queiras ser diferente e imune ao medo, só porque achas que nada podes partilhar com alguém que nunca te poderá compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderás compreender-me?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho essa pretensão. Consigo reter-me nos silêncios dos que não julgam, dos que não temem afirmar a sua ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu sem quaisquer recomendações. Pude aquecer uma caneca de leite e pensar sobre o futuro próximo de uma forma inútil. Terá sido importante o leite, uma vez que me deixei repousar por toda a tarde, sem a preocupação de achar que este seria um dia diferente de todos os outros. Só o entendi como tal quando, pelo cair da noite, o André e a Carolina irromperam pelo meu espaço adentro, pegando no meu corpo dormente e arrastando-me para um convívio que adivinhei como o derradeiro. Eu sabia que o era e agi despreocupadamente, deixando-me arrastar da forma mais hedonística que a minha vivência me ensinou. Carolina permanecia distante a esta forma de estar, encontrando de novo o equilíbrio entre nos que sempre me incomodara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou rápido por entre as conversas triviais do costume, dos jantares de fim-de-semana-entre-amigos; vinho à temperatura certa amoleceu ainda mais o meu corpo e o meu pensamento, que nada fez por reter na memória desde o primeiro gole, talvez mesmo desde a última conversa a sós com o André.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És uma besta. Um estúpido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era o amigo, que se coibia de julgar, que falava, mas o amigo comum de dois seres confusos entre si, como se as energias não mais fluíssem entre ambos, para além da tensão nuclear de onde provinha a energia atómica. Não beijei mais a bela rapariga que serviu de poço das frustrações, para responder ao André com o silêncio dos olhos baixos. A carolina foi ao WC do buraco escuro onde nos divertíamos à força e o meu anfitrião aproveitou para dar um ar da sua graça intimidativa, que eu mal conhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Burro mesmo, pá. Vê lá se paras com essa merda e tentas acabar a noite minorando os estragos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinha desistido de pensar e de me culpar pelas minhas acções intuitivas. Fi-lo antes do final do jantar, quando olhei a bela rapariga que tinha um horrível nome romano e que nos fizera companhia pelo convite dos meus dois conhecidos. A pobre infeliz Agripina – que devia o nome à erudição de seus pais – bebeu como poesia todos os lugares comuns que consegui vomitar durante o repasto, não me iludindo quanto à pobreza do seu espírito de ouvinte, quanto à minha de orador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interrompi o meu olhar narcísico no lago para atender ao meu anfitrião e à minha distante amante, que me ofereciam um presente, forçando a despedida que me fez despertar um pouco. Desisti de tudo definitivamente ao abrir o embrulho e ao ler o título do presente; &lt;em&gt;Viver para contá-la&lt;/em&gt; do Gabriel Garcia Marques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos já tarde do restaurante, empurrados pela pressa de viver outros instantes de vida e pelos exaustos empregados de mesa. Guardei o livro na mochila, devolvendo o Ontem ao seu dono e entregando-me ao vácuo de pensamento que o meu cérebro procurava insistentemente. O álcool ajudou e, num instante acidental em que ocorreu um toque de mãos, peguei em Agripina e beijei-a sem medo que o veneno dos seus lábios me matasse de uma forma fulminante. No local escuro onde dançávamos e bebíamos, os poucos focos coloridos moviam-se rapidamente na minha percepção visual; as vozes gritavam demasiado alto na minha percepção auditiva. Desliguei, procurando o silêncio que então se impunha, abandonando Agripina na sua solitária embriaguez. Quando Carolina reapareceu não perdi tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a hora de ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela nada perguntou porque percebeu o que queria dizer com esta frase. Tocou-me de uma forma fugidia no braço, concordando que saíssemos, não fazendo questão de alimentar o meu remorso com um olhar complacente, ou qualquer sorriso voluntário ou fingido. A sua silhueta-sombra tornou-se um farol-guia para a saída do buraco e o seu silêncio até a casa do André tornou-se no carrasco da minha alma inundada de culpa. A bagagem rapidamente se compôs na mochila e não perdi tempo a olhar as prateleiras ou o espaço-sala da casa do meu amigo. Evitei forçosamente esses actos fáceis que utilizamos para nos despedirmos dos sítios, para elaborar fronteiras entre as diversas faces da vida ou entre vidas. O silêncio entre os dois manteve-se por todo o tempo da viagem até à Estação; no pagamento do táxi, no arrastar da bagagem e dos corpos cansados da vida e na breve fila para comprar o bilhete. Carolina era só um corpo que me acompanhava, cumprindo uma promessa da sua alma, que eu assassinara a sangue frio, só porque me deu um livro, ou porque já me tinha convencido há mais tempo que era exactamente isso que faria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carolina…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus Jean-Arthur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frieza aparente da frase de despedida não impedia a dor de se manifestar no seu olhar quase apático. Chorei, com pena de mim, mais do que com pena de qualquer outra coisa. Sentei-me no primeiro banco que encontrei e permaneci, estático, olhando o corpo que me acompanhara. Penso que terei limpo as faces cheias de água, mas as gotículas de chuva miúda da manhã, enchiam por sua vez a vasta janela da carruagem. Todo o céu chorava, dissolvendo o ponto estático com que media a distância de mais um ponto de partida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-2539065967273455829?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/2539065967273455829/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=2539065967273455829' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2539065967273455829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2539065967273455829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/viagens-cont_16.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-178758084206535761</id><published>2010-04-15T12:40:00.000+01:00</published><updated>2010-04-15T12:40:30.249+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O Poema&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavas um pouco confuso…Digo…Quando escreveste isto…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se será bem um poema. Era sobre isso que queria falar contigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz lá então. Desconstroi a forma que dei a esse texto para que lhe chame um poema. Para mim é um poema e discutiremos as nossas razões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem métrica, nem uma cadência que aumente ou que esmoreça, perde-se o ritmo na força de alguns versos, na cadência diferente que se impregna aos outros subsequentes. Há a repetição de ideias, sendo um reforço de ideias que não entendo, mesmo que sujeitas a uma sequência temporal. A sequência temporal dá-lhe alguma regularidade, sendo mesmo a única coisa que lhe confere alguma regularidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma racionalidade queres tu dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Também poderás ir por aí. Não tem jeito nenhum de poema porque se expressa numa linguagem de prosa, porque não sabe escolher as palavras dos versos reduzindo-as ao &lt;em&gt;mínimo denominador comum&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não sou poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas assumiste essa responsabilidade ao escrever este texto como poema e agora tens de me ouvir. Não te desculpes com essa treta de não seres poeta. E agora, que vais fazer ao texto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou abandoná-lo até que um dia me apeteça tocar-lhe outra vez, se é que algum dia vou ter essa necessidade. Se tiver; assim lhe darei mais um toque de maturidade poética, que entretanto irei arranjar com as leituras que farei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podes. Estás a ouvir? Não podes. Transforma-o agora, com a máxima urgência que puderes encontrar na tua vontade; com a máxima urgência que o meu pedido de amigo lhe confere. Não vês que quero chegar ao fundo do poema, que está por entre as estrofes, para que o entenda, para que te entenda um pouco melhor na pessoa que foste ao escrevê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então agora já é um poema? Vê lá se te decides e deixa-me explicar-te uma coisa; a Liberdade que dei a este texto a que denomino poema é a mesma Liberdade que me impede de lhe tocar, agora que ele me toca tanto, agora que já o assumi perante o mundo como meu poema. A urgência não existe, como também não existem toda uma série de conceitos para que seja um poema verosímil para mim, para outros que já o leram e que já o ouviram. Quanto muito posso transformá-lo em prosa e explicar-te de outra forma o que se passou em tudo o que lancei para as palavras deste poema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pede outra garrafa, que o vinho é muito bom. Sou todo ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queres agora uma explicação? Pensei que me darias tempo para escrever. Daqui a uns dias enviava-te o texto pelo correio, ou até mesmo por mail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderemos continuar a falar disso enquanto bebemos uma garrafa de vinho extra. Tenta explicar-te, se é que te apetece fazê-lo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser. Pegamos cada um numa folha em que esteja escrito; a tua impressa recentemente e a minha dobrada e redobrada pelos intentos de condensar tal grande poema num poema de bolso, mais à mão para que se divulgue. Outro dia peguei nele no fim de uma noite, ou no início de um novo dia – nunca sei – e declamei-o com ênfase poética para os poucos que o ouviram. Talvez fosse o sentimento que dei à leitura que tivesse feito os presentes estremecer da espinha. Sim. Senti-o nos seus olhares, nos seus recordares fátuos dessa cena matinal, umas horas depois do sono de repouso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que alguém chegou a perceber. É que trabalhas com o tempo em regressão e não em progressão. Pelo menos é o que me parece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para trás a solidão do cais do porto;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para trás o vento forte e as ondas contra as pedras,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois vens com sequência certa desde o cair da tarde para a noite, generalizando no fim ao agora e sempre…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo uma grande confusão o que é agora e o que é o passado inerente ao texto, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então os meus intentos de não ligar nenhuma ao tempo enquanto conceito foram satisfeitos. Cada pessoa lê a regularidade que quer encontrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, meu caro, devo confessar que estou cada vez mais distante de algum potencial significado que o texto possa ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que já desististe da ideia de que possa tentar contar uma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, nunca o supus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu vou enfim contar-te a história. Presta atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As cidades adormecem à minha passagem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque seguia pela estrada a uma velocidade que me permitia passar por diversas cidades ao mesmo tempo. Não interessa mesmo se vou na estrada ou se é o pensamento que percorre o caminho. Será assim tão importante esse pormenor? O que importa é que a viagem me faz pensar, me faz observar o que me rodeia, dando-me os sentidos e a paisagem a ideia que &lt;em&gt;os mundo colapsam&lt;/em&gt;; diz-me o contexto que os mundos já estão mesmo em ruína, sem remédio que o possa fazer evitar; pelo menos é o que me diz a vida frenética que denoto no tráfico congestionado, rumo aos caixotes padronizados onde vivem pessoas, seres humanos como tu e eu. Para mim o fim dos mundos está sempre associado aos ventos secos, em tudo contrastantes com a humidade que se levanta no horizonte em neblina, mas em tudo confinantes com a enorme Lua cheia cor-de-rosa que precocemente se ergue por entre essa neblina, que se esforça por ter algum brilho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas onde estão os pormenores que revelam o eu que utilizas tanto na narração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa questão. Olha; &lt;em&gt;no Outono&lt;/em&gt;, por exemplo, que eu reconheço que me faz ter este tipo de visões catastróficas, enquanto época que tem um determinado clima, uma determinada luminosidade que conduz dessa forma o meu pensamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teu olhar para uma deusa piedosa…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me disse de chofre que o poema era bonito, era giro, sem mais nada acrescentar, sem mais nada que dizer ou que denunciasse que as palavras a tinham atingido, uma vez que era a ela, só a ela que se dirigiam. Depois vem a Lua cheia cor-de-rosa de que te falei há pouco, que está sempre associada à deusa, que me faz despertar o que nela mais adoro enquanto humilde devoto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhaste a Lua e deixaste que o teu pensamento partisse à vontade, rumo à &lt;em&gt;deusa piedosa&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. E mais longe também, para um passado recente ou longínquo; não importa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um cais do porto&lt;/em&gt; que aponta para uma viagem, talvez uma despedida entre duas pessoas, antes do &lt;em&gt;barco&lt;/em&gt; partir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por certo uma despedida, porque depois se segue &lt;em&gt;a solidão&lt;/em&gt; e o reinventar do &lt;em&gt;barco que parte&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. &lt;em&gt;A solidão&lt;/em&gt; já está logo na primeira estrofe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solidão está sempre presente, ou então está presente nesse momento em que se escutam o vento e as ondas que este provoca. Acertaste na interpretação da despedida, expressa então na &lt;em&gt;solidão do olhar&lt;/em&gt; e no julgamento de uma &lt;em&gt;piedade inusitada&lt;/em&gt; em resposta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Nunca tive a certeza de que seria de facto um olhar de piedade, podendo ser também um olhar de solidão. Nessa medida a pena seria minha, que assim estava a observar o seu olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que ficamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que te apetecer. O desfecho será sempre o do &lt;em&gt;barco que parte&lt;/em&gt;; o de duas almas que se despedem, cada uma da sua forma; da forma que é inerente à sua personalidade e o acaso nasce do facto que duas personalidades se vão moldando ao longo dos tempos, não são fruto só daquele momento em que se confrontam, daquele momento suspenso no poema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos pela inevitabilidade de se terem de separar. Depois fico em suspenso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu fiquei, naquele &lt;em&gt;cais solitário&lt;/em&gt;. Quando se reinventa em demasia a história do &lt;em&gt;barco que parte&lt;/em&gt; começa-se a prestar mais atenção aos pormenores. &lt;em&gt;As turbinas&lt;/em&gt;, por exemplo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então faz-se noite e tu continuas a reinventar o &lt;em&gt;barco que parte&lt;/em&gt;, no &lt;em&gt;cais solitário&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. De quando em vez presto atenção a alguns sons que me rodeiam no espaço, mas penso que são &lt;em&gt;canhões&lt;/em&gt;, talvez pela agressividade com que se apresentam. Olho o céu, como que em movimento brusco de desespero, de rápido despertar daquela letargia que me afasta de todos os cenários que não o do &lt;em&gt;cais solitário&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;As estrelas&lt;/em&gt; estavam estilhaçadas. Deveriam ser os &lt;em&gt;canhões &lt;/em&gt;que provocavam tais estragos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o céu estava limpo. Possivelmente não tinha Lua cheia, para se verem tão bem as estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tínhamos entrado na noite profunda. Por aí não me apanhas. Eu tinha-te dito que a Lua cheia cor-de-rosa tinha nascido precocemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tens razão. Espera aí. Não tens nada razão, uma vez que a seguir vem &lt;em&gt;o silêncio cinzento&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito mais à frente e como já te disse o tempo não interessa para nada. Já pensaste que possivelmente toda essa noite já se passa num futuro relativamente ao final da tarde em que &lt;em&gt;as cidades adormeciam&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim tudo será uma metáfora! A &lt;em&gt;noite &lt;/em&gt;como trevas, ainda que com alguns luzeiros; a manhã &lt;em&gt;cinzenta&lt;/em&gt;, depois de uma &lt;em&gt;noite&lt;/em&gt; fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito fria. Uma noite que durou uma eternidade ou que dura ainda, sempre que a Lua nasce no horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora baralhaste-me. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaste logo para a manhã e esqueceste-te das duas perguntas fundamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a existência é fundamental para ti, meu caro? Sempre é um conceito, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro. Mas eu retalio com a ideia que a pergunta é que é importante, não o conceito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tens em conta esse conceito, não só a pergunta; logo de seguida olhas para ti. Para a tua existência, para o teu corpo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ouço &lt;em&gt;o grito das estrelas estilhaçadas&lt;/em&gt; como não ouço o &lt;em&gt;barco&lt;/em&gt; que partiu, como não ouço a &lt;em&gt;deusa piedosa&lt;/em&gt; desde a despedida, no &lt;em&gt;cais solitário&lt;/em&gt;, como não me ouço a mim. Do não me ouvir para a dúvida de se existo ou não, vai um passo, vai uma pergunta e a pergunta exige alguma confirmação. Que confirmação obtenho pelos sentidos; &lt;em&gt;umas botas arrumadas a um canto do meu corpo&lt;/em&gt;, talvez lembrando o trabalho que se vai cumprindo, como a lama que corre pelo leito do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um cais de porto num rio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim porque não é &lt;em&gt;a chuva&lt;/em&gt; que &lt;em&gt;traz a lama&lt;/em&gt;; antes a provoca, trazendo-a um outro qualquer mecanismo físico. Que melhor se não um rio; um rio perto do mar, onde se façam sentir as rebentações das ondas contra as pedras, as influências das marés que a Lua provoca. Depois o cenário catastrófico exposto mais uma vez na natureza morta do &lt;em&gt;pássaro que teima em não mais cantar&lt;/em&gt;, como se com o fim da música se acabassem também a vida, a força de viver pela beleza que parte. Daí a &lt;em&gt;Melancolia de não ter força&lt;/em&gt; para pensar de uma forma mais positiva o mundo em que se vive, o que me rodeia; &lt;em&gt;Melancolia de não ter força&lt;/em&gt; para sair do &lt;em&gt;cais do porto&lt;/em&gt; onde me coloquei, onde me deixei ficar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conclusão poderia ficar pela ideia fácil dos mundos que &lt;em&gt;colapsam agora e sempre&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então e onde ficaria a esperança na força que se sabe não ter, quando se sabe exactamente para que se precisa de força? Dando logo a resposta de seguida afirmando que se precisa de &lt;em&gt;força para limpar as botas&lt;/em&gt; e voltar a trabalhar com elas limpas, talvez noutro sítio sem lama, talvez noutros mundos que não os colapsados em que se vive. &lt;em&gt;Força para lutar contra os canhões&lt;/em&gt;, que são os ruídos que nos distraem do objectivo primordial de ser feliz; que nos &lt;em&gt;adormecem&lt;/em&gt; ao ritmo de &lt;em&gt;cidades&lt;/em&gt; inteiras de uma só vez. Porque também &lt;em&gt;as turbinas do barco&lt;/em&gt; que partiu eram &lt;em&gt;lentas&lt;/em&gt;, fazendo com que a imagem se retivesse mais facilmente, ecoasse mais facilmente a partir daí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que ainda lutes contra a &lt;em&gt;piedosa solidão do seu olhar&lt;/em&gt;. Quem é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo com esta garrafa extra bebida em amena cavaqueira me consegues estragar este final. Para ti poderá ser Helena de Tróia, para condizer com as solidões dos &lt;em&gt;cais de porto&lt;/em&gt;, seja lá o que isso for nesse local, porque de Helena já nada sabemos, a não ser que era bela e que, portanto, poderá personificar a beleza neste nosso fim de conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã terei outro final que te contar, como terei finais diferentes todos os dias em que me levantar pela manhã. Por falar nisso já é tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem por isso. Ainda não nos expulsaram do Restaurante e a noite ainda continua. São eternas as noites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não o são mais meu amigo, pelo mesmo para mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei da história da Helena; poderíamos fazer um poema em conjunto sobre isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não meu amigo. Amanhã tenho de calçar &lt;em&gt;as botas sujas de lama&lt;/em&gt;, arruma-las a &lt;em&gt;um canto do meu corpo&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;lutar contra os canhões&lt;/em&gt;, tendo ou não força para o fazer; tenho de ter ainda forças para lutar &lt;em&gt;contra as lentas turbinas das cidades adormecidas&lt;/em&gt;, que favorecem a solidão do olhar de Helena e ainda tenho a noite toda para exorcizar o seu olhar, como tenho ainda tempo de observar a Lua e de me deixar conduzir pelos sonhos, estando ainda acordado ou não. Tenho de arranjar – pelo meio de tudo isto – uma forma de sair do &lt;em&gt;cais solitário&lt;/em&gt; e tenho a firme certeza que não é continuando a noite toda a beber uns copos porque amanhã ainda estarei mais embrenhado no &lt;em&gt;cais solitário&lt;/em&gt;, mergulhado em &lt;em&gt;silêncios cinzentos&lt;/em&gt;, sem forças sequer para que lute contra a &lt;em&gt;melancolia&lt;/em&gt; que estes trazem consigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-178758084206535761?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/178758084206535761/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=178758084206535761' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/178758084206535761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/178758084206535761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/viagenscont_5533.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6251529290130883976</id><published>2010-04-15T12:28:00.000+01:00</published><updated>2010-04-15T12:28:42.149+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O poema&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cidades adormecem à minha passagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto os ventos secos trazem murmúrios dos mundos arruinados,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto os mundos colapsam ainda ao cair da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo no Outono!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu olhar de deusa piedosa já não suporto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu olhar, que se furta de admirar a lua, não reinvento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para trás, solidão do cais do porto;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para trás, vento forte,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ondas contra as pedras,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;solidão do olhar contra a tua piedade inusitada,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;solidão do cais do porto contra qualquer reinvenção de um barco que parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Turbinas movem lentamente os pensamentos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto os ventos secos trazem murmúrios dos mundos arruinados,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto os mundos colapsam ainda durante a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canhões que estilhaçam as estrelas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvem-se ao longe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grito das estrelas estilhaçadas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se ouvem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que não existem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que não existo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Botas sujas de lama arrumadas a um canto do meu corpo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto a chuva traz lama dos mundos arruinados,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto os mundos colapsam ainda pela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio cinzento que se move&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dançando com a chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pássaro que teima em não mais cantar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu silêncio melancólico de não ter força…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que salve os mundos! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que salve os mundos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Força para sair do cais solitário,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto que o rio traz dejectos dos mundo arruinados,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto os mundos colapsam agora e sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Força para limpar as botas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Força para existir lutando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;contra os canhões,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;contra as lentas turbinas das cidades adormecidas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;contra a piedosa solidão do teu olhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6251529290130883976?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6251529290130883976/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6251529290130883976' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6251529290130883976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6251529290130883976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/viagenscont_15.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4809581603670006192</id><published>2010-04-13T12:08:00.000+01:00</published><updated>2010-04-13T12:08:15.574+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Barcelona&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cadência lenta do comboio, das rodas metálicas a chocarem contra as folgas dos carris, dos amortecedores da carruagem que rangem regularmente, dos sopros dos travões que sibilam pontualmente. Tirando tudo isso é só silêncio que me rodeia, só deserto de gente. A luz intensa dos corredores que contrasta com as trevas profundas da rua e nem percebo se chegámos a passar alguma estação ou se pairamos na noite como um pássaro-comboio, como na história do Sepúlveda em que o mesmo pássaro se fica a pousar entre o nevoeiro. Talvez esteja a olhar sem ver; talvez esteja a viajar de outra forma, para além deste movimento físico, desta sensação de gravidade que é mais do que o mundo que gira a todo o momento. O meu corpo é mais que células ou será só muita energia que vagueia pelo espaço, que se dilui no ar artificial que sai dos ventiladores. Não se vê ninguém e posso voar sem ter fronteiras físicas e humanas que me parem a viagem, que me façam condensar de novo em células, em fibras, em músculo, nervos, órgãos, carne e sangue. Não vou à procura disso. Não quero ir à procura disso. Desta vez vou viajar sem que para já queira esses contactos, esses momentos de crescimento com os outros e para os outros. Terei tempo para tudo sendo que o tempo já deixou de existir; voltará daqui por cinco dias para me envelhecer de novo, para me marcar o ritmo da respiração, que agora é só energia como o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te ouço ao longe, não te vejo nem leio de perto e não preciso, porque também és energia, porque também te diluis no espaço e no tempo. Esse suspiro breve que ameaça acordar-me é tão só o choque das nossas correntes, quando te toco ao de leve nos ombros-energia, quando percorro alguns pontos luminosos de ti, mas sem luz; nem quentes nem frios; nem leves nem pesados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo de sombras em que te apresentaste, como leitora de alcofa oitocentista, de palidez dissimulada por raios de sol beneméritos. O coração que pula como se nascesse, como se tudo fosse novo em meu redor. A brutalidade de sentimentos formais tocados pela sombra com que as nuvens cobrem o mundo matam este momento, permitindo alguma breve troca de impressões sem nexo, perdidas na imensidão de todas as probabilidades de realidades futuras e consequentes de um Presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;desayuno&lt;/em&gt; pela manhã com um companheiro português a reforçar o café com leite por três vezes. A sala-vagão de aparência luxuosa, de um verde sóbrio como se a esperança tivesse o travo amargo do café com leite que aqui se bebe. Percebo que não oferece a mais ninguém e aproveito a cumplicidade demonstrada – talvez por qualquer noção patriótica que não demonstra aos seus colegas espanhóis e de que estou a gostar – para que me oriente em Madrid. Informa-me das ligações entre transportes, das linhas em devo apanhar os ditos, do tempo de espera e dos procedimentos. Retoma os seus afazeres, para com a família feliz que chega e se senta com uns &lt;em&gt;Buenos dias&lt;/em&gt;. Desaparece mais tarde sem que o torne a ver para agradecer e talvez fosse só um dos anjos que me protegem, me vigiam e me guardam. Foi a primeira pessoa que conheci nesta viagem e nem soube o seu nome. Não é preciso, passa a ser o tipo dos “três serviços de café com leite”; o tipo incaracterístico que não me contou nada da sua história, nem eu da minha disse uma palavra. Imagem pouco animadora da viagem que se quer frutífera em conhecimentos, sobretudo da experiência dos outros que comigo se cruzam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo do limbo e da digestão do pequeno-almoço farto e dou contigo a vaguear pela carruagem, sem que estivesses perto, sem que sentisse o teu cheiro a sono. No entanto, estás perto e quase sinto o calor que sai dos teus poros em vagas que acompanham a respiração. Talvez estejas apenas sentada num banco em frente, repousando o pensamento na paisagem árida, na planície imensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pele de aparência macia e suave com que surges no segundo encontro, talvez pela sua ocasionalidade, talvez porque tenhas sempre esse ar primaveril de frutas coloridas e sumarentas, de festa dos sentidos em Natureza transbordante de vida. Será o sol que te ilumina o sorriso dessa forma ou será o teu sorriso que dá ao sol o brilho que tem nesta tarde, no ecoar dessa imagem que fará parte de mim, a partir deste momento? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além da simpatia, hoje temos um novo silêncio familiar, uma breve troca de impressões sobre o novo livro que devoras. Fala de paisagens europeias, que me aborrecem pela dose de civilização que contêm; de personagens perdidos em mundos interiores, como se o mundo fosse tão vasto e ao mesmo tempo tão concentrado numa única natureza humana. Não quero saber o que dizem, mas como os lês, como os interpretas; para que mundo te transportam, de que cores é ele feito e, afinal, de que forma consolidam essa frieza inabalável que te compõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas que cruzam comigo nas carruagens, as pessoas que vão à minha frente e ao meu lado alimentam uma imagem negativa, transposta para todos os castelhanos e sinto falta dos meus irmão galegos, bascos e catalães. Talvez seja apenas a falta das paisagens emocionais, com eles partilhadas longe da planura da Meseta Sul, longe da regularidade do relevo e do pensamento destes imperialistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto também falta do teu telefonema, das nossas conversas ocasionais, das nossas conversas que não fazem bem nenhum aos dois. Sinto falta pelo teu timbre doce de voz como se me afagasses o cabelo enquanto falas, como se toda tu fosses só ternura, apesar da distância que impões aos nossos contactos; sinto falta pela atenção que me dás quando ouves, do cuidado que tens quando falas; quando, sem pretensão, me ensinas o teu mundo que vou aprendendo aos poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente concluímos que as nossas vidas se cruzaram no momento errado, no contexto mais desadequado. Então pensamos de que serve termo-nos conhecido, se quando nos encontramos as conversas ocasionais tem um peso relativo, apenas atribuído pelas mesmas sensações que damos um ao outro. O sorriso expresso de quem se sente bem com a presença do outro; o mesmo bater de coração que essa presença traz consigo; os mesmos sentimentos que nos fazem apenas recuar mais e mais, de não nos concebermos de outra forma, que não a de amantes e disso, nem falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento em espiral em que torno a cair, mesmo estando longe de ti, leva a que me levante, que percorra os vagões de gente que olha desconfiada. Leio o jornal no vagão-bar e arrisco falar de política com quem está ao lado, em jeito de perguntas sobre um artigo que resume a mais recente questão do país Basco. Respostas breves e fugidias, tocadas pelo medo esclarecido do personagem, que logo fogo afirmando não ter trazido os óculos. O medo é de facto um inimigo poderoso e pergunto-me de que terás tu medo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque tens tu tanto medo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos longe um do outro, para que todo esse medo se justifique, temos mundos demasiado distantes. No entanto, a proximidade da tua voz traz o doce timbre de carícias sussurradas ao de leve, junto à face, ao ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora quero só fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na carruagem tipo comboios pendulares – que aqui chamar-se-ão qualquer outra coisa – ecrãs espalhados pelo tecto do corredor, que espelham o símbolo da companhia de transporte, por vezes os mapas com o itinerário, com as horas reais, as horas previstas de chegada às estações, a velocidade e a temperatura. Será de remontar o texto às estações de caminhos-de-ferro que parecem os nossos aeroportos. Lembro-me dos meus irmãos outra vez; do meu irmão Lois, que diz que vivo na Tanzânia. De facto, as coisas aqui funcionam com outro grau civilizacional, o que não quer dizer que tenham a piada das nossas coisas. Penso que os espanhóis vivem para trabalhar e nós trabalhamos para ir vivendo. É toda uma diferença que se nota nos produtos, no modo de vida, na arquitectura das cidades, nas caras todas iguais dos passantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Saragoza entram duas nórdicas, que ficam a fazer companhia à inglesa que está ao meu lado. Nenhuma fala e não sei se dará para conversar nas próximas três horas, nas derradeiras últimas horas da viagem solitária marcada pela falta de contactos. Limito-me a jogar ao jogo do “descobre a nacionalidade das pessoas”. Para melhorar sai um filme, logicamente dobrado em castelhano e a paisagem, monótona até agora, torna-se mais acidentada. Azar; vêm os túneis e os taludes, que só me deixam olhar de novo para a carruagem e seus ocupantes. Quero os comboios regionais do meu país, para poder fumar na esquina mais próxima e não ter de atravessar o comboio todo para o fazer; ouvir militares a berrar as suas aventuras; ver idosos com os seus sacos de batatas e galinhas que levam para a cidade, para os filhos urbanocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos aos figurantes. Em frente o casal idoso espanhol; ele dorme de vez em quando e mantém-se em silêncio o tempo todo; ela lê a revista de gente famosa durante todas as horas da longa viagem e deve ler lentamente, caso contrário já teria acabado. A este ritmo o &lt;em&gt;Guerra e Paz&lt;/em&gt; do Tolstoi durava-lhe a vida inteira. A restante maioria é constituída por castelhanos de cabeça erguida, a olhar o filme sem expressão alguma – o que não dá para entender uma vez que se trata de uma comédia. As nórdicas, que descubro serem holandesas, colocam os auriculares duvidando eu que cheguem a perceber castelhano. Chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus lábios. Sim. Os teus lábios e o teu sabor a nada porque nada sei sobre o seu sabor. A paisagem árida a toda a volta e os teus lábios secos pelo calor da estação. O céu azul agora e fico por aqui; porque acho que não tens muito de azul, mas muito de verde. Nada contra o azul, que é a minha cor favorita, mas tu tens muito de verde, não sendo dos olhos, ou da roupa, ou da pele. Talvez a alma seja verde; talvez a forma como olho para ti seja verde, por saber as tuas origens amazónicas, por saber desse Minho onde vives.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das holandesas lê um livro que diz nas costas “lost your virginity?” e rio-me por achar ridículo que as pessoas leiam sobre esses assuntos, como um católico vai à bíblia para aprender como se faz bem ao próximo. Então e sentir as coisas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então e ser simplesmente natural? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correndo o risco, obviamente, de que nem tudo corra bem, que não façamos sempre o bem sem que não nos magoemos de quando em vez. A vida será mesmo feita disso, de riscos. Quando aprendemos a andar temos de cair para sabermos que é melhor não correr; quando aprendemos a viver, talvez infelizmente, temos de nos dar mal, de vez em quando para que aprendamos o que é o mal, como o poderemos evitar, escapar sempre que nos encarar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afundo-me no pensamento de que não te conheço, de que não te deste a conhecer e que se calhar eu também não. Vou ler mais um pouco, ouvir música clássica no canal 3 e esperar, pensar um pouco nisso de não te conhecer, do querer conhecer, no pensar se quero realmente arriscar conhecer. Sim. Também tenho medo, desde que caí a primeira vez ao andar e parti a cabeça, facto que me deu a cicatriz por cima da sobrancelha esquerda. O chão do comboio é de alcatifa verde e azul e voltamos às cores, ao assunto de que não te conheço, de que te quero muito conhecer, que não te posso conhecer como eu quero, correndo riscos de cair, de me ferir, de te ferir a ti também. Barcelona dista a duas horas e tu estás longe, mais do que todos os quilómetros que nos separam, muito mais que toda a distância física real. Não aceito muito bem o facto de ganhar uma amiga e de não a poder amar livremente. Não posso falar de defeitos que não conheço, mas que sei existirem; de virtudes que apenas adivinho, por entre os breves segundos que me foram dados ao teu lado, ou a falar contigo. Posso falar apenas do que penso e do que vou sentindo; ou melhor, nem disso posso escrever e o pensamento, que é livre a todo o momento, torna-se um carrasco da vontade, remetendo-me para o monge que na cela do seu convento se auto-flagela, em noites como a que tive ontem ao adormecer; em manhãs como a de hoje em que surgiste com mais força de presença do que em qualquer outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria continuar a escrever a história que já tinha começado, mas nessa história não entra Barcelona, só tu. Na história de Barcelona estás tu também, mas esta história é só para ti, nem chegando a ser história, sendo só mais uma viagem, com a companhia do pensamento de ti. Esse, está sempre aqui, mas por agora não me apetece escrever mais, pisar mais as vontades com palavras incertas. Vou fazer uma pausa e tu deves estar agora cansada, a trabalhar ou prestes a almoçar, longe da minha viagem e comigo ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto da viagem até Barcelona, com a paisagem muito idêntica à nossa, à Estremadura onde nasci e vivo. O mar dá-me sono e denuncia o cansaço da viagem, que acaba por vencer e que se transforma num sono solto até à estação de &lt;em&gt;Saints&lt;/em&gt;. O ritual do &lt;em&gt;viajero&lt;/em&gt; típico que segue para o Metro, até à praça mais próxima, até ao primeiro Centro de Informações e para as respectivas informadoras; desta vez, uma simpática e outra nem tanto. Metro de novo, até aos bairros centrais da cidade, onde se localizam os albergues da juventude. Percebo que não sou tão jovem, mas que há sempre alguém que não o é e que continua a insistir; é o meu caso e tenho de viver com o que sou. Percebo ainda que a cidade é bem mais cara do que tinham falado. À saída do Metro duas italianas perguntam se quero quarto por 20 €, o que eu recuso por estar confiante de que consigo mais barato, ou que alguém me dará guarida, pessoas simpáticas, como estas que me tentam cobrar dinheiro. Ao fim de uma breve volta pelo Bairro Gótico e Cidade Velha; por uma dezena de albergues e outra dezena de hostais, corro desesperado à procura das duas italianas do Metro. Pois bem. Por ali ficaremos na casa de duas italianas, um argentino, com franceses e alemães também lá albergados. Já é uma boa mistura. O argentino, que é o ocupante mais regular da casa ou mesmo o seu dono, é artista plástico e a casa está coberta de arte por todos os cantos. Quadros de estilo próprio de que gosto em algumas telas, não chegando a ter conhecimentos para avaliar se é bom ou não. Está-se bem por aqui e é quanto baste para uma noite e decido ir amanhã cedo até ao Parque de Campismo dos arredores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo dia ainda dá para correr o Bairro Gótico com mais atenção e umas exposições e Museus que existem por todo o lado. Em &lt;em&gt;Las Ramblas&lt;/em&gt; encontro uma Avenida cheia de artistas de rua e percebo que todos os habitantes de Barcelona devem ser artistas de rua, ou de casa sendo só importante que sejam artistas. A cidade quente e húmida cheia de luz e praças enormes, cheia de gente por todos os lados e, definitivamente, isto é Europa, é mundo inteiro, é tudo menos Espanha, tudo menos fronteiras políticas, tudo menos fronteiras de ideias e conceitos. A cidade quente e o Mediterrâneo à noite, o quarto minguante e o porquê da Lua e Estrelas do Miró. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por aqui à noite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, estou por aqui, olhando o mar próximo, pelo que as luzes da marginal permitem ver. Afinal, tenho férias aqui por estes locais, por este mar revolto que me cospe sal quando a ele me chego. Não te esperava encontrar, nem agora, nem quando saí de casa com o intento de calar o pensamento com o barulho das ondas, com o frio da costa, com a multidão que percorre o passeio não se atrevendo a descer à areia. Mas chegaste, como se o destino teimasse em gozar connosco, em nos colocar lado a lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou a passear com a família e pareceu-me que te via aqui na areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sorrias assim, como tu toda fosses felicidade por me ver, como se tu toda fosses a luz que eu evitava, aqui, pelo meio da penumbra. Segue para perto da tua família e não olhes sequer para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás à espera de alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De ti. Daqui para a frente, a vida toda, se para isso tiver forças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser da noite ou da aragem que o mar transforma em cheiro a sal que todos precisamos para a vida; deve ser de o poder dizer frontalmente sem que ninguém interrompa, sem que ninguém ouça tal barbaridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim estou; agora que falei contigo, que te consegui surpreender com palavras, talvez mais fortes que as dessa ficção de que falavas há pouco. Quero silêncio agora. Quero que te vás e que não me voltes a olhar na cara, se não te apetecer mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Encontramo-nos amanhã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando quiseres. Talvez precises que te explique melhor a loucura que disse à instantes; talvez precises de esclarecer toda a confusão que julgas que tenho no meu pensamento, desconhecendo que nunca estive tão lúcido, que nunca vi nada de uma forma tão clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sono pesado e o madrugar para que corra para o parque, logo perceber que errei, porque dois parques estão cheios e o que não está é mais caro que o quarto de onde saí. Como não admito logo os meus erros e o desespero congela o pensamento lógico, decido ficar por uma noite. Volto à cidade e percorro freneticamente todas as exposições em que consigo entrar, tudo o que me é dado a ver. Na primeira exposição esbarro contigo; com o mundo da América do Sul, com as estátuas e objectos de época Pré-columbiana e logo associo as imagens às tuas origens. Salto depois de exposição em exposição, atordoado pelo pensamento de ti, até à hora do autocarro do fim do dia para o Parque de Campismo. Uma pizza fina como fiambre, italianos barulhentos por todo o lado, achando eu que o problema é mesmo da língua que falam e não dos decibéis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sono de rastos e um acordar de noite para que veja o Sol a nascer no mar; uma visão diferente, uma visão arco-íris para começar bem o dia. Uma praia suja como toda a Barcelona o é, por ser o sítio onde todos se sentem livres para fazer o que não fazem nos seus países. Daí parecer um pouco com o Cairo, mesmo com os edifícios de arquitectura colonial, com o calor húmido, que deve ser mais do tipo Alexandria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto à cidade e ao mundo louco, pela última vez ando com os sacos de um lado para o outro, espero eu. Volto a casa do Fernando argentino onde todos os espaços de chão estão ocupados. Uma breve viagem ao vizinho de cima que se encontra nas mesmas condições, mas que tem uma erva plantada no terraço cujo aroma ecoará na minha cabeça pela tarde fora. A cidade que aos poucos se vai mostrando em mais e mais exposições, depois do almoço no &lt;em&gt;Mercat de St. Josep&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte e chocolate no museu a isso dedicado, mais artistas de rua, igrejas góticas e uma tentativa de assalto no Metro. Fico furioso quando isto acontece; quando os seres humanos me lembram que podem ser maus, muito maus, para além da bondade que também sabem inventar. Toda a Barcelona transpira humidade, como respira a maldade, a guerra, a fome e doenças. Afinal é um sítio como os outros, ou os humanos é que acabam por ser iguais em todo o lado. Só mais um Museu, mas que agora é o Museu Miró; um dos pintores que tenho de exorcizar nesta viagem, juntamente contigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já está. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Lua e as Estrelas; a cor e a simplicidade do traço de criança, de adulto que nunca deixou de ser criança; a infantilidade que nunca quis perder como tu queres perder a tua; os pássaros a voarem em todo os seus quadros e as mulheres também. As paixões escondidas em pinceladas de azul, rosa e amarelo vivos. Espera aí. Encontro um deserto árido e descubro que todos os homens têm também um. Ainda bem que não sou o único que tem um deserto como o Miró, uma Lua como o Lorca, uma Gala como o Dali. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí vem o Dali e a sua Gala e o seu amor eterno, como eu sei que o nosso não será. Vem o Dali e o Surrealismo, o Miró e uma máquina de pintar tocada por pedais e rodas dentadas, fazendo o barulho metálico característico. Gosto de música industrial e gosto de uma instalação que só fala de toda a merda humana, como se esta coubesse no mesmo e exíguo espaço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva a Anarquia e o Bakunine, numa exposição em que me deixo sonhar a tão bela utopia, em que tenho a liberdade de te incluir nesse sonho ainda que por breves instantes. Vem para este lado onde posso ser só o amor que te quero dar e que retenho desde o primeiro dia em que te vi. Vem, se levares a sério o cenário; se me levares a sério, não sendo a isso obrigada. Também não me levaste a sério quando te disse que te queria fotografar e isso ainda me custa a engolir enquanto percorro as paredes cheias de fotos, quando percebo que a tua imagem seria bem mais importante que muitas que ali estão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso-me sentar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que sim. É algo de obrigatório desde ontem à noite; desde que te disse que seria tudo para ti, quando deveria ter calado esse pensamento absurdo, ainda que óbvio, ainda que comum a nós os dois. Um chá e uma conversa sobre o fim do livro que acabaste de ler esta noite. Apaziguas assim o meu espírito sedento de saber o que tinham as palavras provocado em ti e, aparentemente, a frieza de que és feita se sobrepõe a todo o querer, a todo o pensar querer. Talvez porque te encontres noutro plano de existência diferente daquele em que me encontro, talvez porque o que te rodeia seja mais forte que toda a vontade, fale mais alto do que a voz que te diz que seria bom cair nos meus braços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou fazer uma viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem porquê algum, nem um pedido de pormenores. O chá chega finalmente e sorves o teu silêncio, o teu apaziguar de espírito. Eu não o consigo fazer e por isso viajo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fazes bem. Adoraria viajar contigo, mas não posso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evidência mais uma vez. O peso do que nos é exterior, como se a nossa vontade não fosse nada, como se o tempo aqui se acabasse num ponto final de uma mera observação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou a parir arte por todos os poros e preciso descansar na casa de um outro argentino, que vive em frente do Fernando, onde estão duas brasileiras e uma venezuelana. Os teus olhos andam por aí outra vez, mas desta vez noutro rosto que apenas os denuncia, num conjunto de outro sorriso com outro piercing. Não deixam de ser os teus olhos, ou os olhos de alguém que me conduzem aos teus, sempre aos teus, que como dois fantasmas me perseguem, a ler livros intermináveis, de insondáveis desejos, temores e horrores. E pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De novo estou nos teus olhos, na tua característica física mais marcante, por falar mais do que a tua boca ou qualquer outra parte do teu corpo; por se exprimirem sem poder fugir, mentir ou ocultar a verdade. Muito calor e pouca vontade de dormir. Calor, que o teu corpo tinha quando demos o beijo de despedida junto ao autocarro em que iniciei a minha viagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sorrias que o tempo não será de sorrisos, agora que me afasto da tua beleza interior e exterior, agora que me despeço da tua imagem, que sei que nunca mais me vai ser dada a olhar desta forma apaixonada. Serei apenas o bom amigo; o distante bom amigo, preso a um tão grande desconforto de ter de o ser, de ter de aparecer quando necessário, cedendo um pouco do ombro, do tempo e da atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouca vontade de dormir porque as três miúdas estão a fazer uma noitada de trabalho, a fazer bonecos em espuma e num material sintético qualquer, porque estou a escrever sem parar desde que me sentei, como se esta oportunidade fosse única e eu tivesse de a aproveitar, mesmo sem me sentir muito inspirado. Acho que estou com uma overdose de inspiração, de digestão lenta, que vou ter de deglutir nos próximos dias, semanas, meses, até ver os teus olhos de novo à minha frente, até sentir o teu calor de novo, até que fale tudo o que não estou a escrever, até que me fales do que andas a ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na exposição da &lt;em&gt;Anarquia, a Utopia mais bela&lt;/em&gt;, aprendi a amar-te por entre estranhas imagens, estranhos mundos fictícios, povoados de personagens igualmente estranhas, mas tudo humano, tudo docemente humano. Nada que exista realmente, a não ser no papel, a não ser nas mentes que os criaram e nos sonhos de quem as vê. Aprendi a amar-te e não te posso ensinar como o deves fazer, tendo de seres tu a aprender, havendo também a possibilidade de não conseguires, de não querer, de conseguires não querer. Agora que aprendi a amar-te já conheço o meio de não me irritares, já conheço a forma de não ter mais apertos de estômago, de alma cada vez que penso em ti, nas tuas palavras, nos teus olhos doces e verdadeiros. Não me importa que figures em tantas páginas do meu caderno e não me importa que figures em todas as páginas que eu escreva daqui adiante. Sou livre outra vez e amo-te livremente, até que volte a Portugal e tu me prendas essa liberdade de novo, se fores capaz de o fazer. Amanhã, no entanto, é outro dia e como já sei que tenho uma poltrona num estúdio à minha espera, posso descansar na ideia que não vou ficar muito tempo sem te escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo cão e a procura do mundo maravilhosamente sustentável. O Fórum de Barcelona para um dia todo e será de facto pouco tempo, para aproveitar uma coisa tão ampla a nível de imagens, exposições, ideias e espaços. Comecemos então pelo início. O caminho até à outra ponta da cidade leva-me também até ti pela miúda que me olha fixamente – devo ter um ar estranho – e que tem uma t-shirt a dizer &lt;em&gt;Brazil&lt;/em&gt;, com as cores da bandeira. Percebo ao longo da viagem que a mãe deve ser brasileira, mas que fala com ela em &lt;em&gt;Catalá&lt;/em&gt;, pelo que já devem estar radicadas aqui há algum tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego e corro o dia inteiro pelo recinto tão grande para tão pouco tempo; tempo que nesta cidade se está a acabar. O mundo de crescimento sustentável, que podemos criar e o mundo actualmente; as guerras, as fomes, as milhentas hipocrisias que as alimentam, como fronteiras, políticas, aversão aos outros, às suas características e diferenças culturais e raciais. Enfim, o costume, mas o costume que me é apresentado em doses massivas que me levam a rebentar em lágrimas ao fim de uma hora. Este foi o acontecimento do dia. Chorei sendo muito raro fazê-lo. Fiquei só a pensar no porquê de o fazer, nas imagens e sons que despoletaram tal estado de espírito, no tudo o que estava e está para além disso que vi e que me fez rebentar. Sem muito tempo para pensar nisso vou absorvendo ideias e mais ideias, como se a minha cabeça não fervilhasse já de uma mão cheia delas. Centremo-nos na base descritiva da viagem e de ti nessa viagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sonhos daqui são apenas a imagem e sensação da tua pele lisa e macia, como o lençol que me cobre parcialmente e que está aqui, misturada com o ar quente da noite, a luminosidade fraca da casa, a atmosfera carregada de humidade, como a respiração que me diz que tenho sono. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vemo-nos por aí, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inevitavelmente sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Telefono-te depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prefiro que me escrevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrarás assim na viagem que começa, na longa viagem que me afasta de ti fisicamente. Mas ainda telefonarás para o comboio, antes de eu entrar em Espanha e de cortar contacto com o mundo próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Última noite no sofá verde velho, da casa ampla e igualmente velha da &lt;em&gt;Carré&lt;/em&gt; Bani Nous, n.º8. As brasileiras passam sem meter conversa e sigo o exemplo, por estar demasiado cansado para pensar em ideias de conversa simpática. Hoje o dia foi dedicado à arquitectura, ao Picasso e ao Dali. O melhor fica sempre para o fim, para que deixe a sensação de ser pouco, ser sempre pouco. Preferia viver aqui um ano inteiro, ir conhecendo a cidade ao ritmo que ela própria impunha e não ao ritmo que o turismo ocidental e capitalista nos dá. Amanhã há que ir embora, há que trabalhar de dia, descansar de noite, ir de fim-de-semana, ver a família, encontrar os amigos, ter todos os rituais quotidianos bem programados, ritmados, monótonos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo dia do fim da viagem percorro o Parque Güell onde a natureza e a arquitectura se diluem em harmonia, como os acordes que um flautista toca por entre arcadas de paz, de demasiada paz, que não equivale à minha inquietude, o meu vazio incómodo, para que surjam os pensamentos conturbados que me trazes. Uma italiana solitária troca fotos comigo; que é como quem diz, troca uma foto que me tira, por outra que lhe tiro a ela. O jogo eterno de precisarmos sempre de alguém, de não podermos ser sós, vaguear pelo mundo como se tudo fosse criado por um ser supremo só para nós, ilustres contempladores da criação. Mais um pouco de Dali, logo a seguir à suposta última exposição, para descansar de uma cansativa arte contemporânea demasiado simbólica, demasiado etérea para que a compreenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, estás muito longe da fronteira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não muito, por certo, mas é noite e não sei dizer. Estou-te a escrever uma carta e pedes-me que seja apenas esta, que não o faça mais, que deixe repousar a ideia que nos conhecemos um dia, no esquecimento progressivo dos dias. É sempre mais fácil trazer à voz palavras definitivas quando não se tem a visão física da pessoa que recebe a mensagem. Percebo que o &lt;em&gt;Até logo&lt;/em&gt; se torna um &lt;em&gt;Adeus&lt;/em&gt;, que eu evitava, apesar de ser a sombra que me obstruía a mente desde que te deixei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cai a chamada, pela fronteira que se aproxima, ou pela mesma vontade sobre-humana que nos fez encontrar durante este Verão, seco e cada vez mais eterno, como se a sensação de vazio que a leve aragem traz consigo se fosse perpetuar por muito e muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vazio imenso de me ir embora, de pôr termo a esta viagem, contigo no pensamento, de voltar ao cenário regular que me espera inevitavelmente. Posso apenas acabar em grande, pairando sobre um mar de nuvens, que talvez seja o meu habitat mais natural; por me dar distância de tudo a que quero fugir e que está lá em baixo; por me dar a doce sensação de que tenho coragem para estar longe, longe da triste realidade de que não tenho coragem alguma. Só me agarro à força de querer respirar, de querer aprender com todas as coisas que me rodeiam, com as pessoas com quem consigo coabitar, como tu, por exemplo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica um grande bocado de mim para trás, talvez fique também a forma como andei a aprender a amar-te. Talvez fiques tu toda lá atrás, como parece denunciar o telefone desligado, o teu mundo cada vez mais desligado do meu. Lisboa já tem um vento frio que aparece por finais de Agosto. Já é noite e milhares de pontos luminosos, a darem alguma luz às trevas, são apenas espelhos da pequena luz que também sou. Entro assim no anonimato da vida citadina, onde nos poderemos evitar, mesmo dos acasos que por vezes acontecem. Entro no túnel do Metro e entro no fundo de mim e do meu novo ser, que vou ter de ir descobrindo. Mas tenho pena. Muita pena e nem sei do quê, e não sei de quem…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4809581603670006192?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4809581603670006192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4809581603670006192' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4809581603670006192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4809581603670006192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/viagenscont_13.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-1221971801716625503</id><published>2010-04-13T12:01:00.000+01:00</published><updated>2010-04-13T12:01:07.763+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O casamento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormes, profundamente acordado ou é apenas uma suave brisa de Verão que começou soprar, acordando o mundo todo cheio de luz. Vês-te no deserto de asfalto de um enorme estaleiro de obra, onde poucas árvores fazem jovens sombras, que mal dão para o cão do segurança quanto mais para o passante mais folgado. No interior dos edifícios-contentores respira-se o fresco ar, condicionado pelas máquinas eléctricas diversas que formam o colectivo estético de qualquer gabinete. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tenho coragem de ouvir bossas novas junto ao meu electrodoméstico, no meu cubículo de materiais sintéticos, no meu buraco ora escuro, ora claro, onde o ouço a marcar a continuidade infinita do tempo, ao contrário de um relógio que marca o tempo e o tempo morto, ambos de uma forma abrupta a que chamamos de tic-tac. Como se o hífen marcasse o som; marcasse a tão longínqua diferença, a tão próxima semelhança entre o tic e o tac, entre o ying e o yang. O Homem inventa a dualidade em qualquer sociedade de qualquer geografia e afinal somos também corpos compostos por um código binário intrínseco, que nos une, que nos torna a todos iguais, pese embora outras diferenças físicas que alguém poderá atender. Posso matar como praticar pacifismo; posso justificar as minhas escolhas de diferentes formas antagónicas, em diferentes contextos. Beber um copo em qualquer lado, pelo sentido do copo, do sentido do sol, da vida que dele transpira, haja ou não água, haja ou não companhia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa do Amor. Por causa do Amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os caminhos tornam-se bem definidos, em todos os locais, em todos os ecossistemas, com todos os entraves ao horizonte. A paisagem torna-se translúcida, inteligível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo por causa do Amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo torna-se verde e o espaço enorme entre a linha do horizonte e o limite do horizonte torna-se amarelo, pela saudade, fazendo dos portugueses os inventores da cor amarela, como o espírito humano que melhor se cultive neste jardim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de ser erva daninha, de viver entre ervas daninhas que só estão, que só cumprem a sua função de estar, até que alguém se lembre de as arrancar, para que floresçam noutros locais. Por vezes, os campos tornam-se um campo de ervas daninhas e é bonita tal uniformidade, essa consequente variedade selvagem que se inventa, para que alimente perpetuamente tudo, sem que se criem os regos, sem que se condicione o caminho da água, o alinhamento ortogonal da colheita. Quando tudo floresce dessa maneira desordenada o equilíbrio natural é cumprido em toda a sua plenitude; é cumprido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa do amor. Por causa do Amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esplanadas sobre o Sol, por entre amigos, combinando o futuro com pouca minúcia e sem grande preocupação. Espuma das cervejas misturada com a esperançosa espuma dos dias que se vai ouvindo no rádio. Os livros arrumados fisicamente num canto mas cuspidos em constantes jactos, em constantes explosões de poesia de coro à vida. Só anunciadores das boas novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo por causa do Amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirar fundo para observar o deserto em redor, para atender atentamente aos pormenores do cacto salvador, carregado de espinhos, de armas defensivas mais verdadeiras que as humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixam de existir pessoas pelos arruamentos dos estaleiros, até mesmo dentro dos gabinetes. Dou por mim sozinho num mundo vedado por placas metálicas. Tenho medo; confesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo do quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De ficar assim, sozinho no mundo, quando quero ter alguém com quem conversar, ou apenas ver, para que sinta a sua presença, a eventual necessidade de ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Socorro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Histérico. São só as férias antecipadas pelas férias do patrão. Hoje ninguém volta antes das seis, para picar o ponto, à saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto negro vai caindo sobre o horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porcaria de espectáculos naturalistas. Fora! Rua!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parto para a estrada quente no tempo quente, na aragem quente, no asfalto ardente das lentas saídas de Lisboa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também aqui o medo da escassez de pessoas, de carros que congestionem o trânsito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo talvez vá deixando de existir, consoante me aproximo da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ermo das nossas almas já se tornou menos acidentado, menos inacessível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero chegar a tempo. Quero chegar a tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo para te encontrar no ermo, mas por enquanto basta-me o teu cheiro no veículo de transporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está em todo lado e Afrodite contorce-se no Olimpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeus, coça-me as costas por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pequeno acidente rodoviário; inútil, inexistente para as estatísticas; para que acorde ligeiramente para a realidade dos acordos escritos entre as partes que não se conhecem. Pronto, já assinei. Já cumpri a minha parte de reafirmar que estou aqui perdido pelo meio deste oceano imenso. Posso continuar a viagem onde as pessoas deixam de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os carros deixam de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só existes tu e o teu veículo; a tua respiração lenta, que mal se ouve sobre a música melodiosa, porque a queres melodiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não ter pressa porque Afrodite espera-me. Tenho quase a certeza, que me espera. Mas quero ter pressa, para além das incertezas absolutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a certeza que não existe mais ninguém no mundo, neste preciso momento em que o acorde me faz lembrar Afrodite, a sua espera, que nem é uma espera desesperada. Não chega mesmo a ser uma espera; é uma certeza como eu não tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que posso pisar o acelerador para que chegue mais rapidamente ao sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias normais da casa onde ainda se aprende a viver, pese embora o cheiro estar já entranhado e não ser só e apenas aquele cheiro a novo. É o nosso cheiro que por aqui vagueia também, lutando contra o primeiro, para que um dia reine por toda a casa, por todos os espaços. O nosso cheiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conforto da tua presença nesses espaços que o nosso cheiro vai conquistando e podemos apenas respirar com calma os momentos em que poderemos estar a sós, no nosso tão singular silêncio. Amanhã virá o tumulto dos sons e das convenções sociais, para entremear a nossa felicidade extrema, que nem o relevo da serra mais próxima consegue conter. Mas hoje somos só nós com o nosso cheiro de silêncios perfumados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os silêncios fazem com que durmamos tão descansados quanto as formigas suspensas em nenúfares, do Lago Calmo Onde Nunca Houve A Mais Ligeira Ondulação. Pela manhã atracamos na Ilha de Manteiga Onde Vive o Homem Que Se Esqueceu Quem Era e caminhamos para a margem da Ilha onde nos decidimos casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ligamos às multidões que nos aplaudem à passagem do tapete vermelho, rumo às portas de um futuro que hoje não tem sombras; somos só nós para além de uma multidão de gente a quem não conseguimos dar a atenção desejada, como se pudesse tratar de um pesadelo em que reunimos a família e todos os amigos, sem que para eles possamos falar, estabelecer qualquer ligação, qualquer pequeno gesto de afectividade. Porque está tudo concentrado em nós e é assim que nós queremos que seja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos durante todo o dia e com toda a gente possível, para que os momentos se perpetuem, para que as multidões desapareçam, ficando só nós os dois, ficando os momentos em muito mais que um papel brilhante. Posso recordar o cheiro; posso recordar a sensação de te ter ao meu lado, de te poder beijar e consolidar de novo e de novo essas promessas que escrevemos num convite, que nos deram de volta num quadro para pendurar no quarto do amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora lembro apenas o cansaço do dia anterior e respiro a doce certeza de que continuamos iguais um para o outro e que nada se alterou, apesar do momento importante das condições oficiais firmadas em assinatura ter sido um marco que para sempre irá perdurar. Impregnámo-lo desse significado e com ele temos de viver. Noutros momentos mais difíceis temos imagens da felicidade para recordar, para delas beber as forças necessárias ao enfrentar de mais um dia. Iremos conseguir? Não o sabemos, mas conjugamos-lhe a certeza de que tentaremos os dois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguir-se-á a prol; a imortalidade da concretização social do milagre do termos coragem de estar juntos, de querermos estar juntos, de sonhar o início de um segmento de recta e nem sequer pensar na sua inevitável infinidade. Os corpos protegem-se mutuamente, tanto quanto as almas se unem numa nuvem de energia azul, dissolvida no imenso azul do céu. Afrodite manda florir os campos e Zeus lhes vai dando os sopros de vida e morte necessários ao equilíbrio natural do mundo terreno. Passamos a fronteira da realidade sem medo de termos de regressar, como sempre se volta ao ninho que nos viu nascer. Mas isso é apenas um estado de espírito; nós sabemo-lo; o caminho físico é sempre em frente que prossegue, com a vantagem de podermos olhar para trás para aprender que o sal não é mineral de secura, mas tempero de momentos vitais à continuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por agora tomamos o barco de cascas de frutos exótico e viajaremos até ao Éden verde, onde as nuvens beijam as montanhas, onde o Homem raramente se atreve a estar. A Ilha de Manteiga vai derretendo no Lago Calmo Onde Nunca Houve A Mais Ligeira Ondulação e o Homem Que Se Esqueceu Quem Era encontrou-se, observando um dos muitos pôr de Sol a que assistiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barco navega por entre o odor a fruta sumarenta e beijo enfim os teus lábios, seguro que estarão sempre por perto, para que me sussurrem os bons dias nos dias mais cinzentos, pelo meio das tempestades mais barulhentas. Agora é só o Sol; agora é só o calor e a leve brisa de Zeus e Afrodite percorrendo o tempo sem espaço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-1221971801716625503?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/1221971801716625503/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=1221971801716625503' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1221971801716625503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1221971801716625503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/viagenscont.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6204979515160255471</id><published>2010-04-12T11:45:00.000+01:00</published><updated>2010-04-12T11:45:01.624+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;A academia de Coimbra e o Polvo Galego&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;- análise embriagada de uma realidade, com umas pitadas de surrealismo possível face à mediocridade do momento&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem mora na minha cabeça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem mora na minha cabeça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sala com cinco homens e uma mulher que reúnem sobre o interesse e bens comuns à Academia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não moro na minha cabeça, já ninguém mora na minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos seis homens e uma mulher, agora que me deram hipótese de existir neste espaço, de poder ouvir os ditames dos titãs para o futuro dos cidadãos da democracia ateniense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala o Betinho, de popa de cabelo liso, de armas bem afinadas junto às cordas vocais de lindo pescoço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer participar os estudantes nas alterações que o processo de Bolonha vai implicar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Fazer um broche ao Reitor sempre que o pobre coitado disso precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) para isso está a mulher na reunião ou eu, se ela não quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres puderem assistir a reuniões é uma benesse da democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bonbom com recheio de merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala agora o Intelectual de óculos de aro grosso, que consegue dizer atrocidades ainda maiores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos canalizar a força das canções das tunas para adormecer os bebés no berço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sono profundo em que dormem. Já não é preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Eugénio Ingénuo quer acordar os bebés da sua inocência, na sua inocência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso fazer isto e mais aquilo e aqueloutro. É preciso... É PRECISO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso saber primeiro quem é que dorme com quem... diz imediatamente o estratega sexual da equipa, na sua convicção sexista do Universo político, do Universo em geral talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a menina, diz qualquer coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, posso dizer algumas e como podem ver consigo continuar a sorrir, dando-me um ar mais simpático, enquanto tenho ideias que vocês não vão ouvir. Pois não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Damos por encerrada a sessão, para que venha o espaço mais aberto e descontraído, em que falamos de trivialidades em pé – Fala por fim o rapaz que jazia calado no fundo do sofá, talvez o líder atento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então o que podemos fazer, grandioso líder, sol de todos nós? – Pergunta o Betinho em pânico, enquanto conserta a camisa aberta que mostra o peito depilado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O líder responde prontamente, mas antes ainda faz uma pega de caras a um touro, torcendo-lhe o pescoço porque não tem tempo de ir buscar a espada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então vamos fazer exactamente o que se passou aqui, transmitir essas ideias, que todos falaram, ao mundo inteiro desta academia gloriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De preferência aos primeiros tentáculos do polvo que se vai cozer. – Alerta o estratega, a desapertar o cinto e os óculos que desarranja no nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu posso ser um tentáculo, - responde o Tentáculo – eu quero ser um tentáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Agora podemos gozar um pouco com as bestas que nos vão servir de lacaios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto tanto de brincar aos príncipes e às princesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que giro! Eu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fixe! Estava farto de fazer cara séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A democracia é difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos de ser altruístas, alguém tem de o ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OK. Deixem continuar-me a coçar o queixo, a sorrir para o soalho de madeira e a achar que sou o melhor do mundo, por poder comandar uma equipa como a nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso pensar ainda nos frangos que vou depenar e comer na secretária de presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou mesmo bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O polvo galego é servido, cozido e cortado às postas, num prato achatado de madeira, com o fundo côncavo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O polvo vem regado de azeite do país e deve ser comido com voracidade, metendo ainda pão aos alqueires, molhado no azeite ou não, de acordo com as preferências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer Pulpería é normalmente acompanhado por vinho tinto de qualidade duvidosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O polvo académico é normalmente um prato cru e com bostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Servido numa universidade de madeira, com mentalidade achatada e de fundo côncavo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regado com vinagre, é normalmente comido com toda a calma do mundo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;podendo ser partilhado com uns minutos de trabalho sério por ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer Universidade é normalmente acompanhado com base ideológica &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de qualidade duvidosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual base ideológica? Estás parvo, hã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pessoal, pá. O pessoal tem é de se unir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meia dúzia de galinhas que se junta na capoeira. Presas à inevitabilidade de serem um dia comidas por uma Cátedra sobre a Gripe das Aves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São todos umas aves raras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os répteis também andam por aí. Vão comendo os recursos das universidades, para um dia as venderem como ovos podres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podre é este vinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6204979515160255471?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6204979515160255471/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6204979515160255471' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6204979515160255471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6204979515160255471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/viagens-cont_12.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-7883374323148785940</id><published>2010-04-12T11:43:00.002+01:00</published><updated>2010-04-12T11:43:45.107+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Cordão umbilical&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia inventei uma ciência. Fui comprar um cordão umbilical à drogaria dos meus pais e agarrei-me a ela, ou fui tecendo os nós do cordão de forma a que a união se aguentasse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cordão em si sempre foi um cordão simples, com uma carga genética para me alimentar o corpo e dar forma à alma, pelo menos à alma que conduziria à ciência, entretanto inventada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inventada ao longo de muitos anos, nas histórias das avós e bisavós, em momentos de lazer, que seriam muitos enquanto criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois um pai que me levava a passear pelas paisagens, que me levava a viajar, mesmo à noite, só sentado ou deitado num banco exterior à casa, olhando e medindo as estrelas. Não seriam muitas as respostas às perguntas e daí talvez haver a primazia do belo em toda a admiraçao do cenário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência ia-se pondo a descoberto nas palavras mais efusivas de um ou outro professor. Cada vez mais frequentes, cada vez mais importantes as mensagens, os métodos, a simpatia, a forma do discurso e a beleza da expressão também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma ciência global, que poderia ser aplicada em todo o mundo, em prol de todas as populações e no entanto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sonhos iam-se construindo nas insignificâncias da vida, que só renasceriam mais tarde, mesmo antes de começar a cortar o cordão. Lá chegaremos, à parte em que se corta o cordão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não é nenhuma metáfora ao cordão umbilical que me foi cortado à nascença, sendo que esse é comum a toda a gente e corta-se bem cedo, mas que perdura muito mais tempo. Estou a falar dos cordões umbilicais que se compram nas drogarias de nossos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência ia crescendo, enquanto se definia um método, um objecto e algumas perguntas por onde começar. O porquê de querer as respostas deveria ter sido o início. Isso sim; é que era pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cordão sempre foi difícil de manipular, talvez por serem demasiado rígidos os seus tecidos. Encontrei um grupo de amigos que também tinham inventado as suas ciências e ajudámo-nos , atando os cordões uns aos outros. Na confusão do trabalho fomos ficando com os cordões enleados uns nos outros, mas não nos importámos, achando até piada às circunstâncias e à falsa união que ali se estabelecia. Um mar de álcool tornou-se o líquido amniótico das fulcrais relações sociais. Tudo num saco demasiado grande, que começaria a rebentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém se lembra de cortar o cordão umbilical e, cada um na sua vez, vai cortando o seu. Cada um pelas suas razões, sem influência do próximo que já começou a cortar à uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivi com uma amiga que não tinha cordão umbilical já à muito, mas que se agarrava à ciência por outros meios que eu nunca consegui perceber. Um dia fui embora sem perceber e continuei a cortar o meu cordão, que era de corte difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecia aumentar de tamanho; quanto mais o cortava mais grosso ele se tornava e não interessam os utensílios que se usam, porque estamos a falar de cordões umbilicais e esses são fáceis de cortar. Basta querer. Eu queria cortar mas como não queria ficar sem ele, deixava-o crescer, sentado numa secretária a olha-lo à distância, por vezes a percorrer quilómetros de terra, procurando bocados de ciência, talvez pensando mesmo em pô-la em prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz uma tese sobre a minha ciência quando já o andava a cortar. Não quis chegar a Doutoramento e cortei-o definitivamente quando comecei a ter ideias sobre isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parar era MORRER, mas eu ainda tinha em conta esses conceitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vivo através da música, da minha escrita e de todas as coisas que me dão mais prazer que a ciência que encostei a um canto, deixando o cordão umbilical apodrecer numa esquina onde se ouvia tango argentino. Que outro tango poderia ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonei o cordão umbilical e fui para as bacantes, dando-me o prazer físico um incrível bem – estar e um esquecimento menos penoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci o cordão umbilical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci a Ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci-me de MORRER!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-7883374323148785940?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/7883374323148785940/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=7883374323148785940' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7883374323148785940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7883374323148785940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/04/viagens-cont.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-7323366950761211719</id><published>2010-02-18T11:47:00.001Z</published><updated>2010-02-18T11:47:53.864Z</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Férias de Verão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha acabado de lavar os dentes no lavatório ao lado do teu, onde estavas a limpar a pele e a por um creme hidratante. Dei-te um beijo fresco entre o pescoço e o ombro, que é o sítio do corpo humano que mais gosto de beijar; não porque goste que me façam o mesmo, simplesmente porque gosto de o fazer. Tinha reparado que era um pescoço grande e fino e resolvi beijá-lo, passando por cima de toda a timidez que me atormentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois fui para o nosso quarto quase a correr, pensando que não te deveria pressionar. Mais nada de físico se deveria passar entre nós; tanto que não me lembrava se tinhas ou não sido receptiva ao beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No resto das férias resolvi juntar-me ao grupo com quem estávamos, não te ignorando, mas também não te dando demasiada atenção. Procurava olhar-te sem que fosse em demasia, para ninguém desconfiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eras alta, bonita, mas não bonequinha de porcelana. Os teus seios eram lindos, pequenos, redondos e firmes, tal como os poucos músculos que se notavam, para além da tua estrutura óssea e contudo, não eras magra, nem de formas inexistentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu deleite acabou com aquelas férias e nunca mais te vi, por inerência dos rumos distintos que as nossas vidas tomaram. Foram os últimos dias em que amei alguém despreocupadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o meu marido tem outras amantes e eu tenho apenas a tua recordação. Agora tudo é muito mais físico, apesar da tua ausência. A ausência é um obstáculo que os anos e o conhecimento do nosso corpo fazem ultrapassar. A única ausência real é a do teu cheiro ou do cheiro a creme hidratante, porque as mãos grandes de dedos finos com que o espalhavas, continuam a encher-me o corpo sem nunca me terem tocado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-7323366950761211719?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/7323366950761211719/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=7323366950761211719' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7323366950761211719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7323366950761211719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/02/viagenscont_18.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6220057711280359831</id><published>2010-02-18T11:47:00.000Z</published><updated>2010-02-18T11:47:17.922Z</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Os homens não choram de dia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acariciei-te os longos braços muito ao de leve durante uns minutos. Disse-te que era a parte mais bonita do teu corpo e não menti, apesar de saber que não ias ficar muito bem disposto com isso. Abraçavas-me, enquanto estávamos deitados, no jeito de macho latino protector, mas com o qual eu não me importava, porque tu eras um sensível e eu, de facto, sentia-me protegida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi que era a última vez que assim iríamos estar. A minha insanidade reclamava o direito de existir noutros sítios, sendo isso incompatível com a normalidade que tu me davas. Depois de alguns meses juntos sabia que era o que tinha a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, quando te encontrei na rua, sabia que estavas casado e que tinhas um filho. Sabia também que iríamos acabar o dia na cama, desta vez no meu quarto de hotel e que eu, após te acariciar os braços lindos, me iria levantar da cama para escrever, enquanto fumavas um cigarro, pensativo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6220057711280359831?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6220057711280359831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6220057711280359831' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6220057711280359831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6220057711280359831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2010/02/viagenscont.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-7031327440922495874</id><published>2009-10-08T13:56:00.003+01:00</published><updated>2009-10-08T13:56:54.449+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A tua casa ao longe&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consigo vislumbrar a tua casa ao longe; daqui do topo do monte de erva seca e rasteira. Ali ao longe, por entre os pilares de cipreste, a casa branca com o telhado vermelho. Nada de novo. É mais uma casa isolada das outras, por entre o verde das árvores e o amarelo da estação seca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia virão prédios e outras infra-estruturas, sejam elas quais forem, desde que sejam ruidosas. Já nem ouço sequer os pássaros, que o adivinharão por certo. Um pouco antes há um ribeiro, que se torna numa auto-estrada de lagartos e que de Inverno se transforma num mar tormentoso, como as nuvens negras que vêm de Oeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te conheço; sei apenas que tens uma casa e vou deslizando monte abaixo, por entre algumas distracções que os sons da natureza provocam. Consigo desenhar uma criança no horizonte, no pátio murado que deve rodear o edifício. Brinca com o que parecem ser tachos e panelas, batendo como se fosse um baterista e penso no que nós encontramos para descarrega baterias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço até ao ribeiro e perco a vista do meu objecto principal de observação e estudo, a casa. Agora terei uma criança com quem conversar, os pais assustados que vem cá fora preocupados, o cão que afinal estava lá dentro e que aparece agora a ladrar. O ribeiro está envolto por amieiros que dançam com a força do vento e ao som que ele provoca. Sentir-me-ei privilegiado, porque não? Porque não ficar também mais um pouco, que aqui ainda se ouvem as abelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As folhas que caem parecem uma neve primaveril e, ao olhar para cima, a copa das árvores torna-se vertiginosa, o espaço claustrofóbico, fechando-se o céu no verde vivo e entro na pedra lisa que me serve de cama. Sinto ainda o vento, mas agora a corroer-me as moléculas, a retirar-me pequenos pedaços, pequenos grãos que serão areia e viajarão muito, espero eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo pela pedra que salta, talvez pelo passeio de uma cobra, talvez porque tenha respirado com tanta força que a pedra sentiu, uma vez que éramos o mesmo corpo, a mesma energia que o vento levava. Subo a encosta mais suave e passados poucos metro lá encontro de novo a casa; primeiro o telhado, depois a parede branca que luz ao sol. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde um senhor idoso, sentado no banco de pedra, com remate pintado de azul. Da mesma cor são os seus olhos fundos, cavados por entre rugas de história. Não me fala e sento-me, para descansar um pouco da caminhada que foi mais estafante do que previra. Não me apetece perguntar pela criança que brincava à pouco, pese embora ter perdido a noção de tempo. Não me apetece dizer nada até que a minha companhia o faça. Espero que não venha ninguém para perguntar quem sou, de onde venho e que faço ali calado, sentado ao lado do velho. Não ouço barulho e devemos mesmo estar sós, cada um com seu pensamento. Vejo os tachos e panelas no chão e não me apetece descarregar mais energias. O velho diz-me que andam a construir uma casa, lá ao longe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-7031327440922495874?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/7031327440922495874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=7031327440922495874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7031327440922495874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7031327440922495874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/10/viagenscont_1725.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-1149674232947106336</id><published>2009-10-08T13:56:00.000+01:00</published><updated>2009-10-08T13:56:09.935+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Incursões no Surrealismo Industrial&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giratórias de baldes carregados de lama a chocarem com o camião que a transportará; mais dois motores de retirar água de um buraco, acrescido de outro que trabalha noutro buraco mais longe, perto de uma betoneira que faz a argamassa para a obra. Os martelares dos carpinteiros e os raspares de argamassa dos pedreiros nos tijolos agora colocados; o silêncio pachorrento dos serventes ao compasso do assobio do pedreiro-mor, que se tem de ouvir em todo o lado, acima de tudo o resto. Os berros Hitlerianos do patrão e o canto siciliano do dono de obra a baterem nas mulheres bonitas que passam na rua, já cobertas por escarros de obscenidades diversas, que vão muito bem com as que ainda botam sorriso de esguelha. O polícia que passa multas ao som das sirenes ininterruptas da baixa. As putas que choram e os chulos que berram em contradança com os murmúrios dos pedrados, que vegetam nas esquinas por sobre a calçada irregular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ruas estreitas – meias de sombra escura ali, meias de luz demasiado brilhante acolá – acendem e apagam as conversas familiares, as conversas profissionais, os berros e os gritos. Ciganas a venderem nas ruas, gritando as virtudes dos seus produtos, nomeadamente o preço. Ou serão carpideiras muçulmanas em dia de luto? Ou de festa? Vai-se lá entender. Gatos a foderem nos quintais enquanto ainda se sacham as hortas dispersas pela cidade velha, enquanto fios de água ainda regam as hortaliças para o consumo directo, sempre ao final da tarde e pela manhã, que ainda há-de vir depois da noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebe-se então a última cerveja do dia (ou será a última grade?), antes da janta e do sono dos velhos, embalados por roncos estrondosos mas cadenciados. Vêm de novo as mesmas putas, os mesmos enfermeiros nos carros do INEM, acompanhados de outros polícias, de outros clientes. Ou serão eles também os mesmos de sempre? Os varredores do lixo vem mais tarde, ou talvez nem cheguem a vir, porque os crocodilos entram silenciosamente no rio, ao despontar dos primeiros raios de luminosidade; porque no café já se encontram os operários fabris, aqueles que se encharcam de vinho pela madrugada. Preparam o cérebro com vinho branco para enfrentarem mais um dia de ram-ram, na mesma fábrica cinzenta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-1149674232947106336?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/1149674232947106336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=1149674232947106336' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1149674232947106336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1149674232947106336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/10/viagenscont_08.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4437745024850186813</id><published>2009-10-07T15:11:00.002+01:00</published><updated>2009-10-07T15:11:51.424+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;II – … no sonho, cortando as amarras&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jantar com a Moralidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Moralidade veste de branco ou de preto, enveredando um vestido longo ou uma roupa discreta de calça e blusa. Em dias festivos, como hoje, chega mesmo a mostrar um pouco do alvo braço, condizente com a face límpida de sujidade e de curvas perfeitas, num estilo renascença, de que nem Da Vinci se lembrou. A sobrancelha aparada como se franzisse o sobrolho a todo o momento, não forçando os músculos da cara, para evitar rugas de expressão de idade avançada. Gosta de ouvir música clássica e ter por temas de conversa as coisas mais corriqueiras, entremeadas de piadas britsh, fora de Inglaterra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O alemão Alfred e a indiana Dihn trocam piercings enquanto discutem a obra de Wagner e leio apressadamente o final do Lobo das Estepes, olhando de soslaio a pose reprovadora da Moralidade. Começamos o repasto por um doce Porto, solene e soturno, fazendo cumprir apenas uma tradição que alguém inventou. A amazona Páti contagia o ambiente com o seu sorriso largo, com o seu olhar fraterno e a moralidade observa atenta, de sobrancelha erguida. Segue-se chouriço assado e o primeiro vinho, com pão de milho e centeio do próprio dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegam a Falsidade e a Crudelidade – fazendo com que a Moralidade faça sorriso de Gioconda – acompanhadas do Niilista decadente e do Anarquista esteticamente Surrealista. Sentam-se na mesa ao lado da nossa, continuando a boa disposição que transportam da rua, pedindo vinho e contando anedotas em voz alta. Logo a Moralidade se levanta antes da sopa do Cozido à Portuguesa, fingindo, ou sentindo realmente uma falsa indisposição. Páti segue-a até à casa de banho com um ar preocupado, abraçada pela doce Crudelidade. A Falsidade não se ergue sequer, fazendo-me supor que a falsa indisposição é real, mas logo Alfred me alerta de que são irmãs desavindas há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro olhar a sopa enquanto esfria; o Niilista que se sente só – ou os longos tragos no vinho e olhar para o nada é que me revelam essa ideia; o Anarquista que galanteia Dihn, de olhos a brilhar, com a contradição inerente ao silêncio rápido em que cai, de não querer ser capaz de amar. Chega entretanto a comitiva da indisposição com a Moralidade coroada de louros e sorriso aberto, Páti de olhar preocupado e logo de rancor perante a Falsidade, afastando a Crudelidade dos ombros como se lhe pesasse a caspa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caldo consome-se rápido e silencioso por todos nós, conduzindo apenas ao calor interior que se fará sentir agora. Copiemos a boa ideia do vinho aos nossos colegas do lado. Venha então esse cozido. Para todos! Porque não? Juntemos as mesas! Porque não? Porque se levanta a Moralidade? Logo lhe digo que se sente; que ninguém irá atrás dela para lhe fazer a vontade de estragar o momento. Nesse momento tenho de olhar Páti com ar sério para que descanse os braços que a fariam erguer em segundos. Continuo a dizer que de nada lhe vale não jantar, quando ninguém se levantaria, quando iríamos apenas rir da birra. Olho a gota de suor que lhe corre discretamente pela fronte, os lábios que dançam entre o sorriso, a indisposição, o desespero e a raiva. Sinto a censura de Páti a cravar-se na minha carne e sinto o Anarquista a adorar toda a cena. Que se sentem a Moralidade e a Falsidade lado a lado. Porque não? Porque não utilizar o jantar como motivo para umas tréguas, quem sabe para um novo conciliar de posições. O Niilista já não fala e percebe-se o porquê, com tantas garrafas vazias que tem à sua frente. Dihn está farta destas cenas de culturas que não compreende e Páti tenta-lhe explicar o porquê delas acontecerem. Acaba por beber tanto vinho quanto o Niilista, por não arranjar palavras e por achar que elas se encontram no fundo das garrafas. O Anarquista passa a noite a dar lições de Moral às irmãs, ou pelo menos a explicar-lhes o seu ponto de vista, citando apenas os textos sagrados de todas as religiões que conhece, de algumas filosofias que as irmãs ignoram por completo. Mantenho-me calado sem nada mais que dizer, arrependido da cena que provoquei ao falar, com dor no braço pelas unhas de Páti, de dor na Alma por não conseguir reunir os amigos em paz uma noite que seja, sem que seja apenas o vinho o bom condutor das horas, das conversas e dos silêncios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dihn desperta-me do entorpecimento mental e diz-me que já é hora de irmos. Para onde? Não sabe. Todos já estão demasiado bêbados ou demasiado carrancudos e chatos. A Moralidade continua com o seu sorrisovitorioso, a Falsidade com a sua indiferença indiferente e a Crudelidade apenas afagando os cabelos fatigados e sem brilho de Páti. O Anarquista jaz rouco e roncando num canto da mesa, o Niilista rebola-se pelo chão, misturando-se com vómito e ácaros de alcatifa. Sigo então com Dihn para o morro do miradouro da cidade, onde se cruzam as luzes da noite com o cheiro de mar Oeste; onde se cruzam os sons das ruas com o silêncio da hora morta; onde se cruzarão, talvez, a vontade imensa de amar e o medo imenso de existir amando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4437745024850186813?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4437745024850186813/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4437745024850186813' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4437745024850186813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4437745024850186813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/10/viagenscont_9049.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-5634026181714367842</id><published>2009-10-07T15:09:00.000+01:00</published><updated>2009-10-07T15:09:01.670+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Lorca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está a minha Lua? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estão os campos roxos de tojos primaveris, de cores dançando ao vento seco de Este? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porque estás mui lejos, amor mio.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com que direito apareces em imagem fria e seca de Buñuel, numa onda sonora estonteante que perfura a carne com a eficácia dum cutelo de açougue. Bar de estudantes, sem tertúlias ou outros movimentos suspeitos. Para que se beba cerveja até cair e me lembre da manhã sem pequeno-almoço, quando te segurei nos meus braços e senti o todo da tua pele a envolver-me. Um ligeiro zumbido nos ouvidos e uma náusea interna, a lembrar os melhores dias físicos das entranhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedras frias, arcos em tijolo, passagens para outro lado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está a minha Lua? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está o meu tanto querer? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por entre as giestas frias de Inverno; na toca profunda de javali; num mar de palavras lavradas em terrenos incultos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ocultar de um segredo, de um sorriso esporádico que os lábios esboçam. Quartos repletos de livros nas paredes, de um colorido baço, algo reluzente às trevas do pensamento, às sombras que nasciam nas janelas, nos cedros do jardim. Beijos doces, de sabor a mel de cana do açúcar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quentes são as gotas de chuva que me beijam o corpo nesta madrugada tão fria, neste momento tão negro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está a minha Lua?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-5634026181714367842?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/5634026181714367842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=5634026181714367842' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/5634026181714367842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/5634026181714367842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/10/viagenscont_07.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6874883855842781322</id><published>2009-10-01T15:16:00.004+01:00</published><updated>2009-10-01T15:16:35.451+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Revolta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento sopra e eu sou só um afloramento granítico, estático e frio. Aflora-me a superfície, indiferente aos grãos de quartzo que de mim arranca, indiferente à forma que me vai esculpindo. A Lua teima em não pôr fim ao dia, às sombras que o caracterizam. O cheiro da companhia jaze adormecido, por entre um cobertor que aquece e esconde alguns problemas que se adivinham, mas que não se entendem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo as minhas amantes escondidas por entre as coisas que construo e só tenho pena de não ter tintas para as ocultar mais ainda, tal como fez o Picasso; de não lhes poder dar um pouco de cor, por entre distâncias, desencontros e, eventualmente, alguns mal entendidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto saudades de mim em tempos que já não consigo recordar, porque a revolta tomou conta das minhas vontades, do meu querer existir. Fico apenas com a pele seca, cheia de fungos impróprios para a estação do ano, que juntamente com o barulho da respiração suave me lembram que ainda sou alguém, talvez na qualidade de ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Afinal não tenho a meu lado um corpo que possa manifestar a sua presença, que possa dar-me um pouco da sua vida, para que possa eu também viver um pouco.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder-me-ia o vento deixar arrepiado, poderiam tocar os tambores da noite, enquanto as luzes dançavam uma vez mais, surpreendendo-me, fazendo-me expelir o lixo que guardo comigo. Não posso porque tenho de estar rodeado por livros fantasmas, pelos fragmentos de caos não organizáveis; não posso porque não depende de mim, mas de uma força maior que não controlo e da qual quero fugir. A força que me fará levantar pela manhã sem vontade de me erguer de seja lá onde for, que me fará mover de um lado para o outro, continuamente, como que a testar a minha capacidade de resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, teimas em surgir nos momentos em que não me posso lembrar que te amo, em que não devia desejar estar ao teu lado, ou no teu colo reconfortante. Nem preciso de um rio ou de um mar que me ligue a ti mais rapidamente, não preciso de pensar em que vento, na sua boa vontade, levará o meu pensamento até ti; nem posso olhar a Lua, que nos vê a ambos, porque me recuso a sofrer de novo tudo o que ela me traz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço a tua voz distante, triste e fico sem ter como estar contigo, confirmar a presença de um ombro, o silêncio acolhedor de uma companhia que não faz perguntas desnecessárias. Já não te posso dar a força das ondas do mar, quando tu própria a perdes em cada passo, em cada respirar de dia-a-dia. Já não posso procurar alcançar o teu pensamento para que o acalme, para que o reconforte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto muito amor inútil, como se uma torneira vertesse água para um balde já cheio e todas as ruas se tornassem rios, como se o mundo todo fosse um chão de água, de desespero. Que farei eu, quando de nada vale engolir em seco, de nada vale reparar nas nuvens brancas que rumam a Norte, nem nas pessoas que correm apressadas para o almoço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico distante, mesmo ali ao pé daquela azinheira sacudida pela brisa outonal, ao pé do cão que marca o seu território, ou tão-somente alivia as cargas físicas, como que a dar um exemplo metafórico. As interpretações tornam-se labirintos, como o olhar atento e continuado sobre as pedras da rua, sobre o traçado das ruas numa nova cidade, de um novo viver, de um novo nada quotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste por vezes; angustiado talvez. Como se um violino fizesse as gaivotas voar em círculos e a minha alma fosse só voo circular dos pássaros e a porcaria do violino sempre a tocar. O cheiro repentino de cera de soalho de madeira. O cheiro a brisas de verão, a sonhos dispersos na atmosfera mais próxima. A revolta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisa e repisa os mesmos pensamentos, os mesmos resultados as mesmas notas dos mesmos solos. Qual improviso para além do que já é sublime só por si; por o ser e fechando para sempre a porta desse mesmo improviso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ando à minha procura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guia-te pela Lua; pelo seu aro que só promete luz imensa que te cega os olhos fixos, que te corta a respiração e te torna tão pequeno quanto nunca foste. Não há som, nem cheiro, nem vista; não há paredes ocas, ratos a fuçar nos livros velhos e novos. O longínquo quarto de madeira, com a companhia do bicho da mesma, que devorava aos poucos a escrivaninha e que tinha toda a liberdade para o fazer. O longínquo postigo de janela de vidro duplo, aberto para o mundo e para o ar que se devia respirar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias não contam como dias, mas como horas que passam infindáveis, umas atrás das outras, sem nada que lhes marque a diferença pelas tantas que virão. Às vezes é só monotonia, que se transformará em chilrear de pássaros, em zumbir de brisa de Verão, em crepitar de fogos clandestinos. Estarei eu também em fogo? Outras vezes é monotonia do que já será depois um milheiral regado por breves linhas de água artificiais; um suspiro de milho e uma Lua a crescer mais e mais. Sonhos? Nem por isso, porque poderão bem ser realidade, pese embora eu nunca o confirmar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os prados de carqueja têm a sua bela flor pelo meio, que pela sua raridade sobressai, que pelo seu contexto se evidencia. A flor que pode ser feia é rara, a flor que poderá ter espinhos, mas cheira como flor, tem porte de flor, cor de flor. Dá um abraço ao amigo que descansa da lavoura que é viver todos os dias em luta consigo e com os outros. O álcool? Sim, também ajuda, pelo paladar fresco que provoca, pela subliminar alegria falsa que trás consigo, pelo fim de mundo que será beber o copo até ao fim e perguntar ao acompanhante da hora se quer ir para casa, temendo uma resposta negativa, temendo que o Ego Supremo sofra mais uma derrota marcante. A guerra? Nem sempre pegamos em armas para lutar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A cantiga é uma arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai-te foder mais as tangas das três da manhã, mais as conversas de merda para cumprir o protocolo, o horário para cada coisas que se deve pensar, que se deve sentir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu serás o sistema neste momento que te olho amigo; neste momento que te amo como irmão e tu apenas estás lá e eu do outro lado, sempre do outro lado. Podemos ainda chorar um pouco, trocando abraços e frustrações. Os sonhos? Estão aí, no brilho de olhos, no brilho ardente do cigarro que acendes no meu, como tanta gente acendeu entre si cigarros, paixões, amizades eternas, difusas agora no fumo, no ruído dos gritos tertuliares vindos do topo da mesa, do topo do mundo de cada um, do espaço em que nos encerramos. As gavetas são confortáveis quando estamos agorafóbicos. Se pudermos enche-las de gente, tanto melhor para o mundo que conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dor? Aparentemente só quando me arranho nas giestas e o tempo frio não ajuda. Será sempre Inverno? Posso andar de calções pela casa, porque me é permitido mostrar as pernas arranhadas, os calos das mãos, a pele queimada de uma forma irregular, marcada pela forma da roupa. Gosto de túnicas, mas se as visto chamam-me louco e eu ainda não sei se sou ou quero ser louco para os outros. Seria um fugir de cobarde, seria mostrar o medo imenso que tenho quando respiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combate-se o medo indo ao rio, entre a noite e o dia tardio, quando os morcegos se alimentam de mosquitos que sobrevoam as luzes amarelas da estrada. Descida interminável da estrada, lenta e pensativa; do pensamento lento, da brisa que se torna progressivamente mais fria. Ainda mais fria depois da curva, antes do cumprimento ao senhor Miro, que passa no seu bólide de anos 80. O milho à direita; o rio ao fundo da pequena recta descendente; a ponte por entre dois postes, como recta final da meia caminhada. O apressar para que ouça o rio correr, para que acabe o cigarro pensativo. Os teus olhos em toda a parte; na Lua que me segue desde o início da jornada, nas pequenas luzes que a natureza nos dá, por entre a pouca luz natural e toda a artificial que lhe colocamos dentro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui apaixonar-me. Óptimo. Agora há que subir a margem do rio e voltar a casa. O milho à esquerda e a Lua pelas costas, meio protectora, meio magnética, mas ainda sem a força suficiente para me levar para longe. O milho à esquerda e os cães ao longe, ladrando, despertando o cão que me ladrou na ida. Penso que voltou a acordar. Umas vozes que não vêm do meio do milho, com muita pena minha, que podia recordar os contos fantásticos de gnomos. A merda do cão que me ensombra os passos. Parou de ladrar. Vou pensar apenas no milho e no vento que o faz balançar suavemente, subtilmente, demonstrando a planta alguma resistência. A vizinha da frente ao fundo. Estou salvo, estou apaixonado e estou com um humor de merda. Dêem-me vinho, dêem-me a Lua com força de gigante, dêem-me uns olhos imensos; a sua ternura e a minha revolta, a força da natureza. Pára. Não brinques mais, não fales mais a sério, não me fales, não me ignores, desaparece, não desapareças que já sei da tua existência, para além dos livros do Corto, cujas histórias te conto para que te brilhem ainda mais os olhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma breve conversa com a vizinha e a Lua deixa de existir por momentos. A casa e de novo os teus olhos, agora mais reais, agora mais enormes, agora mais penetrantes, pela doçura que deles transborda. O quarto. A anarquia. A revolta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6874883855842781322?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6874883855842781322/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6874883855842781322' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6874883855842781322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6874883855842781322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/10/viagenscont_01.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6379133444570640368</id><published>2009-10-01T15:16:00.001+01:00</published><updated>2009-10-01T15:16:02.491+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A morte&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde esta manhã que me não sinto bem. Mesmo assim apetece-me fumar um cigarro, deitado na cama, ainda em jejum. Os olhos semicerrados e a respiração aliada a uma dor no peito. Só vejo o fumo do cigarro a vaguear pelo quarto e, por incrível que pareça, não penso em nada. Sou assaltado por uma profunda tristeza, em todo o meu não-pensamento e por um vazio no estômago que me indica que o estômago está vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de apagar o cigarro, adormeço reconfortado no meu descanso. Talvez amanhã vá trabalhar. Voltar aquela escola com putos de quem eu já desisti à tanto tempo, um pouco antes de ter desistido de mim. Vão ser mais umas horas em viagens, um almoço de nada, três ou quatro cafés e dois maços de cigarros. Pela noite uma dor de cabeça e a inércia perante a televisão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia estar a cumprir os meus sonhos de há uns anos, mas não me apetece. Estou tão bem aqui a descansar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6379133444570640368?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6379133444570640368/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6379133444570640368' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6379133444570640368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6379133444570640368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/10/viagenscont.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-8622693624008384284</id><published>2009-09-30T15:23:00.002+01:00</published><updated>2009-09-30T15:23:22.588+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Depressão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma profunda tristeza assolava-lhe a mente nessa manhã. Desde as seis que estava acordado. Desde essa hora que tentava inutilmente limpar o quarto. Olhava de quando em vez pela janela e percebia o dia horrível que estava lá fora. O sol aparecia às vezes e quando se ia, a parede que brilhava tornava-se cinzenta. As árvores deviam abanar pelo vento frio, fazendo o quarto parecer um espaço acolhedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parava e ia escrever qualquer coisa ao computador. Nada lhe ocorria e tentava então retocar o seu curriculum vitae, assim como o quarto e como a sua vida por inteiro. Ficava ainda mais deprimido com o que via. Fechava os olhos com uma tremenda vontade de chorar, mas como não encontrava razão para o fazer, em confronto com o seu substrato mental optimista e racional. Deitava-se então, limitando-se a ouvir aquela música melancólica que entoava pela casa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-8622693624008384284?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/8622693624008384284/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=8622693624008384284' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8622693624008384284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8622693624008384284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagenscont_6927.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6366116067780740548</id><published>2009-09-30T15:22:00.001+01:00</published><updated>2009-09-30T15:22:53.611+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Os homens não choram de dia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acariciei-te os longos braços muito ao de leve durante uns minutos. Disse-te que era a parte mais bonita do teu corpo e não menti, apesar de saber que não ias ficar muito bem disposto com isso. Abraçavas-me, enquanto estávamos deitados, no jeito de macho latino protector, mas com o qual eu não me importava, porque tu eras um sensível e eu, de facto, sentia-me protegida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi que era a última vez que assim iríamos estar. A minha insanidade reclamava o direito de existir noutros sítios, sendo isso incompatível com a normalidade que tu me davas. Depois de alguns meses juntos sabia que era o que tinha a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, quando te encontrei na rua, sabia que estavas casado e que tinhas um filho. Sabia também que iríamos acabar o dia na cama, desta vez no meu quarto de hotel e que eu, após te acariciar os braços lindos, me iria levantar da cama para escrever, enquanto fumavas um cigarro, pensativo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6366116067780740548?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6366116067780740548/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6366116067780740548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6366116067780740548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6366116067780740548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagenscont_30.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-7319749656314917924</id><published>2009-09-29T13:28:00.002+01:00</published><updated>2009-09-29T13:28:38.249+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O Lago verde&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lago verde estava calmo quando te disse que não te poderia amar mais. Parou o vento, como se o fizesse definitivamente; calaram-se os pássaros e todos os sons do mundo se concentraram na tua voz, nos teus lábios. Veio a festa, ou a festa a fingir que não a ouvia, que não conseguia ouvir qualquer som. Fiquei só à espera que tudo fosse uma mentira e que me pegasses na mão, beijasses a face esquerda, fizesses um sorriso de covinha na cara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um chá de camomila, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai o sorriso e um olhar de cumplicidade. Sai um passeio por entre árvores de pantanal, por entre sombras demasiado frescas para esta altura do ano, para este sol tão pouco ardente. Tenho um medo imenso de enfrentar a calçada fria perante mim, com ou sem chuva. Tenho medo de me ouvir pensar, de me ver encostado ao conforto de um balcão de madeira, de chegar a uma cama vazia, onde ninguém me faz companhia, onde ninguém te cheira o sono e diz que disso depende para se sentir feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É já noite e ouvem-se sons do bosque, dos animais que povoam a noite de Lua cheia. Sente-se o cheiro da humidade matinal que se aproxima, que não se pode associar ao cheiro da tua pele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um café e uma cerveja, por favor. (Já agora traga também um par de olhos que digam que me amam, que querem amar sempre muito e chega, para uma felicidade momentânea, para um apogeu de segundo e meio.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Café matinal e um gabinete onde espraiar as fantasias ou a falta delas. Um jornal com a actualidade descrita por pessoas que pensam por mim. Pena, tanta pena de não ser dono das minhas vontades, das dos outros e contento-me com o sorriso familiar do barman, do pianista que nunca olha as teclas, o que faz dele um tocador e não um músico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava de poder sobreviver um dia intacto ao contacto mínimo da pessoa próxima, poder controlar os sentimentos, reter as coisas que se querem falar. Gostava de acordar arrependido ao teu lado de mulher, no desconforto quente de um abraço necessário. Mas a merda do piano continua a tocar e o gajo que toca pode não estar a sentir o que sinto agora, mas está a acertar com as notas todas no seu grito mudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que há sempre uma recaída, ou essa é que é a parte herdada dos filmes, dos sonhos transpostos em qualquer suporte? Pois é. Há sempre alguém mais fraco que perde o poder, em relação a alguém que o adquire proporcionalmente. Há sempre alguém que foge de uma situação, de um caso mal resolvido, e o outro que acha que é desnecessário, porque é mais confortável manter tudo como está. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom que o dia nasça sempre à mesma hora e que o tempo não pare de vez em quando, num suspiro, num toque de pele, por mais insignificante que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto só temos um lago verde, bordejado por árvores pantanosas; só temos um medo, um desespero, um simples gostar de uma carícia no punho. Só devo estar a fazer um filme e nem se quer tenho película para gravar, nem sequer tenho certezas de mim, nem sequer sei se algum dia vou ter certezas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-7319749656314917924?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/7319749656314917924/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=7319749656314917924' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7319749656314917924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7319749656314917924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagenscont_9608.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-3987836974322562456</id><published>2009-09-29T13:26:00.002+01:00</published><updated>2009-09-29T13:26:51.263+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;The goodson&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O labirinto sem saída que será amar-te sem porquê, sem razão aparente para que tal aconteça. A falta de razão também no facto de não conseguir ser coerente, congruente com a racionalidade que a sociedade nos impõem. A tristeza tão profunda, que se espelha em sons, em imagens, em recordações. As imagens que são mais que repetidas, que antes associava a bons momentos, a segundos de crescimento mental tão rápido. Agora fica só a distância, a impossibilidade de voltar atrás para fazer a mesma coisa, tentar roubar-te todo o amor, todo o carinho que demonstras conseguir ter. Todo o teu ser feminino que não parece caber nesse corpo frágil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preferia que não houvesse a mais pequena esperança de poder estar contigo de novo, espelhada num simples beijo que se envia numa conversa ocasional de telefone, ou por intermédio de terceiros que, alheios a toda a questão, se tornam mensageiros de incertezas, ladrões de paz de espírito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vinho saboreado que nunca mais soube a fruta, do qual nunca mais se sentiu a suavidade gustativa, a espiritualidade do seu corpo. Recuso-me então a querer pensar mais em ti, em todo o mundo que criaste e que destruíste em segundos, para que de novo o faças erguer das trevas, num eterno retorno tortuoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estão os mares ou os rios que choravam por mim, tocados pelos ventos meus amigos, pelas brisas fortes que me trespassavam? Onde estão as florestas verdes onde me escondia do mundo, para repousar de ti sobretudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre e sempre a mesma treta lamechas, a mesma choradeira inútil, que acentua os olhares tristes e distantes. Procuram-se os nevoeiros quentes que nos abraçavam a alma e que nos reconfortavam por breves momentos, para que dormíssemos descansados, sem pensar na falta que temos um do outro, que eu tenho de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornam-se tão com sentido todas as palavras dos poetas, que têm a responsabilidade de as terem escrito, espero eu que sentindo tudo o que elas trazem consigo. Perdem-se os amigos no entretanto de algumas notas dispersas, música de fundo em conversas de desabafos que agora só trazem consigo a muita pena de não ser dono do teu desejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-3987836974322562456?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/3987836974322562456/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=3987836974322562456' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3987836974322562456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3987836974322562456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagenscont_29.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-7471552837416901717</id><published>2009-09-28T13:55:00.001+01:00</published><updated>2009-09-28T13:55:20.930+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Férias de Verão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha acabado de lavar os dentes no lavatório ao lado do teu, onde estavas a limpar a pele e a por um creme hidratante. Dei-te um beijo fresco entre o pescoço e o ombro, que é o sítio do corpo humano que mais gosto de beijar; não porque goste que me façam o mesmo, simplesmente porque gosto de o fazer. Tinha reparado que era um pescoço grande e fino e resolvi beijá-lo, passando por cima de toda a timidez que me atormentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois fui para o nosso quarto quase a correr, pensando que não te deveria pressionar. Mais nada de físico se deveria passar entre nós; tanto que não me lembrava se tinhas ou não sido receptiva ao beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No resto das férias resolvi juntar-me ao grupo com quem estávamos, não te ignorando, mas também não te dando demasiada atenção. Procurava olhar-te sem que fosse em demasia, para ninguém desconfiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eras alta, bonita, mas não bonequinha de porcelana. Os teus seios eram lindos, pequenos, redondos e firmes, tal como os poucos músculos que se notavam, para além da tua estrutura óssea e contudo, não eras magra, nem de formas inexistentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu deleite acabou com aquelas férias e nunca mais te vi, por inerência dos rumos distintos que as nossas vidas tomaram. Foram os últimos dias em que amei alguém despreocupadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o meu marido tem outras amantes e eu tenho apenas a tua recordação. Agora tudo é muito mais físico, apesar da tua ausência. A ausência é um obstáculo que os anos e o conhecimento do nosso corpo fazem ultrapassar. A única ausência real é a do teu cheiro ou do cheiro a creme hidratante, porque as mãos grandes de dedos finos com que o espalhavas, continuam a encher-me o corpo sem nunca me terem tocado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-7471552837416901717?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/7471552837416901717/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=7471552837416901717' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7471552837416901717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7471552837416901717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagenscont_7437.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-8409826325315381359</id><published>2009-09-28T13:54:00.002+01:00</published><updated>2009-09-28T13:54:54.988+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Os Monstros&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os monstros sentavam-se nos sofás vermelhos. Tu chegavas, sentavas-te e pedias uma bebida forte para o travo amargo de boca. As cores azuis do céu de fim de tarde estavam lá fora e ali apenas se vislumbravam pouco menos do que sombras coloridas. As bebidas fortes em sítios escuros funcionam como o perfume que dá a cor necessária ao sítio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tuas pernas eram portanto escuras, porque era assim é que eu as via. Longas e bem torneadas. Os monstros ao fundo do bar riam-se entre eles como se estivessem nas conversas mais secretas. Na parede ao fundo do bar, onde alguém pintava uma parede com acrílico e pincel n.º 1, parou o artista. Olhou para ti e foi-se sentar no bar a beber shot’s de uma bebida branca. Reparei que mais tarde já chorava para o barman, que parecia um anjo da guarda e não sei mesmo se não teria asas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me olhaste transformei-me em cubos de gelo, mergulhados no Scotch de um dos monstros. Fui bebido e diluído por entre as conversas que se transformavam em letras, negras e gigantes, que envolviam todas as curvas do teu corpo. Fui cuspido por entre gargalhadas obscenas que se tornaram ácido e me corroeram a pele, a carne, o osso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre bom saber que me levarás para casa nos teus braços. Quase inconsciente, me despirás e me aconchegarás o cobertor. As palavras serão expelidas pelo interior revolto e terão talvez a doçura de uma manhã fresca, com muita fruta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É pena que a noite termine quando falta o tabaco. O último cigarro será fumado na cama; sempre na cama, a olhar a parede branca meio desfocada pela luz amarelada do candeeiro, a ver a luz da manhã por entre as cortinas bordadas da janela. Nunca mais assim será. Dormia-se tão bem por entre o calor de aprender a viver, na casa grande de passadeiras vermelhas; nas tertúlias de quartos, por entre a música do ilícito, por entre a teoria da conspiração, do simplesmente não saber quando é que esta nossa vida terminaria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sempre irmãos adoptivos ao longo da vida. Adoptamo-nos uns aos outros, podendo sempre dar um abraço apertado, fazer um grande sorriso. Pôr a conversa em dia é fácil porque se sabe exactamente onde a conversa ficou, quais eram as pessoas que nos rodeavam. É sempre tão bom gostar dos irmãos adoptivos; pensar nos dias em que se pensava que nos veríamos certamente todos os dias, que podíamos contar uns com os outros a todo o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho de casa havia um monte verde em frente, que agora é uma urbanização. Há sempre mágoa na distância; nas coisas que se perdem, nas luzes que se apagaram. Houve fantasmas que nasceram, que repetiam o abraço apertado já só no pensamento distante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz sempre tanto frio no Inverno, quando se vai para casa com a chuva e o frio a cortarem a pele da cara, misturando-se as gotas de água da chuva com o cloreto de sódio dos olhos e do Gedeão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-8409826325315381359?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/8409826325315381359/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=8409826325315381359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8409826325315381359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8409826325315381359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagenscont_28.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6559054686759148270</id><published>2009-09-25T15:14:00.002+01:00</published><updated>2009-09-25T15:14:24.128+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sons&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afasta-te dos sons; pensa no silêncio e individualiza-os de dentro para fora. Os sons assim sabem bem melhor; podes ouvir um bom vinho, um charuto, uma comida italiana, ou pelo menos tentar, já que nem sempre sai bem a audição. Lá vêm os estados de espírito reflectidos na cozinha, no seu sabor, no sabor do que as mãos nos dão. Logo, as mãos também pensam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouves o quê? Ao início só uns ruídos muito cheios no espaço, que pouco a pouco se tornam elípticos. Ouves os pássaros do vizinho do 3º direito; ouves o choro da criança no 5º esquerdo; ouves alguém a apagar e a acender uma lâmpada. Sentes o som do vento de fim de tarde a fazer-te cócegas nos ouvidos; sentes o som da tua pele a esticar com a “pele de galinha”. Sentes o som de uma melancolia qualquer que passas logo a associar à música que pões no leitor de CD’s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentes o som das teclas no computador e o som do teu pensamento que te grita que escrevas mais e mais rápido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentes o som do desprezo, do desconforto que a ira que paira sobre ti te corrói de minuto a minuto; sentes que tudo morre aos poucos dentro e fora de ti. Ouves o canto dos anjos que desejas que te acalmem, o som de um canto longínquo ouvido num bar. O que é? Um fado de Coimbra? Cantado por uma mulher? Deves estar muito alucinado com o vinho, porque isso é impossível, mesmo para que não tem em conta esses sexismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentes aquele som da despedida que se prolonga pela eternidade, que é tua e que se perpetuará por outras eternidades que não as tuas. Os sons perdem-se rapidamente na tua cabeça e ouves-te a berrar com a tua companheira como um touro enraivecido; ouves os carros passar lá em baixo, os bêbados que saem do café do rés-do-chão do prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouves o barulho do motor de arranque do teu carro; o som sublime de uma rádio local, em hora nocturna, mesmo antes de ouvires o som das faixas de rodagem, que se despojam perante os teus pés voadores. Ouves a lágrima que cai do nariz para a ponta do cigarro aceso. Ouves o desespero de sono do homem que te serve o café na estação de serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouves a voz dos teus pais, que chamam por ti, para te darem colo como se ainda vivesses a tua infância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6559054686759148270?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6559054686759148270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6559054686759148270' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6559054686759148270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6559054686759148270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagenscont_25.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-8732626755389416349</id><published>2009-09-25T15:13:00.002+01:00</published><updated>2009-09-25T15:13:42.635+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Fim de tarde&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim da tarde na cidade é marcado pelo som dos sinos de uma torre. São seis horas e eles tocam incessantemente; num naqueles dias em que se ouvem tão bem que o som entra dentro de nós, impondo uma cadência, agora mais lenta, aos passos das pessoas que se arrastam para suas casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pastas na mão, vazio no olhar, ou olhar de quem tem os pensamentos tão longe que não no trabalho, na casa e na sua vidinha e um homem passeia-se a pensar dessa forma. Daí a uma hora ou algumas horas descobre-se numa rua cruzando-se com um homem de enxada na mão, que lhe deseja uma “boa noite”, seguindo viagem sem esperar resposta. Afinal perdeu-se no pensamento e foi andando sem parar. Deve estar nos subúrbios da cidade ou em outro qualquer ponto de uma realidade à sua escolha, porque agora é livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado no sofá, um dos filhos diz-lhe que chumbou de ano. Não responde e vira-se para o computador do escritório desistindo do seu filho. Considerava-o o prolongamento de si, a sua imortalidade até ao dia em que desistiu de si. Refugia-se no seu mundo escritório, no seu trabalho, na sua ciência que lhe dá a projecção necessária rumo ao infinito, para onde acha que segue a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua companheira escreve na sua mesinha de carvalho o seu interminável caderno. Sorri, embrenhada que está na alegada loucura de acreditar que ainda tem sonhos. Por vezes, uma lágrima escorre-lhe pela face. Ao lado, o filho mais novo imita-a rabiscando uns papeis soltos, calmo, triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabam o fim da tarde sentando-se na varanda do apartamento, olhando o sol que se põe para os lados do mar que não vêem, mas que sabem estar lá. Nas férias de Verão irão para lá, para serem um pouco mais felizes, porque vêem o mar e porque lá não há sinos que tocam às seis da tarde. Os carros buzinam lá em baixo na rua, ouve-se ao longe o barulho de um carro de emergência médica...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-8732626755389416349?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/8732626755389416349/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=8732626755389416349' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8732626755389416349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8732626755389416349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagenscont.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6269543050525639086</id><published>2009-09-13T23:36:00.000+01:00</published><updated>2009-09-13T23:36:10.588+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Avenida Fernão de Magalhães&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trânsito do fim da tarde repete-se como caótico. Inúmeros carros com apenas uma ou duas pessoas dentro, constituindo o maior desperdício de espaço de todos os tempos. A polícia comanda as operações, como se fosse possível refrear um desejo de sentar num sofá, de beber uma cerveja, de não pensar em nada, só nas imagens de um filme que não se vai ver até ao fim, porque amanhã é dia de dormir e porque agora não há nada a fazer contra isso. As ambulâncias e os carros do INEM percorrem as ruas, barulhentos, cabendo nos cantos mais recônditos do caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz escura e sombria, própria da hora, dá um ar seco e indiferente às pessoas. Outras há que nem escondem a irritação, outras que acendem o cigarro e fumam calmamente, com o suspiro das incertezas da vida, com o desejo de um banho quente e reconfortante. Uma mulher prepara os papéis necessários para uma qualquer reunião; um homem olha para a canoa do rio, com os olhos da distância da sombra de uma árvore vista de uma janela de prisão; ao longe, verde e fresca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro homem, de sorriso na cara, lê um bilhete. Que jantar o esperará? Que braços lhe cobrirão o corpo? Que beijo de boas vindas cairá na sua face?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Câmara Municipal está toda iluminada e os arrumadores de carros aproximam-se dos seus territórios nocturnos. Ainda se fazem compras nas lojas, mesmo ao lado daquela fila interminável de gente cinzenta para o autocarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém provocou um choque entre veículos e eu desespero por não conseguir encontrar o teu cheiro na minha recordação, por entre os capítulos de um livro que esfolheio. Semáforos atrás de semáforos e chegarei já tarde a casa, onde não me esperas, onde nada mais encontrarei do que livros desarrumados e espalhados por toda a parte. Na casa onde não terei vontade de cozinhar só para mim e onde mastigarei um queijo, regado com o vinho de ontem, já demasiado oxidado, mais doce ao amargo de boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passam os estudantes para jantar nas cantinas; passam os velhos do jogo da sueca acabado no jardim. Ainda alguém olha as montras e quase que pisa quem está deitado sob elas. Ouço no rádio, “trânsito congestionado na Avenida Fernão de Magalhães”. Mudo de estação, para não pensar no assunto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6269543050525639086?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6269543050525639086/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6269543050525639086' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6269543050525639086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6269543050525639086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagens-cont_8512.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-1733207228230544397</id><published>2009-09-13T23:35:00.001+01:00</published><updated>2009-09-13T23:36:27.717+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Princípio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A princípio é simples, anda-se sozinho.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascemos e logo, se nos for permitido pela ventura, ciência, deus e outra infinidade de coisas que nos transcendem, vivemos. Temos então de viver apesar das coisas não terem muita piada ao princípio. Se tivessem piada por certo nos lembraríamos. De qualquer forma, se formos de uma família economicamente saudável, teremos uma infância feliz, cheia de eventos que nos irão condicionar os actos ao longo da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, quando é que se dá o verdadeiro princípio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para mim foi desde o dia em que te amei pela primeira vez. E não tomes isto com uma frase feita e lamechas, afinal estou no leito da Morte. Qual a melhor altura para chegar a uma conclusão destas? No fundo sempre suspeitei disso, mas só agora o posso afirmar seguramente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sejas tolo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurou então mover a cara para o lado, para que ela não visse as suas lágrimas. Os velhos hábitos não se perdem, principalmente quando vêm de muito antes do princípio. Muitas vezes lhe disseram que os homens não choram, mas ele chegou a outra conclusão quando a conheceu. No entanto não conseguia evitar, nem ao fim de todos estes anos juntos, nem no fim de se ter convencido de que não era preciso ter vergonha, nem quando a vergonha se tornou algo insignificante que para nada contava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorou então para ela, após ter reparado que ela esboçava um sorriso; aliás como sempre fazia. Esta cena havia-se repetido vezes sem conta ao longo da sua vida em comum; a conversa, o choro, a vergonha do choro, o sorriso e por fim a coragem de chorar, que leva ao abraço consequente e por aí adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta-se ao princípio cada vez que uma cena destas se repete, cada vez que se descobre o porquê de respirar. Querer sair da cama, tomar um pequeno-almoço, dizer “bom dia” e partir para fora de casa como se tudo fosse uma aventura, como se nada tivesse um fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então vem a pressa e quando nos perguntamos pelo porquê dessa pressa, percebemos que perdemos algo que esteve mesmo à nossa frente. Volta-se ao princípio depois da breve reflexão e, eventualmente, depois da breve lágrima de pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-1733207228230544397?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/1733207228230544397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=1733207228230544397' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1733207228230544397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1733207228230544397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagens-cont_13.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-9139360820569479498</id><published>2009-09-06T01:28:00.003+01:00</published><updated>2009-09-06T01:29:15.513+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Um dia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia acordou para uma outra realidade. A luz forte do início do dia, misturada com a humidade matinal, feriu-lhe os olhos e espirrou, lacrimejando um pouco. Hora qualquer; pela primeira vez de manhã ler um jornal, beber o café, fumar o cigarro e cheirar, de peito bem inchado, a mistura de todos os odores matinais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por acaso ela estava com ele, embora quase imperceptível, que aquele momento era só dele. Enquanto descobria o prazer anteriormente descrito, descobria-a como ser que, por qualquer razão, estava a seu lado. Ela descobria aos poucos que o amava; ele também, faltava apenas saber que ela o amava. De qualquer forma nada disto é meritório desta narrativa ou de descrições aprofundadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que interessa é que é de manhã, uma daquelas manhãs das quais ele só se recordava na infância. Estava um cheiro novo para além do cheiro da neblina, o cheiro a sono dos dois corpos que, por acaso, se tinham juntado pela primeira vez nessa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amas-me?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, amo-te. (Sem muita convicção, mas ando para aqui a descobrir umas novas sensações a que talvez possa chamar de amor. Logo se vê).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou muito feliz por estar contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também. (Deixa-me lá aproveitar estas novas coisas, que me estás a dar e que eu estou a adorar.) Sabes? O pior é que estou mesmo a gostar. Tenho medo e isso afigura-se como inevitável para mim. Desculpa lá esta desconfiança e este egoísmo. Tenho a certeza que daqui a uns tempos estou a pensar de outra forma. (Sim; fica só a sorrir assim para mim, a encher-me o ego e deixa-me só acabar o jornal.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaba-se o jornal e calmamente retorna-se às coisas da vida. Aquelas que são demasiado cansativas para integrar esta história, apesar de moldarem as personalidades de ambos. Agora só ao anoitecer vão encontrar aquele momento especial da manhã que acaba. Nestes passos seguros que são dados pela rua, caminham para a vida real que os espera lá ao fundo. Pensam que são lúcidos em relação aos seus sentimentos, ou pelo menos tentam ignorar que não se sente lucidamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-9139360820569479498?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/9139360820569479498/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=9139360820569479498' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/9139360820569479498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/9139360820569479498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagens-cont_2774.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4208845433662598417</id><published>2009-09-06T00:21:00.002+01:00</published><updated>2009-09-06T00:21:22.897+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>Psicadélico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabelo da cor de arco-íris, olhos de lince, de beijo quente e eu para aqui a escrever sobre isso, como se fosse imune a todas essas coisas do corpo, do material. Tudo é sempre demasiado vago para ser escrito, registado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espera aí que o gato vai a passar no corredor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é nada, está descansado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu que dormes e que vais ser despertada por mil despertadores e os últimos vão parecer os sinos de Nossa Senhora de Fátima. Tu que pensas o bom que era ter um corpo quente agarrado ao teu e talvez desconheças esse prazer, esse vício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tecidos do pijama colam-se ao corpo, lentamente o calor aumenta. Segura as mãos e a racionalidade. Foge do desconforto de seres politicamente incorrecta e sobretudo, de te sentires mal com isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O planeta é demasiado grande e azul para que se registe tudo o que nele se passa. Nós é que nos lixamos, que temos de viver nele, de o aturar a ele e mais às suas taras. Pianos velhos tocam notas desafinadas de um instrumental esquecido. Eu tomo o vinho como bom e reparo nas tuas sardas e no sorriso que elas trazem atrás. Aparece uma guitarra havaiana e penso no teu fio dental, no vestido de um tecido transparente, fresco e lindo. O fim de noite, o tirar da t-shirt repentinamente, “como quem chama por mim”. A calma do encontro físico, do quente-calmante, da verdade nua e crua. Há pessoas tão infelizes no mundo, tão subjugadas à realidade que não conseguem apreender o sonho esforçando-se continuamente sem parar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Grito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A calma do vento que passa por entre o alecrim da serra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminha por entre a tormenta de pensares, de seres tu simplesmente como te apetece. A loura mascarada de qualquer coisa que não te atrai. Há alguma coisa que te atrai no mundo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Pois, está bem. Até amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinzeiro cheio por um montão de beatas de cigarro, algumas beatas de cigarros de enrolar e algumas beatas de outras coisas que se fumam, porque sim e não há mais nada a escrever sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vias as estrelas desaparecerem por entre o nascer do dia, quando os crepúsculos eram cor-de-rosa e a aragem era já muito quente. Deitada na relva fresca, onde as formigas te beijavam as costas e a terra era uma cama fofa e confortável. O frenesim das abelhas madrugadoras já se fazia notar em zumbidos harmoniosamente zumbidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas ambiciosas ficam feias e carrancudas nas noites de lua cheia. Nas noites de outras luas também, mas hoje é noite de lua cheia. A lua estática e brilhante como o brilho dos olhos das pessoas ambiciosas. Um brilho estático não brilha, é um dado cientificamente comprovado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo, o pânico, o prazer. Músculos tensos, doridos, a doerem de doer. O piano está a gozar comigo, mas dá-me força brincar assim com ele. Tenho uma cerveja morta em cima do piano e trazes-me a frescura do teu cheiro e do teu porte; os brincos longos, o chapéu discreto da moda Outono/Inverno, os óculos de Conde Drácula do Coppola, o beijo dos lábios carnudos e perfeitamente coordenados, linha de um deus maior qualquer; as passas do Algarve para te encontrar enfim nos meus braços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4208845433662598417?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4208845433662598417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4208845433662598417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4208845433662598417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4208845433662598417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagens-cont_06.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-7339580077812438257</id><published>2009-09-05T23:55:00.002+01:00</published><updated>2009-09-05T23:55:45.852+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Paixão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sorriso amarelo de quem sabe que a seguir ao meu último gole de aguardente velha, ao teu último copo de Gin, talvez tónico, os corpos se vão unir pela primeira vez. Suados, cansados da solidão de todos os tempos vividos, mas que agora já nada valem, por terem passado ao passado. Já não bastam paredes cheias de quadros, nem o CD que se ouve e que se pode escolher por entre muitos, nem o vinho que nos acompanha, nem os quadros que se pintam, nem os pensamentos que se escrevem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nossas rugas de expressão são o primeiro sintoma de algum cansaço, prenúncio da rápida cedência física às directivas da nossa cultura. Não podes estar só, não podes ficar só, mesmo que estejas habituado a isso e mesmo que seja isso que queres para ti, para a tua imagem para com os que te rodeiam. Pegas-lhe na mão como se fosse um arbusto que te salva da queda vertiginosa de um precipício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio de duas bocas, ou talvez a coragem de deixar sair um desabafo estúpido pouco a propósito, em jeito de justificação plausível. Mas amanhã estaremos juntos outra vez, porque tem de ser, porque é a vontade de ambos e porque é o medo de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir desse momento, escolhido para ser o ponto de partida, o teu cheiro aflora a superfície das situações quotidianas mais corriqueiras. Aquelas coisas do dia-a-dia a que falta associar um cheiro bom; um cheiro de querer muito um brinquedo, que se cobiça, na montra da loja quando se tem seis anos de idade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Verão corre rápido e ninguém se lembra que ainda nem começou. A pele de galinha é uma constante nas noites que se pensam quentes e tu apareces a saltar por entre ideias, por entre as palavras desconexas e uma profunda insatisfação qualquer que, de tão importante, se tem medo de procurar as razões mais próximas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-7339580077812438257?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/7339580077812438257/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=7339580077812438257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7339580077812438257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7339580077812438257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagens-cont_05.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-2174926083371516848</id><published>2009-09-05T23:54:00.002+01:00</published><updated>2009-09-05T23:54:28.084+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O cheiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva de final de Agosto molhava a terra e fazia com que o cheiro de terra molhada entrasse nas narinas e acordasse a pessoa mais distraída. Era o final de um Verão quente, muito quente e seco e aquela chuva era já bem vinda, fazendo com que houvessem sorrisos em todas as caras. Lembrava-me do cheiro da camada humosa que jazia debaixo de um castanheiro e do vapor de água que dela saía, quando aí metia as mãos e o fresco daquela água tornava-se quente, húmido e acolhedor. Os pássaros piavam mesmo assim e parecia-me esquisito, porque pensava que os pássaros paravam de piar quando chovia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse Verão tínhamos feito amor debaixo do Castanheiro, ao som de uma música calma, com guitarras de uma época já distante. Aquele medo de pedir-te em namoro, a dúvida disso mesmo, de tudo e de viver as coisas da vida tão intensamente como quando o nosso coração era o de um cavalo alazão em permanente correria. Depois acabei por preferir beijar-te e abraçar-te em jeito protector, com um sorriso nos lábios e mudo, que era para não dizer porcarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiram-se mais umas noitadas nesse final de Verão, muitos copos e sorrisos sem compromissos. Fui para a faculdade. Fui-me embora, mas guardei o teu cheiro numa recordação distante dos meus ficheiros de memória. Provavelmente lembrei-me desse cheiro, numa ou outra noite em que, de tão bêbado ou só sem estar etilizado, me restava apenas o cheiro, já não recordando o castanheiro, a chuva e o final daquele Verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro a terra molhada voltou em toda a sua plenitude no dia em que te voltei a encontrar. Mesmo assim pareceu-me apenas familiar e nada estranho. Deste-me um beijo e recordei um sorriso que não sabia nem onde, nem porquê tinha sido feito. O piar dos pássaros continuava, mas agora estava associado a outras lembranças de manhãs de nevoeiro, a outros sons díspares e a outras aventuras sem castanheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As noites quentes voltaram todos os anos, com a renovação da importância do teu cheiro a terra molhada. Tinha saudades de ruas de grandes prédios; de movimento, de carros, buzinas, muitos néons e algumas músicas apropriadas a essas noites. Tu vinhas também contar-me outras noites, diferentes por serem tuas, debaixo de um castanheiro, enquanto bebíamos cervejas e ouvíamos músicas de outras épocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio a noite em que trocámos palavras, experiências, lágrimas e tudo soou como que a novidade, até aquelas coisas que eram tão usualmente nossas. Sente-se o coração a bater outra vez, sente-se que não há mais tempo a perder. Todas as noites ficam iguais pelo prazer tão simples de estarmos juntos, de termos coragem de sentir a vida sem remorsos, de recordar os sorrisos de outros nos momentos menos bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim de Agosto, numa tarde em que líamos livros debaixo do castanheiro, começou a chover. Olhei para ti e sorri quando disseste, de lábios a tremer, que te lembravas do cheiro de uma noite, depois de uma chuvada como esta, debaixo de um castanheiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-2174926083371516848?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/2174926083371516848/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=2174926083371516848' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2174926083371516848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2174926083371516848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/09/viagens-cont.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6347682371775113834</id><published>2009-08-28T13:27:00.000+01:00</published><updated>2009-08-28T13:28:15.776+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>Musa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         A mochila de cabedal a tiracolo e um andar pelas ruas com a segurança de um gigante rodeado por formigueiros. O café a complementar o sal da comida do almoço e o cigarro fumado, graças aos dedos finos e compridos, proporcionais ao tamanho das mãos. O gesto firme e o tique nervoso quase imperceptível, mas indisfarçável. Outros dias houve em que se conseguia ter uma conversa de café, sem que existisse a necessidade de ter o semblante carregado, sem que a boca se enche-se de conversas sérias, profissionais, horríveis,&lt;br /&gt;         O mundo adquire a textura e frieza do plástico e, mesmo que o céu fique limpo, parecerá sempre que tem uma cor baça, próxima do cinzento da poluição das fábricas. A pele branca será macia nas horas de descontracção mental e as rugas de expressão tomam proporções e contornos de estátua grega, num jogo de luz e sombra.&lt;br /&gt;         Às vezes tomas poses de princesa de conto de fadas, a bordar linho e a picar dedos em agulhas. Da ferida jorram palavrões, incertezas, irritações momentâneas e facilmente ultrapassáveis. O brilho existente nos teus olhos confunde-se com o dos objectos metálicos que pendem das tuas orelhas e do lampejar do olhar sarcástico, fruto da boa disposição que os ácidos têm quando estão guardados num frasco de laboratório.&lt;br /&gt;         As muralhas erguem-se sempre mais alto, porque há a necessidade de defesa, teórica e prática. As muralhas desmoronam-se quando uma distracção, talvez propositada, se converte em abalos sísmicos a grande escala. O sorriso vem acompanhado de subtis afagos de pele, de beijos de lábios molhados, de promessas vãs sem sentido. Os pensamentos sérios poderão sempre tornar-se pesadelos, problemas, frustrações constantes, daquelas que, felizmente, adormecem de quando em vez para que o guerreiro possa descansar e preparar-se para nova luta.&lt;br /&gt;         Os olhos vermelhos de lágrimas a olharem por cima de um lábio trémulo, de súbita lucidez. Tinha vontade de te dar um enorme abraço de reconforto, de amizade extrema e respirar fundo, para que sentisses a força do meu peito, o porto de abrigo, protector de uma tempestade crónica, que será a tua vida. Não dou porque te tenho de manter na distância de musa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6347682371775113834?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6347682371775113834/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6347682371775113834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6347682371775113834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6347682371775113834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagenscont_1870.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-8547793942245061616</id><published>2009-08-28T13:17:00.000+01:00</published><updated>2009-08-28T13:27:47.391+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>Miles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         O sopro profundo e demorado a revelar um fôlego de gigante; o suor da testa a fazer com que brilhe como uma lua em quarto crescente; a concentração de quem busca um zen e fico sem saber se era profissionalismo, génio ou sentimento bruto, apresentado sem ser esculpido. Fumo na sala não sei se havia, mas penso que sim. Olhos grandes e secos, feitos quando deus se lembrou de inventar o Vodka Tónico. As ancas vincadas e os seios firmes de uma mulher marcados na luminosidade do teu rosto através dos músculos faciais, seguindo um ritmo regado de suor. Suspeito que fazias amor contigo mesmo.&lt;br /&gt;         As barracudas vêm por mar numa manhã de nevoeiro, em cardume que mais parece um bando de pássaros. A tarola solta-se como que descontrolada e vem uma vontade de ter espasmos, de sorrir, de rebentar com o coração que acelera como o de um velho taquicardíaco de oitenta anos.&lt;br /&gt;         Levanta-te, acorda para a vida e ressuscita de toda a morte dos preconceitos. Esta é velha e ultrapassada mas ainda cai bem. Os cabelos longos até por debaixo dos ombros; a franja certinha, de cabelos lisos e finos, o sorriso a contrastar ligeiramente com a pele branca. Mas agora já é noite. Lembro-me do teu olhar perdido no reflexo da Lua, da pele branca digna de um sonho gótico dos escritores do século XIX.&lt;br /&gt;         O suor e os seus mais diversos sabores em ti, como se me perseguissem; o sumo da tua saliva e o adocicado da tua pele. O cabelo molhado do cansaço e do banho também; as florestas tropicais e todos os ecossistemas possíveis, até o deserto com a água dos seus cactos. Beijos dados numa intensidade calma, como se fosse possível, e todo o pensamento surge tão somente de uma força interior.&lt;br /&gt;         O ombro feminino revelado por um espaço entre os cabelos; ao longe e meio desfocado a força bruta da vontade do ser humano, o domínio da natureza, a festa brava. Os espelhos reflectem a minha imagem, perseguindo-me ela também. O sabor amargo do Vodka Tónico traz outra vez as memórias, a felicidade que falta ao momento, as alucinações de dançar sem som.&lt;br /&gt;         Há sempre trompetes a tocar pelos cantos, por sítios e nas épocas menos esperadas; parecem pássaros a cantar uma qualquer glória da natureza e outros sons parecem uma crua realidade, os pesadelos, as sombras de nós próprios.&lt;br /&gt;         A percussão bate forte em todos os sentidos e continua a ser o som capaz de provocar um quase orgasmo num ser humano, na medida em que apenas se ouve e se deixa entrar pelo corpo adentro. Alguém diz que os bateristas têm sempre uns braços lindos.&lt;br /&gt;-         A cerveja, onde está a cerveja?&lt;br /&gt;Cinzeiros já cheios e o empregado que já não se preocupa com a limpeza; com os amendoins que se misturam com as gotas de cerveja que caíram na mesa e com as peles e cascas. A mistela é repugnante, mas de repente tudo se cala e ficamos meio perdidos naquela atmosfera de silêncio. Eu lembro a Lua e o reflexo das pedras de calçada nas noites de chuva fria.&lt;br /&gt;Há sempre um piano que jaz num canto da sala; há sempre uma voz que se sobrepõe às outras. Tens medo de olhar nesse sentido porque pode sair alguém nada interessante. A cerveja molha-te os lábios de vez em quando. Afinal vês as pessoas felizes, pensado que talvez seja só uma moda de toda a gente se amar muito.&lt;br /&gt;Um Cohiba a rodar e uns quantos comentários de tentativa de falar a sério. As conversas paralelas, silenciosas através das trocas de olhares paralelas.&lt;br /&gt;-         (Para onde vamos a seguir?)&lt;br /&gt;-         (Vamos para casa. Despistamo-los, para irem dormir e depois voltamos para a noite.)&lt;br /&gt;-         (Não penses que me vais levar a casa e depois vais sair com esse gajo para os copos. Queria passar a noite contigo!)&lt;br /&gt;-         Vou para casa e não vai dar para ir contigo porque tenho aulas amanhã e quero ir dormir.&lt;br /&gt;As reacções, as mentira e voltávamos a rir, como se tudo fosse tão idílico como um quadro de um restaurante chinês; como se fosse música tocada em guitarra clássica. A cidade tinha sempre algumas noites quentes e nesses tempos os corpos amavam-se pelos jardins, por entre árvores, arbustos, fumos e líquidos. Nascia o desgosto precoce de aqueles dias terem um fim, que era mais que certo, a certeza de que nem tudo são rosas, que nem tudo é feito de eternidades, apesar dos momentos se apresentarem sempre como tal.&lt;br /&gt;Gostava particularmente dos olhares concentrados em livros de folhas brancas, de tão novos que eram. Gostava de ver aquelas figuras sentadas ou deitadas, com sorrisos ou de semblante sério, a devorarem palavras umas após as outras. Queria ser todas as palavras do mundo e queria ser todas as construções frásicas adequadas a todas as situações.&lt;br /&gt;Arrastava o meu corpo e o de um amigo pelo cimento de um chão anónimo e por entre o grito intermitente de “eu existo e sou feliz”. Escrevíamos um cadáver esquisito; “ela esta a escrever contra um poste, olhou e, por entre o desequilíbrio, conseguiu sorrir. Eu dei o papel de multibanco e ele deu a caneta”. Como se toda a gente se tivesse sempre de complementar com alguém, como se nunca fossemos nada sozinhos.&lt;br /&gt;Na casa labiríntica de divisões e de pessoas, procurávamo-nos uns aos outros e a varanda era reservada a todas as dúvidas e a todas as verdades. As cenas do costume por entre conversas, beijos e desalentos. Alguém ri de uma cena comum; alguém chora muito de uma insignificância importante. Eu queria-te no meu mais profundo íntimo, por mim guardado a sete chaves. Gostava dos raros abraços e dos raros momentos só nossos. Ouço sempre música clássica quando penso em ti, para dar melodia contínua a um sonho tão disperso em momentos.&lt;br /&gt;A comunicação tem a vantagem de permitir coincidências tais como as sintonias. O sarcasmo de um sorriso de alguém que finge perceber tudo, ou perdido na tua figura, na tua existência próxima e constante. As paredes brancas faziam-me companhia nas horas de queda vertiginosa, deixavam, no entanto, de ter o ar acolhedor de almofadas para passarem a ser só paredes, só cimento e só tinta fria.&lt;br /&gt;O rap jazz sucedia as canções meladas do Chet, para que o contraste tivesse lugar no mundo. Os sorrisos de fim de tarde faziam logo anteceder a noite, para trás do limbo matinal, quando não se lhe pode chamar de inércia total. O Miles vinha ter connosco à hora de jantar, como se fizesse alguma falta e o Whisky não fosse suficiente. Os passos seguintes eram desencadeados nas calçadas das ruas, vinham com as piadas, as conversas sérias, as conversas mais sérias ainda, quando duas pessoas se afastam para estarem mais à vontade. Vinham os sonhos, as vontades – sim, porque eram muitas – e a felicidade de tudo e de nada.&lt;br /&gt;Às vezes a corrente do rio era forte, tal como as nossas ambições que se revelavam no encher o peito de ar, que vinha de uma serra distante, que percorria todo um vale. Deveriam haver sempre garrafas para beber, tabaco para fumar, e sorrisos eternos feitos de concretizações, de sonhos e medos também, que nos fizessem crescer mais e mais.&lt;br /&gt;O vinho do jantar era delicioso, quando os travos eram engolidos, com toques por baixo da mesa, com olhares de engate ou talvez não, mas como se querer fosse proibido e secreto.&lt;br /&gt;Preferia depois os momentos de me deitar a ler um livro a ouvir ópera, escrevendo em papéis, mais tarde em folhas e depois em cadernos mais organizados dentro do caos. Os fantasmas e os anjos juntavam-se para me beijarem, quando me rodeavam como moscas no final de tardes de Julho.&lt;br /&gt;A solidão existia porque tinha de ser e mais nada há a explicar. Porque choram assim os trompetes e todos os instrumentos, como se prolongassem e apregoassem a dor de quem os toca, de quem os ouve? Deixaram um dia de tocar esses sons, no bar, supostamente incorruptível onde nos refugiávamos.&lt;br /&gt;Descansas finalmente e vais dormir um pouco durante as horas que te forem dadas. Respiras os últimos acordes na casa labiríntica onde ainda se faz amor pelos quartos. O teu quarto tem sempre luz exterior que viola o espaço pelas frinchas dos estores. É dia já, ou nunca anoiteceu, ou tudo parou, estático, todo o mundo, para que nenhum tempo morto exista; o horror a vazio e o barroquismo, o sono e o cansaço...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-8547793942245061616?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/8547793942245061616/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=8547793942245061616' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8547793942245061616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8547793942245061616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagenscont_28.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-5439924832659325861</id><published>2009-08-26T19:10:00.001+01:00</published><updated>2009-08-26T19:10:23.181+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Carta a Vergílio Ferreira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;         São três da manhã e acabei de chegar a casa. Sim, possivelmente vou descrever o meu dia. Não faças essa cara carrancuda agora; se não quiseres ler, não lês e pronto. Só estou a escrever para te comunicar uma única parte do meu dia. O resto terão de ser meros desabafos, que vêm por acréscimo e que são necessários apenas para mim. Um artifício para escapar à forma literária de um diário, porque fugi disso há alguns anos e porque hoje me declarei definitivamente contra eles.&lt;br /&gt;         Devo, por certo, pedir-te desculpas por este tratamento informal a que te submeto neste momento. Pergunto-me se gostarias de receber tal carta. Será que irias abrir o envelope? Se o abrisses, será que passarias o cabeçalho e o “Olá Vergílio”?&lt;br /&gt;A minha única explicação é que te tomei como meu e, como tal, se nunca fomos apresentados e eu até leio o que escreves-te, passas a ser meu como eu quiser, até que me arrependa ou que alguém mais leia isto. Aí então, terei de arcar com as consequências e logo se vê.&lt;br /&gt;Não sei o que se passou durante o dia, ou simplesmente não quero saber. Importa é que eu te diga o que te tenho a dizer, para despachar estas lérias de que não deves gostar nem um pouco. Estive contigo numa loja. Encontrei-te numa prateleira, no meio de um punhado de livros muito coloridos e outros coloridos, mas não muito.&lt;br /&gt; Sabes? Houve um dia em que te quis encontrar e não consegui. Queria comprar-te para satisfazer este ímpeto que só tu me provocaste até agora. O ímpeto de querer muito que me fizesses companhia – através dos livros – e que me inspirasses um pouco com toda essa força de querer estar vivo. Pensei que fugiste cobardemente.&lt;br /&gt;         Hoje então encontrei-te e fiquei a esfolhear-te e a ler algumas coisas que para mim já não eram novas. Outras eram-no e perdi o interesse de te comprar para te ler, porque não estavam todos os teus livros publicados. Com os anos que convivemos, que já são sete, tornei-me mais exigente e não faço uma escolha que te envolva assim do pé para a mão.&lt;br /&gt;         Fugi dali, para sítios onde não tivesse de imaginar os sons. Para um sítio onde eles me saltassem à frente, oferecidos e fáceis de agarrar. Esqueci-te por umas horas e depois foste tu quem tomou a coragem de se meter comigo, até esta hora em que te comecei a escrever, interrompendo assim o monólogo com que me maltratavas.&lt;br /&gt;Às vezes tenho medo das coisas que escrevo, do eu que transparece e de que as pessoas, ao ler essas coisas, não sintam algo de similar ao que sinto quando te leio. Irás portanto, nessa tua dúvida permanente, perseguir-me também neste plano, o do computador e também quando só umas folhas me acompanham. O pior é quando existe o desespero de não ter um papel, uma caneta ou definitivamente, não poder escrever por uma questão profissional ou de cortesia para com quem nos faz companhia física.&lt;br /&gt;         Só procuro ligações contigo nas coisas que temos em comum. Preciso de não me lembrar desse teu egoísmo e desse teu alter-ego que me derrubaria num frente-a-frente em cinco minutos.&lt;br /&gt;Só amo muito e tanto que não cabe dentro de mim. Só preciso de escrever essas explosões, esses renascimentos e esses suicídios da forma como penso, ou da forma como prefiro pensar que tu o farias.&lt;br /&gt;         Tenho pena. Muita pena que a nossa relação seja esta. Já pensaste que poderíamos ser amigos? Não. Estou a afastar-me de tudo. Não é? Deve ser do cansaço, deve ser das noites inquietas que tenho tido desde que me acompanhaste numa viagem de comboio. Eu sei, deveria saber que corria esse risco. Sabes como é? Às vezes uma pessoa não pensa no que faz e vive apenas como se tivesse pressa de o fazer, porque a qualquer momento tudo pode desaparecer.&lt;br /&gt;         Depois há a frustração de não me poderes responder. Pois, similar aquela que o Malraux te pregou. Em primeiro lugar não sei do que se trata, porque nunca li a tua carta para esse senhor…&lt;br /&gt;Não me venhas com essas merdas de ter vergonha de admitir a ignorância. Não li. E agora? O que é que pretendes fazer? Claro que gostava de uma resposta. Deves pensar que sou doido, para estar aqui a escrever e a perder o meu tempo, sem querer nada em troca. Desengana-te, que posso ser simplório, mas não sou um espírito acomodado.&lt;br /&gt;         Já vou no segundo cigarro e esta conversa já não tem muito mais para dar. Para dar a mim, logicamente. Tira lá esse sorriso de troça, como que a chamares-me pretensioso. Nunca te dei confiança para isso.&lt;br /&gt;Vou-me deitar que amanhã tenho de trabalhar. Não fiques para aí à espera que eu continue a escrever. Há coisas que se têm de dar por terminadas antes de o estarem. Chama-se isso um destruição precoce. Já agora que estamos nestas intimidades, um grande abraço deste teu dono. Boa eternidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-5439924832659325861?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/5439924832659325861/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=5439924832659325861' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/5439924832659325861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/5439924832659325861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagenscont_5051.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6557918662074005639</id><published>2009-08-26T19:09:00.001+01:00</published><updated>2009-08-26T19:09:52.795+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O Comboio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez por ano precisas disto; uma viagem de comboio e um livro que não te deprima, mas que te pinte os dias de um cinzento sóbrio, num quadro onde começa a haver espaço para outras cores. Foges para o encontro de um amigo ou alguém conhecido, alguém que te dê um sítio para dormir por dois ou três dias. Se não houver sítio, não há problema porque existem sempre pensões. O problema é se não há amigo, nem conhecido, mesmo que sejam daqueles acidentais e de efémera amizade.&lt;br /&gt;Ainda por cima de comboio. Aquelas paisagens de zonas industriais umas atrás das outras; aquela gente com bandeiras levantadas e de vida em baixo, se é que pensam muito nisso. Quando se tem por objectivo satisfazer meia dúzia de necessidades básicas, sendo comer uma delas, não cabem questões de ordem existencial e sentimental. A não ser que se seja fora do comum e então as pessoas que te rodeiam vão-te chamar de tolo, e dizer “coitadinho”.&lt;br /&gt;(Há pessoas que nascem para absorver o que o mundo lhes dá. Há outras que nasceram para viver tudo o que o mundo lhes dá, sem o absorverem muito, que é para não terem indigestões. Essas pessoas caracterizam-se por um único sentimento que lhes transpira pelos olhos, a indiferença.)&lt;br /&gt;Vão pessoas a entrar e a sair. Os mesmos gestos; a chave a abrir portas, fechar portas, confirmar a partida. Quando o comboio está parado não se ouve barulho nenhum porque a electricidade não faz barulho. Antes de anoitecer vai-se olhando a paisagem. Vem o túnel que tem sempre uma luz ao fundo; depois a desilusão de a paisagem ser igual ao outro lado. As pessoas continuam com os mesmos gestos e com as mesmas expressões.&lt;br /&gt;Quanto mais te afastas do teu sítio, mais percebes que não pertences a lugar nenhum, mas deves continuar a pertencer a algum lado. Mas tu adoras estar deprimido, uma vez por ano, sempre em Março. O tempo do sol e da chuva é que comanda as operações, os estados de espírito, os sorrisos e os olhos tristes. O “tempo da renovação”, a que agora se diz “ser em continuidade” por ser mais centralista e politicamente correcto.&lt;br /&gt;Chegas a casa e olhas para ti; tentas sorrir, tentas dizer que para o ano já não precisas do comboio, que esta viagem resultou, que foi linda no final, que foi o recomeçar. Gostavas de te afogar em álcool e nem para isso tens coragem. Não consegues forjar a tua decadência e tens de viver com esta. Sinceramente, um comboio!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6557918662074005639?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6557918662074005639/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6557918662074005639' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6557918662074005639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6557918662074005639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagenscont_26.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-7237128569490101178</id><published>2009-08-25T18:35:00.000+01:00</published><updated>2009-08-25T18:36:11.552+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Irish Cofee&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-         Que deseja? Por favor.&lt;br /&gt;Precisava de um sorriso assim, que me fosse mais familiar e que me trouxesse o conforto de um colo ou de um afago na cabeça. Precisava para isso de saber o teu nome e depois o proferir como se fosses uma deusa e eu o pobre e devoto acólito, sem deixar de sentir todo o fervor ortodoxo que me seria inerente.&lt;br /&gt;-         Um &lt;em&gt;Irish Cofee&lt;/em&gt;. Por favor.&lt;br /&gt;Uma certeza de que não sou todas as porcarias que penso ser às vezes, fugindo aos pensamentos estúpidos que nos acometem a todos, em algum momento da vida em que nos encontramos menos seguros de nós.&lt;br /&gt;-         Aqui tem. Deseja mais alguma coisa?&lt;br /&gt;Preciso voltar a aprender a ser o meu psicólogo, exorcizando estas porcarias de pensamentos que vão crescendo como bolas de neve numa encosta íngreme. Aprender a superar as coisas que nos transcendem, mas que não deixam de ser nossa criação. Preciso acreditar que sou capaz de acreditar em mim e no absurdo que me rodeia. Voltar a juntar as peças do puzzle e encontrar-lhes o nexo, mesmo que a imagem reflicta um Kandinsky obscuro, a negro e vermelho.&lt;br /&gt;-         Nada. Obrigado.&lt;br /&gt;Cresce um pouco e olha para a criança que és. Analisa bem os sonhos que carregas irresponsavelmente, sem que te importes se os vais conseguir realizar ou não. Muda a música do bar e trocas o traçar de perna porque tens em conta estes sinais, para que alguma coisa mude em ti, mesmo que seja um pormenor em que só tu reparas.&lt;br /&gt;-         Olhe. Por favor.&lt;br /&gt;Não me faça esse sorriso simpático que gostaria de não voltar a por aqui os pés. Gostaria de não a associar a este espaço, a esse uniforme, a essa simpatia comercial.&lt;br /&gt;-         A conta, por favor.&lt;br /&gt;Bem rápido, que tenho alguma pressa em sentir a chuva fria a molhar-me sem remédio, sem tecto que me abrigue temporariamente. Quero ter a certeza que sou o único a caminhar devagar pela rua; sentir gota a gota sobre mim, pensar na bebida quente de há uns minutos e na tua simpatia pouco comum por estes sítios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-7237128569490101178?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/7237128569490101178/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=7237128569490101178' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7237128569490101178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7237128569490101178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagenscont_8878.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-3449452133405777057</id><published>2009-08-25T18:32:00.000+01:00</published><updated>2009-08-25T18:34:47.907+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Cinema&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Saio do cinema e a noite aparece diante de mim assim vinda do nada, sem que eu esperasse que tal acontecesse ou sequer o tivesse desejado. Vejo apenas as luzes das avenidas, dos poucos carros que passam e do néon de alguns estabelecimentos comerciais já fechados. São só três da manhã. Sinto o ar fresco carregado de humidade e de algum frio, sem vento; aquele ar que faz ter vontade de puxar um cigarro e de ver o vapor a sair da boca, incessantemente, à contra a luz do candeeiro de rua.&lt;br /&gt;         Seguem-se os ambientes mais quentes das casas comerciais ainda abertas. Os balcões de madeira ou os de mármore ou granito. Eu prefiro os balcões de madeira, por serem mais aconchegantes e menos pós-modernos. As bebidas.&lt;br /&gt;-         Um Vodka Tónico, por favor.&lt;br /&gt;Encostar o corpo ao balcão, que por acaso não tem bancos; reparar no ar carregado de fumo. As pessoas; algumas pessoas; uma pessoa em particular; os olhares.&lt;br /&gt;-         Mais um Vodka Tónico, por favor.&lt;br /&gt;O sorriso; as mãos; um cigarro; um desviar de olhar e um pensamento sobre qualquer coisa do quotidiano ou sobre uma problemática mundial.&lt;br /&gt;-         Olá.&lt;br /&gt;A timidez; um sorriso e um desviar muito rápido de olhar.&lt;br /&gt;-         Queres um copo?&lt;br /&gt;-         Sónia.&lt;br /&gt;-         Miguel.&lt;br /&gt;-         Fumas?&lt;br /&gt;-         O quê?&lt;br /&gt;-         Estou a perguntar se fumas.&lt;br /&gt;-         E eu estou a perguntar o que é que queres fumar.&lt;br /&gt;-         Lá fora.&lt;br /&gt;Uma viagem de carro; as avenidas iluminadas; poucos carros; a linha contínua ou a faixa separadora onde se centra o olhar. Outro bar e outras pessoas; agora já só os teus olhos; piropos e novo desvio de olhar.&lt;br /&gt;-         Dois Vodka Tónico, por favor.&lt;br /&gt;Uma conversa; um sorriso; um ar sério; o meu apartamento. O bar; os livros; uma conversa; o sofá; uns beijos...&lt;br /&gt;Um cigarro; cinco cêntimos pelo teu pensamento; sorrisos; beijos e alguma melancolia. Alguém disse que depois do prazer do orgasmo é impossível que as pessoas fiquem felizes, que não haja sempre um vazio causado pela felicidade anterior; acho que tem razão.Queres ir ao cinema amanhã?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-3449452133405777057?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/3449452133405777057/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=3449452133405777057' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3449452133405777057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3449452133405777057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagenscont_25.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-55869206152254731</id><published>2009-08-23T00:36:00.001+01:00</published><updated>2009-08-23T00:36:33.987+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>O fumo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-         “O fumo azulado”. Grande besta! Onde é que já se viu? Bem sabe ele de que cor é o fumo. Se calhar para ele é tudo muito azulinho. Porra! O fumo é cinzento. Será que o homem tem medo de ser conotado com alguém que vê tudo escuro, tudo muito fumado.&lt;br /&gt;Saca de mais um cigarro e tosse com a pressa de falar. Inspira outra passa, porque há coisas que devem ser ditas depois de uma boa inspiração de nicotina. Também é importante deixar sair o fumo pelas narinas enquanto se fala.&lt;br /&gt;-         É cinzento ou não é? Até gosto de ler este gajo, mas sinceramente, “o fumo azulado”.&lt;br /&gt;-         É sim senhor, uma salva de palmas para o iluminado aqui ao lado.&lt;br /&gt;Olhas para trás e enfrentas a cara do provocador durante uns breves segundos. Depois olhas para a cara das pessoas que te rodeiam e reparas nas suas expressões de expectativa para as cenas dos próximos capítulos.&lt;br /&gt;Continuas a fumar o teu novo cigarro, agora mais calmamente. Reparas na cerveja, uma caneca de meio litro que tens em cima da mesa e pensas. Pensas em beber e pensas que, nessa noite, o jazz está muito bom neste bar infecto de fumo cinzento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-55869206152254731?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/55869206152254731/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=55869206152254731' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/55869206152254731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/55869206152254731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagens-cont_23.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4803026271849031659</id><published>2009-08-23T00:33:00.000+01:00</published><updated>2009-08-23T00:36:06.579+01:00</updated><title type='text'>Viagens... (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O quarto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarto cheio de fumo e de umas quantas notas de um jazz esquisito para o momento, mais as roupas que por ele estão espalhadas, assim como alguns objectos de valor meramente sentimental que emanam esse odor e esses sons. De vez em quando surge um forte cheiro a látex, indício do amor ou sexo que ali acontece.&lt;br /&gt;Nas paredes restam bocados da tua vida e de vidas de outros, que em algum momento contigo se cruzaram. Nunca retiraste nada daquelas paredes. Foste sempre acrescentando e no fim pouco restou de realmente significante. Mais uma guitarra a lembrar os tempos em que era tocada; mais uns quadros pintados, outros reproduzidos e umas fotos artísticas a dar para o pseudo-intelectual. &lt;br /&gt;Dali só saíam quadros inertes e estanques, tal como os livros de uma estante; todos ordenados e sem alguém que lhes pegue há muito tempo, que os compreenda, que lhes dê o uso pretendido quando foram comprados.&lt;br /&gt;-         Porquê Klimnt?&lt;br /&gt;-         Foram-me oferecidos. Um dia esse gajo e as suas imagens entraram-me pela vida a dentro sem pedir permissão, mas não me importei muito e até gostei. Sinto cada quadro como se fosse um pouco da minha vida, por isso não me desfaço deles, nem de nada do que aqui coloco.&lt;br /&gt;-         O que é aquele quadro? É bastante estranho, o artista. Tem aquele toque impressionista e não conheço o autor.&lt;br /&gt;-         Aquele quadro foi pintado por três homens podres de bêbados e quem assinou foi o que deu as tintas. Era um direito que lhe assistia. Estávamos num café e uma criança disse ver ali um palhaço, enquanto nós queríamos ter pintado uma natureza morta. Afinal deve ser só um momento que simboliza um caos organizado na vida de três estúpidos felizes. Percebes agora a atrocidade de falar em impressionismo; isto foi só um momento. Vocês e a mania dos rótulos.&lt;br /&gt;-         Está bem, desculpa, é muito giro.&lt;br /&gt;-         Pois é.&lt;br /&gt;-         Desculpa se te estou a chatear.&lt;br /&gt;-         Não estás nada. (Esta passa forte no cigarro é apenas um reflexo de nada.)&lt;br /&gt;-         Fala-me daquele quadro a carvão ou lápis.&lt;br /&gt;-         É um lápis de carvão. Foi desenhado por um turista oriental que estava na mesa ao lado, na esplanada. Deve ter achado piada a um grupo de estudantes a beber e a conversar. Nem se preocupou em pensar se tinham estado sempre ali ou qual seria o seu futuro assim que dali saíssem. Agora é apenas um quadro em que se reconhecem os meus traços e não os das outras pessoas. Ficas tu também a saber que agora já não nos aturamos uns aos outros. Na altura das discussões de café dizíamos entre dentes que até gostávamos uns dos outros, reflectindo o medo que tínhamos de ficar sós. Não deixa de ser bonito; eu hoje é que estou um pouco céptico em relação a tudo. Guardo o quadro porque preciso lembrar não sei bem o quê.&lt;br /&gt;Num dos postais, que estavam pregados num placar de corticite, havia uma garrafa de Vodka, uma perna feminina e um letreiro ao lado, a vermelho, a dizer “O FUTURO PROMETE”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4803026271849031659?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4803026271849031659/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4803026271849031659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4803026271849031659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4803026271849031659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagens-cont.html' title='Viagens... (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-3889548236592880592</id><published>2009-08-21T11:19:00.001+01:00</published><updated>2009-08-21T11:19:24.953+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A noite&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos copos, muita gente e algumas luzes ténues, que são as coisas que se tornam vitais nas sensações de uma noite. Vêem-se olhares, pensamentos inerentes aos olhares, relações consequentes desses pensamentos, desilusões fruto dessas relações.&lt;br /&gt;-         Olá! Boa noite.&lt;br /&gt;-         Olá. – Responde uma ela qualquer.&lt;br /&gt;Contra o sorriso enviado houve apenas uns olhos algo cansados do momento e de toda a cena adivinhada em segundos, como o rol de recordações que dizem todos ter no segundo antes da morte nos transportar.&lt;br /&gt;-         Poderia passar a noite a conversar animadamente contigo. Faria de conta que me divertia ou talvez me divertisse. Depois, ao fim de umas horas e de percebermos que era como se sempre nos tivéssemos conhecido, com mais umas conversas, iríamos para a tua casa ou para a minha. Poderíamos ainda ir beber um copo a outro lugar mais calmo, primeiro. Depois vinha o cigarro e o inevitável “Porquê?” que nos assombra nos momentos de insatisfação, essa insatisfação sempre mais mental do que física. Portanto, poderemos poupar a futilidade desses preliminares formais ir para minha casa, se te apetecer, logicamente.&lt;br /&gt;Ironia das ironias. Depois de um discurso destes não consegue evitar a boa educação democrática do “se tu quiseres, claro”. Preocupar-se com o facto de ela querer ou não, onde é que já se viu?&lt;br /&gt;Perante um olhar de espanto, seguido de um sorriso de confirmação, seguido de uma boca aberta, como que a querer dizer qualquer coisa, continuam as palavras do mesmo interlocutor porque isto dos monólogos da noite tem muito mais piada&lt;br /&gt;-         Eu sei que estou um pouco bruto. Que queres? Sinto-me só, estou cansado e até te acho piada. Apeteceu-me ser frontal. As formalidades são apenas atalhos para o nada, porque só fazem demorar mais tempo a chegar a um objectivo, pior pode-se não se chegar a lado nenhum. Queres vir ou não?&lt;br /&gt;-         Desculpa, acho que estás um pouco bêbado demais. No entanto, como és sincero levo-te a casa. Onde vives?&lt;br /&gt;Dorme na tua cama. Acorda e foge para a janela e para o cigarro de fim de noite. Pensas que deverias ter ficado no bar, onde o ambiente estava bom e até te estavas a divertir.&lt;br /&gt;Aquele medo de acordar de manhã a perguntar “o que foi que se passou?” impede-te de voltar à cama, ou talvez tenhas medo de gostar do calor do corpo que tens a teu lado. Pode ser que a pele dos braços que ali jazem seja apenas um engodo, uma isca para atrair o peixe. Pode ser que venhas a descobrir que perdeste o controle dos teus sentimentos.Veste-te então e vai lá ver o nascer do dia a outro lado que não a varanda. Apanha a humidade que te penetra nos ossos lentamente e segue pela rua como se te castigasses. Afinal há sempre outras camas e tu tens de descansar, daí a pouco vai haver outra noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-3889548236592880592?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/3889548236592880592/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=3889548236592880592' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3889548236592880592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3889548236592880592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagenscont_21.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-5271289117365598869</id><published>2009-08-21T11:17:00.000+01:00</published><updated>2009-08-21T11:18:55.475+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;I – … nas imberbes realidades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coimbra&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de ter estado em algumas casas. Há outras que me são apenas familiares, talvez por as ter visto centenas de vezes. No entanto, tudo se resume às pedras da calçada irregular que me fazem tropeçar no regresso a casa; a passagem dos caminhos que me levavam a algum lado, mesmo que não me recorde frequentemente dos sítios onde estive.&lt;br /&gt;As pessoas aparecem ligadas às imagens, mas pouco importam. Por vezes encontro o teu cheiro pelas ruas. Possivelmente nunca aqui estiveste e tudo se afigura como uma mentira. Daquelas mentiras horríveis que parecem existir realmente. É aí que vem a saudade e a vontade de estar contigo outra vez, nos sítios onde tudo é mentira.&lt;br /&gt;Os diálogos não existem porque era desperdício de tempo escrevê-los. Existe apenas o silêncio da hora, entre a madrugada e a manhã, a calçada irregular e outras coisas que marcam as horas de solidão. É pena não chover como de costume, o cenário ficaria completo. É pena serem só estas palavras que descrevem uma cidade. Estás tu nestas palavras, é quanto basta. É a vantagem de se ter uma cidade; pomos lá quem nos apetece, porque a saudade existe, tal como a calçada, tal como as recordações que tenho de ti num sítio onde nunca estiveste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-5271289117365598869?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/5271289117365598869/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=5271289117365598869' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/5271289117365598869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/5271289117365598869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagenscont.html' title='Viagens...(cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-2802269125033580265</id><published>2009-08-20T18:08:00.002+01:00</published><updated>2009-08-20T18:09:26.515+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(Avertência)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;NESTE LIVRO EXISTEM&lt;br /&gt;38 RECLAMAÇÕES SENTADAS&lt;br /&gt;NO ESTABELECIMENTO COMERCIAL&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-2802269125033580265?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/2802269125033580265/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=2802269125033580265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2802269125033580265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2802269125033580265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagensavertencia.html' title='Viagens...(Avertência)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-8795120437820189730</id><published>2009-08-20T18:08:00.001+01:00</published><updated>2009-08-20T18:08:53.967+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(Dedicatória)</title><content type='html'>Para a Claúdia e Carolina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-8795120437820189730?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/8795120437820189730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=8795120437820189730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8795120437820189730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8795120437820189730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagensdedicatoria_20.html' title='Viagens...(Dedicatória)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-805671028724040028</id><published>2009-08-19T16:22:00.001+01:00</published><updated>2009-08-19T16:36:55.937+01:00</updated><title type='text'>Viagens...(Capa)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/Sowbp2ZRyyI/AAAAAAAABS4/YSZAEBkeRLc/s1600-h/viagens+capa.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 294px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371698861336283938" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/Sowbp2ZRyyI/AAAAAAAABS4/YSZAEBkeRLc/s400/viagens+capa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-805671028724040028?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/805671028724040028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=805671028724040028' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/805671028724040028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/805671028724040028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/viagensdedicatoria.html' title='Viagens...(Capa)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/Sowbp2ZRyyI/AAAAAAAABS4/YSZAEBkeRLc/s72-c/viagens+capa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-1549456474947522811</id><published>2009-08-19T16:17:00.002+01:00</published><updated>2009-08-19T16:22:51.008+01:00</updated><title type='text'>à capela</title><content type='html'>parece que se opta por se acabar como se começou; a publicação de um grupo de textos que entretanto foram apagados por terem sido alvo de publicação em papel; a primeira, precoce, inconsequente, precipitada. publica-se novamente o que resultou no &lt;em&gt;Viagens...&lt;/em&gt; como quem teima na mesma ideia de expor coisas que quase não são suas, paridas por uma força interior que se foi aprendendo a conhecer. depois disso, parte-se definitivamente para um outro lado onde o medo não existe e os intentos são muito mais firmes. encontramo-nos lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-1549456474947522811?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/1549456474947522811/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=1549456474947522811' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1549456474947522811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1549456474947522811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/capela_19.html' title='à capela'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-3892085137347513855</id><published>2009-08-16T01:31:00.002+01:00</published><updated>2009-08-16T01:34:30.720+01:00</updated><title type='text'>à capela</title><content type='html'>fui de férias e parece que tropecei no &lt;em&gt;Rapaz,&lt;/em&gt; parece que ainda é cedo para ele ver a luz informática da publicação virtual, parece que é altura de pôr este e outros textos em causa, parece que ainda haverão outros textos e fotos e quadros a serem aqui colocados, mas parece que a vida deste blog está a chegar ao fim. é assim, as coisas começam-se e tem por isso um fim à vista. até já, até amanhã ou até daqui a uns dias, sei lá quando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-3892085137347513855?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/3892085137347513855/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=3892085137347513855' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3892085137347513855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3892085137347513855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/08/capela.html' title='à capela'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-9068667594956793161</id><published>2009-07-15T14:06:00.000+01:00</published><updated>2009-07-15T14:07:52.285+01:00</updated><title type='text'>Máxima neo niilista</title><content type='html'>&lt;em&gt;Deus não existe à noite.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-9068667594956793161?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/9068667594956793161/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=9068667594956793161' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/9068667594956793161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/9068667594956793161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/maxima-neo-niilista.html' title='Máxima neo niilista'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4237948228027854164</id><published>2009-07-15T14:05:00.000+01:00</published><updated>2009-07-15T14:06:01.608+01:00</updated><title type='text'>Máxima estruturalista</title><content type='html'>&lt;em&gt;Uma rede é um conjunto de buracos unidos por um fio. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4237948228027854164?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4237948228027854164/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4237948228027854164' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4237948228027854164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4237948228027854164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/maxima-estruturalista.html' title='Máxima estruturalista'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-3518420926465523917</id><published>2009-07-12T00:03:00.001+01:00</published><updated>2009-07-12T00:08:27.080+01:00</updated><title type='text'>Espiral Dialéctica do Proletariado (os primórdios)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/Slka2k-mo6I/AAAAAAAABSo/IfKT4UGG7ac/s1600-h/Espiral+Dial%C3%A9ctica+do+Proletariado_os+prim%C3%B3rdios.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 336px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357342756675429282" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/Slka2k-mo6I/AAAAAAAABSo/IfKT4UGG7ac/s400/Espiral+Dial%C3%A9ctica+do+Proletariado_os+prim%C3%B3rdios.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Ter fome&lt;br /&gt;Sobreviver&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ninguém sobrevive, sempre&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-3518420926465523917?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/3518420926465523917/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=3518420926465523917' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3518420926465523917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3518420926465523917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/espiral-dialectica-do-proletariado-os.html' title='Espiral Dialéctica do Proletariado (os primórdios)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/Slka2k-mo6I/AAAAAAAABSo/IfKT4UGG7ac/s72-c/Espiral+Dial%C3%A9ctica+do+Proletariado_os+prim%C3%B3rdios.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-8111869871580946199</id><published>2009-07-11T00:26:00.001+01:00</published><updated>2009-07-11T00:28:53.852+01:00</updated><title type='text'>Espiral Dialéctica do Proletariado (Sangue e Retórica)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlfOmEjWI1I/AAAAAAAABSA/CgPlf2IN05s/s1600-h/sangue+e+ret%C3%B3rica.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 284px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356977435232838482" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlfOmEjWI1I/AAAAAAAABSA/CgPlf2IN05s/s400/sangue+e+ret%C3%B3rica.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Cair na espiral da dialéctica proletária&lt;br /&gt;Mergulhar no Sangue da Espiral vaginal&lt;br /&gt;Vomitar conceitos e puxar a água&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-8111869871580946199?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/8111869871580946199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=8111869871580946199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8111869871580946199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8111869871580946199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/espiral-dialectica-do-proletariado_11.html' title='Espiral Dialéctica do Proletariado (Sangue e Retórica)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlfOmEjWI1I/AAAAAAAABSA/CgPlf2IN05s/s72-c/sangue+e+ret%C3%B3rica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-737252151868127498</id><published>2009-07-10T17:48:00.001+01:00</published><updated>2009-07-11T00:26:39.168+01:00</updated><title type='text'>Espiral Dialéctica do Proletariado (Noite 12305)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SldxYsAiKOI/AAAAAAAABR4/7grvOCNZW4M/s1600-h/noite12305.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 288px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356874950724692194" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SldxYsAiKOI/AAAAAAAABR4/7grvOCNZW4M/s400/noite12305.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Renascer na espessura arenosa da noite.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12305te nacht&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dies ist meine 12305te Nacht&lt;br /&gt;Die ersten paar tausend,&lt;br /&gt;die kannst du vergessen,&lt;br /&gt;ich hab es auch getan&lt;br /&gt;Diese hier ist auch schon fast vorbei&lt;br /&gt;Was bleibt ist Nikotin und gelbe Finger&lt;br /&gt;Viele vorher die habe ich verpulvert&lt;br /&gt;und kurz- und kleingehackt&lt;br /&gt;in vielen verausgabt, verbraucht, gefluechtet&lt;br /&gt;verfluechtigt, den Drachen gejagt&lt;br /&gt;In einer Handvoll war ich nahe dran&lt;br /&gt;meist am Ende, nah am Ende,&lt;br /&gt;gegen Ende, gen morgen&lt;br /&gt;voruebergehend selbst ertraenkt&lt;br /&gt;Was bleibt ist Alkohol und dumpfe Traeume&lt;br /&gt;Mache gingen endlos und ich aus und los&lt;br /&gt;zu warten wo doch kein Bus faehrt&lt;br /&gt;alle vergingen, bis jetzt, bis 12305&lt;br /&gt;In machen warst du vorhanden&lt;br /&gt;aber ich war nicht ganz da&lt;br /&gt;In vielen hab' ich dich im Schlaf gesucht&lt;br /&gt;In vielen hab' ich dich schlafend gesucht&lt;br /&gt;Was bleibt?&lt;br /&gt;Von hier bis Mars war naeher&lt;br /&gt;als von mir bis zu dieIch schien aus Antimaterie zu sein -&lt;br /&gt;gefaehrlich!&lt;br /&gt;Es war meine 12305te Nacht&lt;br /&gt;In der du vor mir erschienst&lt;br /&gt;Du liesst deine Augen leuchten&lt;br /&gt;wohl nicht von ungefaehr&lt;br /&gt;Du warst auf derselben Suche und&lt;br /&gt;aus demselben Grund&lt;br /&gt;zog's dich wohl auch zu mir&lt;br /&gt;Insgeheim warst du mein Spiegelbild&lt;br /&gt;Ich zog dich und zu mirIch war in dir&lt;br /&gt;- zu seh'n; und umgekehrt&lt;br /&gt;Weck die Liebe nicht&lt;br /&gt;bevor es ihr nicht selbst gefaellt&lt;br /&gt;Bevor es ihr nicht selbst gefaellt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12305 th Night&lt;br /&gt;This is my 12305th night&lt;br /&gt;the first few thousand&lt;br /&gt;you might as well forget&lt;br /&gt;just as I have also&lt;br /&gt;this one here is almost finished too&lt;br /&gt;what remains is nicotine and yellow fingers&lt;br /&gt;many before I've frittered to powder&lt;br /&gt;and diced and minced into bits&lt;br /&gt;in many expended, exhausted, escaped&lt;br /&gt;extinguished, chasing the dragon&lt;br /&gt;in a handful I got very close&lt;br /&gt;towards the end, close to the end&lt;br /&gt;,right at the end, towards morning,&lt;br /&gt;in its passing drowned&lt;br /&gt;what remains is alcohol and numbed dreams&lt;br /&gt;some were endless and I set out and off&lt;br /&gt;to wait where nonetheless no bus goes&lt;br /&gt;all passed by till now, till 12305&lt;br /&gt;in some you were present&lt;br /&gt;but I was not entirely there&lt;br /&gt;in many I sought you in my sleep&lt;br /&gt;in many I sought you sleeping&lt;br /&gt;what remains?&lt;br /&gt;from here to mars was closer&lt;br /&gt;than from me to you&lt;br /&gt;I seemed to be made of anti-matter&lt;br /&gt;-fairly dangerous!&lt;br /&gt;it was my 12305th night&lt;br /&gt;in which you appeared&lt;br /&gt;you made your eyes glow&lt;br /&gt;I'm sure with some fair reason&lt;br /&gt;you were seeking the same thing and&lt;br /&gt;for the same reason&lt;br /&gt;you too were then drawn to me&lt;br /&gt;you were my mirror image secretly&lt;br /&gt;I drew you up and towards me&lt;br /&gt;inside you - I saw myself; and inversely&lt;br /&gt;Do not stir up love&lt;br /&gt;before it is itself willing&lt;br /&gt;before it is itself willing)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Letra original e tradução inglesa da Música &lt;em&gt;12305te nacht&lt;/em&gt; dos Einstrüzende Neubauten&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-737252151868127498?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/737252151868127498/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=737252151868127498' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/737252151868127498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/737252151868127498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/espiral-dialectica-do-proletariado_10.html' title='Espiral Dialéctica do Proletariado (Noite 12305)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SldxYsAiKOI/AAAAAAAABR4/7grvOCNZW4M/s72-c/noite12305.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-1818454890502790605</id><published>2009-07-10T17:43:00.000+01:00</published><updated>2009-07-10T17:47:57.443+01:00</updated><title type='text'>Espiral Dialéctica do Proletariado (Noite 12418)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SldwhIrpW7I/AAAAAAAABRw/GfHKQTOJp6c/s1600-h/noite+12418.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 313px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356873996349037490" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SldwhIrpW7I/AAAAAAAABRw/GfHKQTOJp6c/s400/noite+12418.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-1818454890502790605?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/1818454890502790605/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=1818454890502790605' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1818454890502790605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1818454890502790605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/espiral-dialectica-do-proletariado.html' title='Espiral Dialéctica do Proletariado (Noite 12418)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SldwhIrpW7I/AAAAAAAABRw/GfHKQTOJp6c/s72-c/noite+12418.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-141164524853378988</id><published>2009-07-09T13:20:00.000+01:00</published><updated>2009-07-09T13:21:09.348+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>Fénix&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro de quantas vezes renasci das cinzas, como se a memória se apagasse de cada vez que acontece. No entanto, sei que renasço pelas cinzas de onde broto, resíduos fátuos de uma qualquer existência anterior. Essa é a minha certeza; a minha única memória das potenciais vidas passadas. Penso nisso agora que me preparo para arder; agora que sei que vou sucumbir em chamas e relembro esse monte de matéria cinzenta, leve, composta por milhares de corpos microscópicos que me geraram, a primeira matéria que observei. Tento preservar a memória em coisas materiais, coisas palpáveis que me indiciem, nas vidas futuras, cenários, gentes, eventualmente sentimentos a eles associados. Essa é a minha fé. Essa a minha última, mas primordial tarefa.&lt;br /&gt;Sei que as grandes verdades, as leis imutáveis que não tive força de destronar, arderão comigo e que as vou reaprender quando despertar no frio cinzento. Eventualmente não conseguirei preservar nada de novo, mas de momento repouso na certeza de que tudo me integra, como a paisagem que me compõe; os montes verde-flora e cinza-rocha que se vergam perante o meu forte respirar; as espécies que povoam os interstícios da matéria de que sou feito, que se transformam na lentidão do tempo tal como é medido pelos homens. O tempo ser uma noção agora ridícula, pelo respirar diferente que tenho de todas as coisas, de todos os seres. A lentidão pesada de quem caminha pelo meio do caos alheio ao seu poder e, portanto, superior a todas as suas consequências. A minha certeza, arder; o meu poder, sabê-lo; a minha eterna omnipresença, um monte de cinza em que resultarei.&lt;br /&gt;Também alguma melancolia inerente a este lento exaurir de todas as forças de que sou feito; também a angústia de saber que vou recomeçar, de saber que não vou ter a noção de que estou a recomeçar; também a tristeza do desprendimento total a que tenho de me devotar no imediato, que se concretizará com a minha combustão. Ninguém apreciará o meu sublime espectáculo, como ninguém varrerá depois as cinzas procurando um resquício de mim ou efectuando a limpeza do espaço, necessidade extrema das almas sujas que povoam o mundo. Portanto, eu e todas as minhas vidas resultando na inutilidade, não ecoando nas dinâmicas concretas do que marca a evolução; o tempo, a modificação do espaço, o progresso da técnica ou o crescimento qualitativo do pensamento abstracto. Meros actos sem registo, sem memória futura; simples acontecimentos que tão só marcam o viver, o meu viver. Arder, a sublime forma metafórica com que o meu corpo marca o fim e o princípio, a morte e a consequente vida que dela nasce.&lt;br /&gt;Tanto calor, tanta energia que se atenuará pela força do vento norte. O frio que já pressinto na sombra azul da grande montanha. A predominância do amarelo no céu, a minha loucura que tudo domina, que a tudo ilumina.&lt;br /&gt;Ardo…&lt;br /&gt;Ardo…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-141164524853378988?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/141164524853378988/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=141164524853378988' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/141164524853378988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/141164524853378988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_7508.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-1795712904893648282</id><published>2009-07-09T13:10:00.001+01:00</published><updated>2009-07-09T13:20:45.289+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;António Lobo Antunes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser escritor também obedece a isto, estar à frente dos acontecimentos ficcionais que hão-de provir da realidade. Portanto, esperar a partir de agora a tua morte, anunciada por mexericos de todos os que te rodeiam, de todos os que estão fartos de te ver vivo.&lt;br /&gt;A tua morte anunciada,&lt;br /&gt;efectiva&lt;br /&gt;a ficção do momento. A concretização da tua morte a ficção futura, da aura que passará a envolver os livros, os teus livros, toda a tua obra, incluindo a póstuma a dissecar por aniversários; de nascimento, de morte, de guerras travadas involuntariamente, de batalhas perdidas. Logo, o teu último livro nada de mais a acrescentar, fraco de conteúdos para essas mentes superiores que não te podem matar. Talvez mesmo a tentativa última de te revestir em contornos de polémica. O resultado já se conhece de tão esperado que é. Vai a polémica ao forno a 200º e sai um prémio Nobel a frio escandinavo, servido pela única coroa da sala. Querem polvilhar a tua débil imortalidade com notas de euro.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não tenho nada a ver com isso. As células já se decompõem, já são uma lembrança de células e eu pouco preocupado com o medo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O medo de pegar em mais um livro, o último contigo vivo, por certo e, mesmo assim, pegar nele irreflectidamente, como sempre, como tudo o que me dá prazer, me torna obsessivo.&lt;br /&gt;Eu obsessivo contigo.&lt;br /&gt;Obsessivo com ela.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu a aprender a obsessão por mim.&lt;br /&gt;Eu obsessivo com ela.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Começar a ler&lt;br /&gt;a ler-te. Não hoje, já num dia passado a este registo de memória que ensaio em linhas de pensamento ténue.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dizer,&lt;br /&gt;não,&lt;br /&gt;sublinhar que és tu quem escreve, não eu.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu preocupado com isso. Eu preocupado com o medo. Ter tempo para sentir medo. Agora ir apenas fumando a rejeição a que me sujeitaste, ceder perante a fé de mente pequenina de que ainda voltas.&lt;br /&gt;Ainda vais voltar.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ainda vais ser feliz nesses instantes em que o corpo quente...&lt;br /&gt;Não sentes o corpo, não é?&lt;br /&gt;O corpo quente a adivinhar o sono, o silêncio tremendo de querer ignorá-la e ela,&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Posso ir ter contigo?&lt;br /&gt;O orgulho a escorrer nas paredes branco sujo da casa e a humidade ali ao lado, estática, suspensa na breve dúvida do que responder e, ao mesmo tempo, já saber a resposta que se envia pela atmosfera.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Adivinharás tu o meu pensamento?&lt;br /&gt;Devotar-me ainda a estas questões inúteis a qualquer fim.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Não ter prazer algum em questionar e o medo a chegar. O medo que...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Adivinharás o meu pensamento?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;ter a coragem de efabular coisas desconexas só para mim, só para este momento e, ainda assim, efabular os dias que correm sem interesse quando não estás para chegar.&lt;br /&gt;Poder encenar o nosso encontro;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;eu a fumar e&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;tu estática a ler poesia no desconforto da cadeira, a vender o conforto da imobilidade eterna para quem te olha, a quem ousa aproximar-se.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O sorriso preso como se uma paralisia fossilizada na tua história.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O teu sorriso estilhaçado num pomar pouco florido, nada perfumado, cada vez mais plástico perante essa necessidade de criar.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que sabes tu?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Que sei eu do que é criar para os outros, pelos outros?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Criar para mim. Admiti-lo em cada letra que nada diz. Efabular os dias em que criar para mim, definitivamente,&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;tu a ergueres o pescoço quase que em esforço e&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a efabular como que em esforço e sorrir como se uma paralisia fossilizada na tua história.&lt;br /&gt;a inventares o silêncio de que tenho medo,&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;pior&lt;br /&gt;inventar uma qualquer abordagem que provoque o meu silêncio de que tenho medo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sim. Ter medo do meu silêncio paralítico.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Fico sempre pelos dois corpos a repousar no desconforto da sua verticalidade e os sofás ali ao lado sem qualquer utilidade contra o medo. Sermos sempre isto, uma linha de espiral que nunca se chega a afunilar para que,&lt;br /&gt;em desespero de causa,&lt;br /&gt;rume ao sentido oposto, ao sentido do local onde se ensaiará a próxima espiral.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como deste quarto escuro onde ensaias mais um sorriso de esguelha, como se toda a tua história fossem estilhaços.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Palavras dispersas que te dirijo. Tantas, e não conseguir em nenhuma transpirar um sentimento fino relativamente ao facto de seres, mesmo para com a tua essência que aguarda pacientemente pelo meu corpo. Palavras que, no fundo, nada dizem isoladas ou em conjunto; palavras que buscam silêncios que nunca encontro, nem nos seus interstícios, mas palavras que, pelo sentido com que são ditas, procuram afagar os teus sorrisos de esguelha, aparar os estilhaços de ti que eles dispersam à minha volta.&lt;br /&gt;Cederes à fraqueza do choro compulsivo; a felicidade de ombros caídos a deixar de existir.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As palavras em busca de uma qualquer felicidade e os ombros caídos cedendo ao choro...&lt;br /&gt;não,&lt;br /&gt;os braços cruzados sobre o tronco aparado de almofadas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A minha insolente inutilidade em ser vertical e as palavras fachos em chamas a iluminar torcicolos de pescoços que os lêem, que os procuram ler. Combinar um café para mais tarde e deixarmo-nos sós a ter noção do nada em que todos os descrentes caem. Olhar em desespero os mostradores de tempo procurando a noção de quando será plausível estar acompanhado. Encontrarmo-nos no desespero mútuo à distância, na angústia lancinante de alguns vazios que partilhamos. Cederes ao choro pelos ombros caídos da felicidade e&lt;br /&gt;&lt;em&gt;da ideia de felicidade que supões existir&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;logo ali culpares a família, os amigos, os animais de estimação que pavimentam o chão que pisas –&lt;br /&gt;não pairas sobre ele –&lt;br /&gt;pisas e culpar – porque não? – todos os ombros caídos anónimos onde o teu olhar húmido repousa de quando em vez. No fundo, tudo dentro de ti.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O medo,&lt;br /&gt;o olvido de te lembrares de ti.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ter medo de me lembrar de mim, de me ler de ombros caídos na suspensão opaca de ter a vista húmida.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O medo de ter de erguer os ombros e não ter a noção do esforço que esse acto envolve.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esquecer-me sempre do que era antes de ser o agora e&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;esquecermo-nos de nós e sermos um por ser esse o caminho possível para os ombros caídos percorrerem sem medo.&lt;br /&gt;Posso ir ter contigo?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;devotar-me ainda a estas questões inúteis a qualquer fim como adivinhar pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Como adivinhar-me sem efabular estilhaços de sorrisos em mais uma suspensão vertical de ter medo?&lt;br /&gt;Medo de ti, meu amigo.&lt;br /&gt;Sim! Meu amigo. Tu que esticas as horas ao que elas têm de mais amargo e eu...&lt;br /&gt;Uma hora e eu a amargar-me na leitura incandescente de ti. Todos os amigos,&lt;br /&gt;e as amantes também,&lt;br /&gt;calados, mudos de um sinal de vida que seja. Sim, sentir a falta de um sinal de vida de tanta e tanta gente. Portanto eu sem sinal de vida alguma que viver nesta hora amarga que se arrasta.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que arrastas?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Que arrasto, que vivo. Só a família telefona ao prometido afecto que se tem em dívida. Eu a dizer que sim, que não, que talvez, e o afecto amargo pela hora,&lt;br /&gt;não,&lt;br /&gt;por toda a vida,&lt;br /&gt;pela hora que se arrasta e quase finda enquanto escrevo o medo, a dor e a ausência. As amantes indisponíveis porque,&lt;br /&gt;não sós,&lt;br /&gt;acompanhadas por gente que não pensa as horas, que não lê a amargura dos outros por nem sequer ter noção da sua. Logo um maço de tabaco que se amarrota à compressão máxima desta raiva e toda a calma do mundo no bafejar do cigarro, no correr inquieto dos últimos minutos. Aí está. A fronteira da primeira hora ultrapassada e ao entrar na segunda pensar na mentira, mais do que no ridículo dos conceitos temporais; pensar nas desculpas consequentes à mentira, na descrença e no baixar de ombros a vontade de reclamar o meu direito em ser feliz. Só mais um acumular de raivas, de maços de tabaco amarrotados para que o grito surta efeito no futuro, movido por ondas de choque que o som ensurdecedor provocará. Então serei o doido dos maços de tabaco amarrotados e a mensagem não será lida nem entendida porque os maços de tabaco amarrotados têm mais impacto sobre a apreciação de umas pessoas sobre as outras. Poder pensar assim e dar-me autorização de pensar assim e para não te ler mais. Arrumar-te no saco a isso destinado e colocá-lo ordenadamente junto aos outros onde se transporta a vida. Não só escrevê-lo, fazê-lo efectivamente e pensar nas curtas-metragens que compõem uma mentira; um festival inteiro de curtas-metragens para uma só mentira. Uma pequena mentira de uma hora amarga, angustiada pela passagem à segunda, à dissecação da espera da mentira.&lt;br /&gt;Poderemos falar sobre isso mais tarde. Agora tenho um filme para ver. A fuga de uma possibilidade de conversa, mas a sinceridade a percorrer distâncias inauditas em poucos segundos. Já a mentira aproxima-se lentamente até a mim chegar. Baterá à porta e dirá,&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sou uma mentira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os olhos cabisbaixos e mil desculpas que não ouvirei. O maço amarrotado já no lixo, com todos os vestígios das horas amargas...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sou uma mentira.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu sem me preocupar com isso fechando a porta e penetrando na noite como ansiei há uma,&lt;br /&gt;não,&lt;br /&gt;duas horas atrás. Serão talvez três, pois nunca se sabe qual a extensão temporal de uma mentira. Perdemo-nos na dissecação de tudo o que a compõe e a mentira lá atrás, escondida nos prefácios não escritos, nunca enunciados.&lt;br /&gt;Desistir do pensamento enovelado porque os pratos de porcelana com motivos decorativos orientalizantes do ponto de vista ocidental a chamarem-me, a perguntarem,&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Preocupaste em escrever assim?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Assim como?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como ele. Aproveitando-o para ti.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Preocupo. Não preocupo. Desistir do pensamento enovelado de pensar nisso porque o tinteiro que irá imprimir estas páginas estático, sem nada perguntar e ser isso que dele requeiro.&lt;br /&gt;Quase três, as horas. O tempo passa a correr pelo meio das perguntas que os objectos nos colocam. Eu sem responder, enroscado na mentira como se deitado, com os braços em volta do tronco. Quase deitado sobre a mentira, sobre as amargas perguntas dos objectos e eu,&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não te questionas?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Do quê?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De tudo o que jaz imóvel à tua frente e tu a perceberes essa velocidade física por ser também a tua.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Fechar o caderno ao pensamento. Abri-lo de novo depois de abrir a janela para a rua. Penetrar na noite com a cabeça como que a sondar a lua e perceber que esta se aplanou, que o berço se transpôs ao cheiro dos pinhais em volta; que só o seu cheiro intenso me faz repousar. Escreve-lo por se tratarem dos pormenores menos amargos da espera, da mentira que se vive e parar por fim, porque tudo deve ter um fim, mesmo que em suspenso pelo cheiro dos pinhais.&lt;br /&gt;Ser esmagado pelas tuas palavras cinzentas, escuras. Deixar-me ir na Melancolia que invento, triste pela lágrima que não verto, agora que me encontro atónito, autista perante as coisas do mundo que não minhas&lt;br /&gt;Que não minhas por não as querer, não as tomar para mim, ao meu pensamento, à dignidade de serem pensadas, à coragem de serem escritas.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pensar que morri contrariado, mas que não o manifestei por palavras, por não ter tempo.&lt;br /&gt;Nunca ter tempo para nada que se segue e, no fim, não ter tempo para acabar o que termina com tudo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Pena, portanto!&lt;br /&gt;E não pena, nada, por tudo ter acabado. Eu contrariado a dizer-te,&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não te quero.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O meu corpo a querer a tua sedução fria, ou a desejar-te assim, nua à minha frente e eu atónito, autista perante as coisas do mundo que não minhas, sem nada dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-1795712904893648282?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/1795712904893648282/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=1795712904893648282' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1795712904893648282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1795712904893648282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_09.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-1976878698263004333</id><published>2009-07-08T11:38:00.000+01:00</published><updated>2009-07-08T11:39:01.530+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A criança II&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A criança que sempre teimou em existir, desde as primeiras punhaladas na sua existência, brinca ainda entre os armários, com os seus pares de todas as idades; as pessoas que se aceitam mutuamente com tal. O que desaprendeu ao longo dos anos, é de novo apreendido com vivacidade, com inocência. O seu aparente autismo é tão só a muralha que a protege da seriedade adulta, que já aprendeu, já viveu e que nada lhe trouxe senão a decrepitude das células, a dor inerente a essa forma de viver tão séria.&lt;br /&gt;O concílio dos sérios teima em mostra-lhe que é de novo dependente, a par com os seus companheiros de sonhos, mas essa noção de dependência é desacreditada pela sua vasta experiência. A sapiência que ela lhe deu ainda conta, ainda o conduz, sobretudo no conhecimento da inutilidade de lhes explicar – aos sérios – a meta a que esse caminho os conduz. A dor que lhes denota no olhar sem dentes tem em oposição o seu sorriso sem dentes.&lt;br /&gt;A insistência em ideias pobres e na sua transmissão a quem se alimenta somente de ideias ricas, tem por troco a concentração absoluta das crianças nas suas tarefas, no seu banho temperado nas águas livres. Logo se faz o silêncio incómodo aos sérios. Logo, as crianças experimentam também essa libertação e é nesse momento que a atingem em plenitude. Contudo, a criança mais velha tudo isto sabe e tudo isto pensa, não se conseguindo deixar de sentir algum cansaço. Percorrerá então as vastidões de memória de que é composto, mas já não voltará às marcas do seu corpo que lhe contam as mesmas histórias. Já as conhece de olhos fechados, mesmo no sono pesado que o consome em rouquidão ruidosa. A apneia definitiva virá um dia, é certo, mas agora não tem de se preocupar em viver com pressa; também disso se libertou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-1976878698263004333?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/1976878698263004333/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=1976878698263004333' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1976878698263004333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1976878698263004333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_7524.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6818322334523968425</id><published>2009-07-08T11:36:00.001+01:00</published><updated>2009-07-08T11:38:24.309+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Mário de Sá-Carneiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alma brunida pelo desgaste hidro-arenoso de olhar o mundo em volta; a sociedade enquanto mecanismo; as pessoas enquanto peças dessa tosca engrenagem.&lt;br /&gt;O corpo bujardado pelo olhar crítico de si próprio, ainda que os espelhos tenham a superfície lisa e as arestas queimadas, para evitar cortes acidentais. Olhar esse objecto reflector de perfil e saber que o outro lado está para além dessa percepção sensorial.&lt;br /&gt;Arrastar o caminho, lavrando a terra com o pé assente, como quem alisa um breve espaço de terra para a escrita de algo urgente.&lt;br /&gt;Demência sóbria inspirada pelas narinas abertas a uma inspiração de cada vez.&lt;br /&gt;Só mais uma, por enquanto.&lt;br /&gt;Só mais uma, para já.&lt;br /&gt;Panteras negras a desaguarem nos rios de noites estreladas, serpenteantes pelos vales de margem abrupta para o nada.&lt;br /&gt;Ao fundo, janelas de oiro suspensas no ar, com vidros partidos, já sem portadas que abanem ao vento. Do outro lado os teus sonhos ocultos pelo meio da treva.&lt;br /&gt;O amor impossível no caminho tortuoso até às janelas, até à verdade absoluta de ti.&lt;br /&gt;A solidão...&lt;br /&gt;A ansiedade...&lt;br /&gt;A descoberta, por fim, no esvair de todas as forças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6818322334523968425?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6818322334523968425/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6818322334523968425' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6818322334523968425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6818322334523968425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_08.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-5449569185021403401</id><published>2009-07-07T16:29:00.001+01:00</published><updated>2009-07-07T16:42:49.217+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Duchamp&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No princípio a culpa era dos Impressionistas…&lt;br /&gt;A culpa é sempre de alguém. É expressionante como a culpa é sempre de alguém.&lt;br /&gt;No entanto, será ele o maior culpado.&lt;br /&gt;De quê? Quando coloco a roupa lavada na corda da varanda instalo a tristeza que a &lt;em&gt;Metafísica dos Costumes&lt;/em&gt; me deu a ler. Só eu o sei; só eu posso passar por entre a roupa a pingar, como se de um labirinto se tratasse, bojardando com o vento frio a face húmida, matando células aos poucos. Um dia olharei as mazelas do rosto ao espelho, pela manhã, ainda meio a dormir. Gosto de sentir o mistério inerente ao que verei, recordarei, constatarei na altura. A Verdade limpar-me-á o rosto e ordenará ao Sol que ilumine a janela, ainda que por breves segundos.&lt;br /&gt;A morte, na sua pérfida mania de não se anunciar, espera sempre por nós ao fundo de uma escada.&lt;br /&gt;Sombria a escada, para quem a desce.&lt;br /&gt;Recebo a notícia assobiada pelo vento, como canto de sereia em mar de águas plácidas. Fecho os olhos como que em meditação, mas consigo ter o cérebro quase vazio de pensamento. Com o polegar da mão esquerda percorro a linha mediana do meu rosto, lentamente, procurando a percepção física por algo mais que a visão errada dos espelhos. Percebo enfim que, a partir deste momento, estou dividido em dois seres sem espécie. Nem diferentes nem iguais, correndo paralelamente os mesmos acontecimentos em perspectivas simétricas e, logo, antagónicas, divergentes nos pontos de fuga.&lt;br /&gt;Fujo. Sim, fujo para longe de tudo isso, até mesmo da possibilidade de haver outros que se fragmentam em muitos mais seres que eu. Não ando a competir com ninguém e mesmo os meus eu’s não se dediquem muito ao confronto físico ou verbal na defesa das suas questões individuais.&lt;br /&gt;A notícia dada pelo canto e por todos os ruídos cadenciados que provoco ao descer das escadas. O calor a escorrer fresco pela pele, brotando dos poros, das chaminés poluentes que afloram o corpo. A placidez de aceitar as evidências sem dogmas, mas também sem reflectir muito sobre os temas. Acreditar na sapiência empírica dos poucos dias em que se teve a coragem de respirar. Agir de forma irreflectida, traçando a arado a moralidade nos resultados práticos das acções. Jogar com o medo do Presente descuidando o olhar em frente, para o horizonte, para os pontos de fuga do quadro vivo que se presencia.&lt;br /&gt;Fujo. Sim, fujo para longe de tudo isso e piso sem nojo a sujidade infecta das ruas. Conheço de longe os Limpos que se dão ao luxo de aqui passear. Os outros passarão em bicos de pés, rapidamente, em pose quase rastejante que os diminui. As línguas bífidas enrolam-se em novelo, estrangulam os corpos que ficam vermelhos no imediato da aflição. Quase que rebentam de vida em excesso; quase que se liquefazem em ácido, para que fiquem os rastos marcados na calçada entretanto limpa da sua biodiversidade.&lt;br /&gt;Amanhã acordarei com a sóbria tristeza de quem parte, de quem ruma a outro porto, levando o canto, a notícia e os dois seres, animais de estimação de um ser supremo que não domino, apesar de figurar com o meu corpo. Sei-o porque o meu corpo já não ama e, se amasse, era eu por certo que lho ordenava. Assim fico-me pela análise exterior de observador integrante da estrutura. Prendemo-nos assim, nas vontades dos outros, ainda que por nós delineadas. Onde está esse horizonte aberto ao conceito de Liberdade? Qualquer ponto de fuga que a ela conduza?&lt;br /&gt;Fujo. Sim, fujo para longe de tudo isso e abraço a Liberdade como qualquer língua viva ou morta que não entendo, qualquer mensagem que sinto inerente aos sons. É quanto baste ao devido entendimento. Abraço também outros corpos que se apresentam disponíveis a instantes desse tipo. A ternura evapora-se na rapidez com que se tem de viver tudo o resto que não é vida. Sim. O meu corpo e os meus animais de estimação esqueceram-se do que é amar. Só eu recordo, mas ainda assim apenas recordo, não chegando a qualquer entendimento sensorial sobre o que terá sido e será a verdadeira realidade de amar.&lt;br /&gt;A memória repetida em insistência, em combate com o esquecimento, é que faz criar os conceitos. Detesto muito os conceitos em geral e vivo em condensação de ideias, em confronto com o que me faz agarrar à vida de forma aparentemente tão cobarde. Será assim tanto exigir ter um dia de normalidade, sendo que essa normalidade é um conceito que desconheço, que me enoja muito mais que as ruas sujas? Ergo o olhar da calçada para que olhe os amigos de frente. Despeço-me deles tentando anular os pontos de fuga que lhes preenchem os interstícios; o fundo da rua e a certeza que novos caminhos ali se apresentam.&lt;br /&gt;Fujo. Sim, fujo para longe de tudo isso e arrasto-me pelos espaços fechados condensando-me com a atmosfera, sendo respirado pelos transeuntes, por quem não se importa de respirar os outros para que viva mais um pouco ao encontro da felicidade possível. Só na irrealidade posso concretizar todo o amor que sinto, que desaprendo por influência dos conceitos. Só aí encontro a irracional razão de existir, de amar até os objectos quotidianos que se acoplam a mais e mais pontos de fuga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-5449569185021403401?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/5449569185021403401/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=5449569185021403401' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/5449569185021403401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/5449569185021403401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_8628.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-1475124371051252427</id><published>2009-07-07T16:25:00.001+01:00</published><updated>2009-07-07T16:28:40.495+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;IX – &lt;em&gt;L'art est mort&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Szimborska&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O dia nasceu chorando. Não sou eu que, triste, o vejo assim; não. O dia nasceu chorando todas as minhas mágoas e, por isso, prossegui incólume perante as nuvens carregadas, vindas de latitudes mais a Norte. Os passos largos e lentos, com que percorri as Avenidas, tinham atribuição melancólica pelo colocar de mãos nos bolsos laterais das calças. Destes, vazios, nada retirei nem nada acrescentei ao nada que os dominava. Metaforicamente o pensamento seguiu o exemplo por todo o tempo de caminhada e as mãos acomodavam-se mais abaixo, como se afagassem essa inércia dolorosa.&lt;br /&gt;Sim, havia dor.&lt;br /&gt;Não. Subentendia-se a dor, ainda que ausente dos receptores neurológicos mais ínfimos.&lt;br /&gt;Sentir a Melancolia sem questões de maior, sem surpresa; não a pensar, dissecar, nem mesmo contra ela lutar. Vergar apenas ligeiramente a coluna perante a sua grandeza, como quem cumprimenta reverencialmente um pensamento puro que se aproxima em bruto.&lt;br /&gt;São tempos perigosos, estes que percorremos. As pessoas esquecem-se de amar e o Amor perde força face a uma ideia de liberdade ressequida, completamente errada perante os conteúdos inerentes a tão poderoso estado de espírito; LIBERDADE.&lt;br /&gt;O idealismo tornou-se um beco sem saída; húmido, escuro, esquecido nos pensamentos inerentes à urbanidade.&lt;br /&gt;O saber científico e a tecnologia, compartimentados em formalismos, são como diques dispostos na costa, contra a força das marés, da dinâmica geográfica que, pretensiosamente, pensamos dominar.&lt;br /&gt;O cérebro contrai-se deixando resíduos mortos como lixo acumulado em docas secas; portos onde, há muito tempo, ninguém atraca.&lt;br /&gt;A aventura face ao desconhecido VENDE-SE ÀS POSTAS e em PACOTES devidamente homologados pelas autoridades mundiais. Chamam piratas e terroristas a esses livres de nós e presos a si, que percorrem espaços remotos e isolados lutando diariamente pela sua sobrevivência.&lt;br /&gt;Já os nómadas apresentam metamorfoses desesperadas que adiam a sua inevitável extinção. Alguns grupos de activistas, que tentam impedir a tragédia, ganham asas de borboleta e a sua força sucumbe pela efemeridade utilitária de tais apêndices.&lt;br /&gt;Ontem, a minha dor pedia tréguas ao mundo infecto de sangue, do seu cheiro forte, da sua cor marcada em contraste à paisagem queimada. O caos anunciava a criatividade.&lt;br /&gt;Ela ali está, sentada na compenetração do seu acto auto-destrutivo. Antes do pano baixar colocará gotas a mais do veneno que fortalecerá o Absinto. Seguir-se-á o silêncio que o esvaziar da sala anuncia. Szimborska colocará a mão na garganta esboçando um sorriso. Eu apertá-la-ei buscando o limite entre o prazer e a catarse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-1475124371051252427?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/1475124371051252427/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=1475124371051252427' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1475124371051252427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1475124371051252427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_07.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-2033374225980009921</id><published>2009-07-06T13:48:00.001+01:00</published><updated>2009-07-06T13:49:28.603+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Auto-retrato I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa despida de móveis e eu no centro da sala; as paredes velhas com marcas de abandono. Devo ter morrido há muito tempo, ou estou a sonhar que morri e que os mortos sonham. Quando eu morrer efectivamente, ou no sonho, os saudosos amigos irão ao cortejo, ou manifestarão o seu pesar de alguma forma ao longo das suas vidas, a alguém que os acompanhe nesse momento, sendo-me próximos ou desconhecidos. Nesse instante em que o pesar lhes assomar o pensamento, recordarão o olhar triste, de quem está condenado à morte e não quer; a jovialidade dos actos e pensamentos intempestivos; a cordialidade dos que são assim e não de outra forma. Talvez me espelhem em algum ser ainda vivo, de barba, a olhar melancólico sobre a janela em ruína; observar o que o rodeia ou simplesmente para dentro de si. Há tanta gente que não olha para dentro de si. Desconhecem a sua beleza narcísica, impulsionados pelas filosofias religiosas dominantes, inibidoras, castrantes; desconhecem o Deus que são e os seus verdadeiros milagrosos poderes. Poderá também ser alguém, de barba, que repouse numa esplanada com o cigarro na mão e borras de café no fundo da chávena pousada na mesa. Para facilitar o exercício pode ser alguém que esteja a ler, ou a conversar com uma ou mais pessoas, esbracejando ideias soltas, tontas, incoerentes. A vida é uma viagem entre sentimentos tão distintos que não percebo porque se apregoa, como virtude individual, a coerência.&lt;br /&gt;Às vezes sou um marinheiro sem barco, deitado na terra, repousando das marés vivas olhando crescentes férteis de sonhos. Outras vezes sinto-me &lt;em&gt;O Inominável&lt;/em&gt; pintado por Pollock, que nestas coisas das Artes Plásticas o Miró teve sempre demasiada cor. Ontem caminhava para o tal inominável com a carne a desfazer-se lentamente a cada passo, como se desfaz agora debaixo de terra; agora que alguém manifestou o seu pesar enquanto lia este texto.&lt;br /&gt;Sou o profeta decapitado após os piores augúrios estarem cumpridos. Não me divinizem, mas atentem àquilo que disse, que escrevi, aproveitando a oportunidade de estar registado oficialmente para as entidades oficiais. Entrem pelas minhas palavras e abracem o inconformismo, festejem-no em êxtase até à exaustão física. Apregoem as vossas ideias sem o medo de ter de pensar como a carneirada que precisa de pensar igual à maioria.&lt;br /&gt;Desfaço-me agora no silêncio, a carne mergulhada em tinta preta. Sobretudo as do texto que sonhei e que me recuso a escrever por entre as ruínas onde estou. Claro que seria sempre bom aproveitar para o fazer, mas algo me diz que tenho de ficar quieto no que concerne a esse objectivo.&lt;br /&gt;Um &lt;em&gt;deja-vu &lt;/em&gt;diz-me só que devo sair do edifício onde estou de malas feitas, para que volte sem elas segurando uma máquina entre as mãos. Disparar o objecto, uma, duas vezes. Sair para fora de novo com o porte altivo de quem cumpriu a sua missão por hoje. Enfim, tretas em que se quer acreditar.&lt;br /&gt;Volto à minha ruína, ao trabalho de a descrever, de a dissecar em alçados analisando-a na minúcia que exige. As paredes nuas de estuque ou qualquer decoração mostrando a fragilidade da estrutura que, ainda assim, se mantém em equilíbrio; dando um exemplo de vida, reparo agora. O trabalho diário na fachada renovada e a remodelação completa da cobertura dando uma aparência de antigo ao pré-existente, que sofre uma operação cosmético-pragmática; a reabertura de todas as janelas fossilizadas nas paredes mestras, com especial incidência nas que, com namoradeiras, se voltam aos pátios de inspiração romântica, à luz sombria das árvores de fruto no Outono, à água que jorra do fontanário monumental.&lt;br /&gt;Sou o pássaro no beiral do telhado perante a inevitabilidade do primeiro voo, do voo definitivo; jamais as asas pararão de funcionar, do equilíbrio inicial com vista à estabilidade, até à protecção da prole perante os predadores do costume e as intempéries naturais.&lt;br /&gt;Sou cruz petrificada marcando o local de culto, sobre o sonoro sino que canta as misérias humanas; umas felizes, outras nem tanto.&lt;br /&gt;Sou varanda voltada ao mar de onde saltam os Normais para alimentar os tubarões; chego mesmo a ser o pirata frio e desdentado que os empurra ao seu destino.&lt;br /&gt;Sou nuvem carregada que percorre os céus, ameaçadora; trovão assustador que aninha as crianças no seu leito e chuva fria que limpa as pedras para que brilhem ao sol da bonanza, ofuscando os homens para além da sua cegueira crónica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-2033374225980009921?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/2033374225980009921/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=2033374225980009921' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2033374225980009921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2033374225980009921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_3219.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-3898823802697524253</id><published>2009-07-06T13:46:00.001+01:00</published><updated>2009-07-06T13:48:11.681+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Balada do pensamento suicida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que der um tiro na cabeça, será uma chatice para quem tiver de limpar o sangue do chão; para o polícia que tem de abrir um processo já por si encerrado; para o jornalista que preferia trabalhar num jornal menos sensacionalista; para as seguradoras e bancos que me avaliaram erroneamente enquanto pessoa psicologicamente normal.&lt;br /&gt;É esta teimosia em não ser normal que marcará esse fim trágico.&lt;br /&gt;Ficar de pensamento suspenso pela concentração em outras actividades para que, quando tente regressar, não me encontre nesse pensamento, mas fora dele, estático, a olhar o vazio. Se reparar com atenção vejo-me cambalear ligeiramente, não sendo pelo vento que, aqui, não se faz sentir de todo; não sendo por ter bebido álcool. Cabeça voltada ao soalho de madeira e – agora reparo bem – olhos de um cansaço infinito; abertos, mas infinitamente cansados. Não consigo entrar dentro de mim e o pensamento permanece ali, suspenso no meu olhar. Reporto-me ao momento em que me olhei no espelho e, pela primeira vez, descobri as rugas de expressão que me prolongavam os olhos. O mesmo cansaço e a mesma suspensão de pensamento, como quem já não questiona as intempéries da vida que sulcam o rosto. Nesse tempo imperava o estado de espírito depressivo. Agora é a montanha que se ergue sempre mais alta diante de mim. Paro de quando em vez para repousar da escalada tentando medir o que ainda está pela frente, envolto pela neblina tipicamente cerrada do desconhecido. Subo sempre a um ponto mais alto do que o ponto onde me medi anteriormente na tarefa de a subir.&lt;br /&gt;O corpo é uma prisão que me impede de voar muito além destas limitações físicas. Sei que seria capaz de o fazer. No fundo, esses pensamentos suspensos são como cascalho, filho de uma rocha maior, mais maciça, esperando a fragmentação acelerada de uma derrocada. Às vezes desejo o repouso do sedimento argiloso no fundo do vale, para que me lembre que também ele está sujeito às regras de erosão e que, se não voar dali para fora, rolará até ao rio, dai até ao mar, limando as arestas vivas pelos acidentes do percurso feito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-3898823802697524253?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/3898823802697524253/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=3898823802697524253' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3898823802697524253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3898823802697524253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_06.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-3477114741046927586</id><published>2009-07-03T15:52:00.000+01:00</published><updated>2009-07-03T15:53:40.340+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>O deserto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas do bairro sorriem-me, demonstram que ao fim de um ano me conhecem. Eu, que de mim nada mostrei, nada revelei para além de uma ocasional simpatia circunstancial e forçada, imagino que o façam por terem ouvido falar alguns pormenores da minha vida profissional, a única que lhes poderá ser acessível pelo contexto mais verosímil que a lógica me ajuda a traçar no silêncio. Esse acto de sorrir, seja por essa ilusão de conhecimento, seja pela simpatia natural, que esqueço cada vez mais poder existir nos que me rodeiam, é o único brilho que pontua o início da noite escura. Esta, torna-se marcada pelos cenários anacrónicos de um machismo teimoso que as janelas abertas dos apartamentos caixotes revelam. Estão escancaradas ao ar fresco que os cientistas anunciaram; escancaradas à minha visão trágica dos enredos humanos que revisito; escancaradas ao vazio de conteúdos que a rua pode ser face a interiores arquitectónicos bem delineados, minuciosamente caracterizados por cada um que lhes vai dando o toque de seu, o cheiro de serem família ou gatos solitários.&lt;br /&gt;Ao avaliar o que me rodeia, mesmo que encerrado em quatro paredes iguais, sendo o gato solitário que, no fundo, sou porque o escolhi ser, não deslumbro alguém  ou o algo que atenue a minha dor. Hoje, sinto-me incapaz de  procurar a solução, na angustiante certeza de que de mais lado nenhum poderia vir. Claro, admitir que os  objectos ou os outros iguais, a quem se concede a benesse de serem próximos afectivamente, são úteis por isso mesmo, pela crença que entre todos fluem conceitos concretos como o amor, o prazer físico, o divertimento ocasional ou o deleite simbólico que se atribui às coisas simples. O desespero muitas vezes conduz a esse caminho. Outras há, como agora, em que se afunila o pensamento na inércia de conquistar terreno sobre os próprios desígnios somáticos, esses que a compreensão de tudo condensa numa satisfação irracional de que tudo entendemos porque somos racionais. Rir por dentro, talvez à gargalhada, por se dissecarem os pensamentos à minúcia anormal de quem nada mais têm que fazer; ficar sarcasticamente feliz pela desvirtuação niilista que se aprende diariamente, que se treina, não sem orgulho, de uma forma que se denomina inteligente.&lt;br /&gt;Um outro olhar sobre a mesma vertigem sobre a existência, resultante desta. Ficar por aqui a nobre criação da sublime negritude do que se pensa ser e se é efectivamente, mesmo que por breves instantes face ao todo que será a nossa efémera história. Talvez me tenha conduzido por ela iludido pelo método científico que compõe o meu ADN; talvez assim alguém perceba o que isto encerra. Dessa forma não terei incorrido em mais um erro sobre a minha função neste espaço e neste tempo.&lt;br /&gt;Já fui acusado – sim, acusado – de ser demasiado depressivo, pessimista, cinzentão. Acho que deve ser mesmo assim, algumas pessoas sentem-se mais atraídas pelo abismo do que outras. Há mesmo quem salte na ilusão de que esse impulso marque o mundo com uma lição vital aos vindouros, ou tão só com a crua certeza de que toda a dor se atenuará depois. Eu prefiro caminhar bem longe da berma, pressentir o eco que o choque do ar provoca contra o solo a que me agarro. Prefiro mesmo ignorar essas disposições físicas da paisagem, caprichos com que a natureza molda o planeta e a mente dos homens. Já sobre esta última, é certo pinto quadros que julgo realistas, sabendo de ante mão que não serão apreciados por todos. Pois, há sempre alguém que vê toda a paisagem como um plano único, sem acidentes, quase bidimensional. Quem sou eu para os julgar? Ter a pretensão de que sinto mais do que duas dimensões não me torna superior, apenas diferente de quem quer acreditar que todos sentem de outra forma.&lt;br /&gt;Não deixo de me embevecer pelo azul do céu ou por outras paisagens marcantes, quer na cor; quer na forma graciosa com que foram esculpidas natural ou antropicamente e que eu aprendi a apreciar, neste tempo, neste espaço; quer ainda pelos contextos minuciosos e indescritíveis que lhes conferem uma graciosidade única, mesmo intemporal, no que a memória se há-de esforçar enquanto existir. Não obstante, julgo...chego a ter a certeza de que sou dono da minha razão e, ao mesmo tempo, repudio-a face ao que não comungo com os outros espécimes iguais, que comigo partilho esse dito tempo, esse descrito espaço.&lt;br /&gt;Todo este exercício inútil de pensar redunda apenas no deserto que me rodeia, que me compõe, a que me dirijo e que é o meu fim último. Todos nós temos o nosso próprio deserto onde espraiar a seca dificuldade de viver, pelo ínfimo que somos numa vastidão monótona de ser igual a tantos. Eu tenho um deserto; nele, por ele, a caminho dele sou apenas um grão de areia mais, tendo apenas a consciência disso. Consequentemente deixo-me levar pelo vento, permito que a humidade me aflore a forma sem resistir e, quando pousar, sei que apenas cumpro mais um estágio do que serei amanhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-3477114741046927586?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/3477114741046927586/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=3477114741046927586' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3477114741046927586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3477114741046927586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_5299.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-7483167250160847954</id><published>2009-07-03T15:51:00.002+01:00</published><updated>2009-07-03T15:52:29.385+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Insónia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo sem que tivesse adormecido. A luz que se acende, pela minha vontade ou pela minha acção. O corpo jaz sem jeito debaixo das roupas. Talvez a luz tenha estado sempre acesa. É irrelevante porque mesmo no escuro elas estão lá, em frente aos olhos; &lt;em&gt;Les Mademoiselles d’Avignon&lt;/em&gt;, disformes, por entre as roupas da cama. Sempre elas, estáticas na sua observação, na sua pausa de pose disforme, na sua meia-nudez despida de sentimento. O vazio que me acomete deixa que o coração corra demasiado solto. Antes fosse entranhas e mais alguns tecidos; antes fosse sangue e água a pulsarem pelos canais de esgoto. Não. Sou só coração. A taquicardia não se deve a elas, mas a outros sonhos. Tento apagá-los junto com a luz e entro no escuro do espaço, igual ao escuro de mim, por dentro e por fora; de dentro para fora o ar pesado do suspiro, do desespero de não sonhar dormindo. Nem leitinho quente, nem afago de quem não está ao lado, nem conversa paralela de dentro para fora; de fora para dentro. &lt;em&gt;Le silence, mademoiselles. Le silence n’existe pas&lt;/em&gt;. Só o cansaço o poderia apagar, na condução de um sonho para outro, de sonhar fora para sonhar dentro, em silêncio. De qualquer forma tudo escuro, dentro e fora e, houvessem entranhas, tecidos, sangue e água a jorrar pelos canais, seriam todos negros também, dentro e fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-7483167250160847954?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/7483167250160847954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=7483167250160847954' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7483167250160847954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/7483167250160847954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_03.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6384065056908044900</id><published>2009-07-02T10:32:00.001+01:00</published><updated>2009-07-02T10:33:52.653+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;VIII – Baladas da insónia&lt;br /&gt;Sem título&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma vez mais olhar a vida como a um quadro inerte, multicolor e desfiar-me de ser a partir do ponto infinito onde termino; o passo atrás que não dei. Desfiar-me por completo e ser tudo silêncio que deixei inundar-me. Tu, a companheira desatenta que não repara, que nunca reparou nesse silêncio, decides cortá-lo às postas para um lanche de Domingo, a dois.&lt;br /&gt;Um chá?&lt;br /&gt;E o meu silêncio a confrontar a tua súbita tristeza, a tua frustração repentina de quem nunca o ouviu, mesmo quando me fitavas a questionar sem nada dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ver-te ao longe no gigantismo de ser, como montanha bonita, mas intransponível, que se oferece ao meu horizonte curto. Voar até à altura dos teus olhos e sorrir que te amo a partir daí. Corroborares desse sentimento na frieza polar que inventaste e reduzires-te, primeiro ao teu tamanho normal no imediato, depois, nos primeiros passos seguintes que damos lado a lado, esvaindo-te de ser, diluindo-te na aragem, entregando-te a mim que não sei que moléculas colher nessa confusão etérea. Entristecer-me progressivamente pelo destino que escolhi, procurando insistente a tua companhia de ouvinte complacente como quem sonha o impossível.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Querer responder e ser travado pela rouquidão, pela falta de uso do músculo. Querer responder ainda assim, mas a passividade do olhar inexpressivo, mas a rigidez dos membros pendentes, mas a força só no pensamento e desistir é sempre o que se apraz como mais fácil.&lt;br /&gt;Sim, pode ser.&lt;br /&gt;Engolir um bolo seco para arranhar a rouquidão e dispersar-me num afago inusitado por não ser sentido. Percorrer os caminhos do mundo sentado numa pomposa cadeira de sala e fingir que um livro me interessa, mesmo que só pela lombada, pelo título fácil que tudo diz, condensado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tocam-te pianos na cabeça, sinto-o, apesar de não te acompanhar no recital, de me ser vedada a entrada como quem ignora o mendigo que se cola, ainda que por momentos breves, na montra de um restaurante. O mar oferece-me a nitidez do que é Verdade, do que é Mentira, do que é Possível e Impossível e esse banho de Realidade não me limpa de todo. Restam gotículas de sal dispersas pela pele, a dar o sabor; algas viscosas presas aos dedos dos pés, para acompanhamento. Onde está a ternura de toda essa Realidade? Os afectos que nos limpam até à alma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Cai lentamente a tarde e em breve teremos o reconforto da certeza que o dia terminou, quando nos voltarmos de costas e fecharmos os olhos a tudo o que somos por fora, para que nos foquemos na escuridão que somos por dentro. Assim, poderemos descansar, deixando que o calor seja o istmo para o Nós adormecido. Talvez um dia desperte ou saibamos como o acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Invento afazeres que me conduzam ao cansaço, quando não estou casada pelo nada que preenche o tempo. Invento a Fé que me adormecerá em descanso e continuo a sorrir, mesmo dormindo, a todas as pequenas coisas que formam o quotidiano, até a presença quente das tuas costas.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6384065056908044900?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6384065056908044900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6384065056908044900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6384065056908044900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6384065056908044900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_2213.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-8182820515087134772</id><published>2009-07-02T10:30:00.001+01:00</published><updated>2009-07-02T10:32:26.472+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Os passos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No final do dia de trabalho, dos dias de trabalho de uma semana, preparado para seguir rumo a dois dias de trabalho doméstico, monto um cavalo alado que não tem de ser branco, porque não ligo a esses simbolismos. Voa a estrada negra à minha frente, iluminada de uma forma ténue pelas luzes laranja que marcam o trajecto. Quero que se lixem os road movies, as road stories, os filmes de cada um sobre as suas viagens. Quero só que os quilómetros se estendam por longas horas, que a noite cubra o horizonte e que eu não pare, sem destino. As pontes são sempre passagens para outros mundos, depois das capitais capitalistas, depois da sub urbanidade, com ideologia ou do desenrasque, conforme a formação.&lt;br /&gt;Mesmo quietos, em frente ao carro parado no estacionamento municipal, os meus passos percorrem montanhas, porque a minha sombra me acompanha, porque nunca estou só em cada passo que dou. Por vezes, a sombra voa para bem longe e eu acompanho-a em pensamento. É quando prefiro que o silêncio me invada, restando apenas as imagens dos filmes que se conhecem de cor. Eventualmente ouvir um piano que caiba em todas as geografias, sons com forma a que o espírito se adapta perfeitamente.&lt;br /&gt;Serei pai em breve e os meus passos, quando o for, serão agigantados a um plano indizível, para que seja a montanha firme onde o futuro se poderá refugiar. Logo, o futuro sou eu; a montanha emergente na paisagem. Sou eu o farol para o caminhante de longo curso, para que se guie, mais do que pelo céu, mais do que pelas as estrelas. Sou fraga que aninha o pássaro da tempestade; o solo fértil que dá pedra para os abrigos que se vão construindo ao longo da caminhada, que dá alimento pelas graças do trabalho e não de deus. Deus não existe e cada um é um deus de si próprio se o assim quiser.&lt;br /&gt;Para conversas moralistas, por muito que se denominem progressistas, já era. Estou farto desses penduricalhos mentais para mostrar que se sente algo de único. Porra. Toda a gente sente algo de único, basta abstrair-se do resto secundário.&lt;br /&gt;Não escrevo sóbrio, mas também não vivo sóbrio, o que é uma nítida vantagem perante algumas pessoas. Penso eu. Que sei eu disso? Estou mas é armado em parvo, com a mania que consigo pôr-me a pensar na vida. Que sei eu da vida? Ainda é cedo para pensar nisso. Terei tempo para todas essas questões, mais tarde.&lt;br /&gt;Tenho é de caminhar sem olhar muito onde se pisa, preservando o cuidado de não pisar a erva, seguindo carreiros pré-definidos, o que não significa necessariamente que esteja encarneirado. Encarneirado é que não. Esses sim, os demos da nova democracia ateniense que vai emergindo da maré única do mediterrâneo.&lt;br /&gt;O quarto minguante transporta-me para o passado e os sons fazem-nos de facto flutuar, apesar de fisicamente estar encarcerado num corpo sou muito mais que isso. Há quem lhe chame alma, mas eu já não acredito nessas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Adenso-me, neblina da noite eterna;&lt;br /&gt;que cobre a terra,&lt;br /&gt;sulcada por rios de negras águas;&lt;br /&gt;que cobre as casas, fumegantes&lt;br /&gt;do último fogo que agora se apaga.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mesmo as montanhas são placas tectónicas que se movem, relevos que padecem perante as águas e todos os mecanismos de erosão, mais cedo ou mais tarde. Assim, a imortalidade deve apenas encontrar-se na memória. A memória não sofre de processos erosivos, mas perde-se meteoricamente nas avaliações que se fazem, medindo a todo o momento o que é realmente importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Restam ilhas sem nome –&lt;br /&gt;sombras lunares de vontades perdidas –&lt;br /&gt;e luzeiros moventes que se apagam&lt;br /&gt;ou piratas que se embrenham&lt;br /&gt;nas florestas,&lt;br /&gt;em caçadas fortuitas&lt;br /&gt;para matar a fome.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os passos não conduzem a tudo o que possa matar a fome. Antes consomem as energias que a aumentam. Somos mais que energia aprisionada no corpo. Sou joguete dos meus próprios caprichos e rio, tão cientes da minha sapiência, como o cão que persegue o próprio rabo. A mente fomenta as distracções necessárias a que se tomem actos mecânicos. Assim, os passos dão-se rumo a nada, pelo traçar de metas inexistentes, quando outras se vislumbram já no horizonte, ou se sonham porque se têm de sonhar. A Liberdade não é matéria que se agarre, que se morda; é antes o espaço que está sempre quase ao alcance dos dentes, das mãos; o espaço que preenche o vazio entre cada passo, pela qual se passa inadvertidamente, que nem sequer preenche a cova que o pé deixou marcado na lama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pilharei tesouros de fátua utilidade,&lt;br /&gt;pularei em virgens sem vontade.&lt;br /&gt;Só desejo sangue,&lt;br /&gt;só desejo carne&lt;br /&gt;e o fim dos passos&lt;br /&gt;de mim corpo,&lt;br /&gt;de mim sonho…&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-8182820515087134772?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/8182820515087134772/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=8182820515087134772' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8182820515087134772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8182820515087134772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_02.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-178722764505250785</id><published>2009-07-01T09:56:00.000+01:00</published><updated>2009-07-01T09:57:21.102+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>Outono&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Outono já se havia anunciado; um sentimento, mais do que qualquer alteração climática digna de nota. As folhagens da flora perene, por exemplo, mantinham-se verdes – mantêm-se ainda hoje – como se não tivéssemos saído de uma Primavera cansativa. O sentimento de Outono persistiu desde esse primeiro instante de final de Agosto, quando o vento frio aflorou a pele seca, voltando noutros momentos similares em que a agudeza dos sentidos o proporcionava à interpretação melancólica. Hoje, definitivamente, chegou o Outono, suspenso numa neblina quente de pântano adormecido. Talvez por estar neste pântano suburbano que detesto, mas ocorre-me a possibilidade de tal acontecer em todas as paisagens. Sim, é verdade, as folhagens continuam verdes, mas os olhos dos transeuntes estão cansados, reflectem o escuro das suas vidas e não existe cor que combata esse ditame humano. Amanhã, ou outro dia próximo, levantar-se-á o vento saraivando a chuva forte contra a paisagem humanizada. Dentro de uma qualquer casa amar-te-ei rabiscando formas inexpressivas em folhas envelhecidas artificialmente. Ridículo!&lt;br /&gt;Outono. Os amigos – diversos amigos – a gritarem Outono pelo telefone e eu, a árvore despida de folhas, a achar o óbvio, a silenciar o óbvio. Estou nu. Nada posso dizer além de trivialidades. Sou eu que acho que as minhas trivialidades são despidas, me expõem; para os meus amigos o essencial, a força necessária que lhes amaina o grito de&lt;br /&gt;Outono.&lt;br /&gt;Nem o chão que me rodeia tem folhas castanhas e vermelhas do fim de mais um ciclo. Eu, nu de verde… alguém varreu o Outono do chão onde estou. Sou já Inverno e os meus amigos a dizerem,&lt;br /&gt;Outono.&lt;br /&gt;Eu a responder, estou nu e eles a compreenderem,&lt;br /&gt;Outono.&lt;br /&gt;Eu a calar-me, a refugiar-me no teu corpo nu de Primavera. Querer esboçá-lo a traço fino de cor preta e hesitar, ter a certeza que não agora, por falta de força mais que pela ausência de pormenores. Conheço-os todos, com as sombras necessárias ao realce da tua pele branca, à evidência da tua robustez, da firmeza da tua pose. Deixar para mais tarde por não ter tempo. Ter tempo para tudo; para pensar a dissecação de tudo o que acontece aos outros, a mim que o absorvo sem interferência. Não estou a escrever nada de jeito. Parar.&lt;br /&gt;Ensaiar um grito. Enviar-te uma mensagem escrita e receber de ti um sopro de vida, um beijo da saudade possível ou da pena provável. Acender um último pau de incenso para a noite inquieta que ainda resta, à falta de drogas; de drogas perfumadas que exultem o intelecto neste espaço descaracterizado de mim, de nós então nem se fala. Repousar numa inútil felicidade por não se saber o que fazer com ela. A euforia continuará presa à garrafa de vinho com o teu nome estampado, num suspiro que a abre antecipadamente ao jantar.&lt;br /&gt;Até já tens tempo para me pedir distraidamente um abraço que te dou contraído. Podermo-nos amar então, mas o sonho ordena que saiamos para a rua, para a conversa despreocupada de estarmos.&lt;br /&gt;O mar revolto,&lt;br /&gt;as situações do costume. Regresso a mim e volto ao verde seco do sofá dobrando o corpo à minimalidade da dor. Não cederei ao impulso de abrir a janela e deixar o Outono entrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-178722764505250785?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/178722764505250785/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=178722764505250785' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/178722764505250785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/178722764505250785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont_01.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-8094244461622965111</id><published>2009-07-01T09:55:00.000+01:00</published><updated>2009-07-01T09:56:30.392+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O silêncio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveria estar quieto e calado relativamente a este tema recorrente de todas as coisas que escrevo; de acordo com esta vontade que me acordou, me fez erguer do leito onde tentava ter um sono o menos agitado possível. Mas não; claro que não, tomar a hipótese de assim permanecer e erguer-me decidido a esperar eternamente que o computador se ligasse, que se deixasse que os documentos se abrissem, que a música cadenciasse o ritmo com que se escrevem as ideias parvas da insónia. Aumentar o volume do som; bater com as teclas com mais força, para que o seu som sobressaia a essa vontade expressa de aumentar os decibéis. Tanta conversa a ecoar na memória recente; tanto corpo estático, repetição de uma mesma busca por uma musa, musical ou não, não importa. Importa sim que se tocou no silêncio no instante antes do ruído se fazer notar e empurrar ao grito que agora se pretende escrever.&lt;br /&gt;Alguém um dia verterá lágrimas pela constatação de realidade num tal quadro surreal. É a única constatação possível para interromper tão íntimo acto, tão vertiginosamente chocante verdade.&lt;br /&gt;Chegar à imagem de ti numa situação quotidiana, profissional na impossibilidade de outras existirem; rumar à cadência desconcertada de tudo isto constatar pelo meio do ruído; de tudo isto conseguir abarcar pelo meio de outras imagens mais concretas, a família, o que se ilude das suas cores baças, do seu inverosímil resultado de sucesso pleno. A melodia a iludir a sensação de caos que se pretende, os tremores de terra sem quaisquer instrumentos receptores de tal manifestação.&lt;br /&gt;Afinar o timbre pela pressa a que o bater da batuta impõe. Logo a acelaração cadênciada da timidez inerente à percursão. Logo o sonho impresso em palavras que vagueiam pelo espaço ocre. Logo todas as milhentas possibilidades de um Om aspirado para dentro, vindo de fora. A efemeridade de um acto tão simples quanto deixar em aberto todas as interpretações ao livre arbítrio de cada um.&lt;br /&gt;Sou assim. Tu és certamente de outra forma. Conheces alguém igual a mim, pelo que te afastarei deste momento em diante, para que não dê azo a que encontre um dia esse meu igual. Não preciso disso. Sei agora – passados anos de andar a aprender coisas que se marcam na pele – que não o quero conhecer. Antes ficar pela cadência gradual com que os problemas se assumem na frágil recepção dos tons musicais, das cores plásticas, eventualmente das coisas mais complexas que a nossa disposição pretende definir de forma abstracta.&lt;br /&gt;Do grito à paisagem bucólica de ser um simples que vive os dias como quem come fruta em cachos e esta a escorrer, esborrachada pelos dedos, pelos membros, causando um ténue impressão de nojo por ele abaixo, acima, de lado, em projecção geométrica de uma vontade informe. Do grito à paisagem bucólica – dizia eu – não me preocupar com o caos gramatical a que o desejo me induz. Para trás a orgânica forma de cansar o corpo, de o adormecer face a essa inquietude. Deixar o Tempo correr. Sempre a merda do Tempo agarrada à noção de som. Um paradoxo com o qual se tem de viver para que se marquem os pensamentos em caracteres virtuais de cor primária, de pensamentos secundários face a isso do fazer, do querer fazer, mesmo do já estar feito e não se ter pensado muito nisso.&lt;br /&gt;Assim, confrontar a melodia calma das águas que correm. Há sempre águas a correr por perto de onde se vive, de onde se pode afirmar que se sente a água a correr. Picuinhices mais concretas, como olhar, pensar nos ínfimos pormenores da paisagem que nos compõe em efémeros fragmentos de tempo.&lt;br /&gt;A merda do tempo a bombardear o pensamento ilógico a que se submete a vontade; a triste forma de gritar que se tem antecedentes, que estes são muito mais importantes que a rejeição teórica a que os sujeitamos. Um veneno de morte lenta, de enganoso olvido sobre as certezas que pretendemos conquistar...que coisa, que julgamos mesmo dominar com todos os sentidos bem apurados. Nós, donos das nossas verdades e pronto, cada um acredita nas suas, estamos combinados dessa forma.&lt;br /&gt;Os acordos formais que a hipocrisia firma sucumbirem perante as catástrofes como quaisquer conceitos, fisicamente concretizados, de estar perante os outros, perante nós próprios. Talvez aí, depois disso tudo, esteja o silêncio de que dependemos cada vez mais, com o passar desse maldito Tempo a que se faz referência em repetitiva conclusão; a paisagem bucólica, estática de nós que se admira sem pressas, sem ruído na sala verdadeiramente iluminada pela benesse da luz solar.&lt;br /&gt;Essa energia ser silêncio; ser paz e conflito; ser um ponto final no caminho que se acaba para que outro comece. Qual a novidade em tudo isto? Alguém percebeu? Percebi eu,  antes da sobriedade me conduzir a essa realidade silênciosa de acordar comigo, só, no mesmo contexto espacio-temporal que todos os outros que me vão julgar pelo que silenciei até aqui?&lt;br /&gt;Pensar. Pensar e agir compreendendo a inutilidade de tal acto – esse sim animal.&lt;br /&gt;Esperar. Esperar e procurar mexer um músculo que seja, um pensamento ruidoso que seja, compreendendo a inutilidade de tal acto – esse sim humano.&lt;br /&gt;Amanhã...&lt;br /&gt;Amanhã...&lt;br /&gt;Sempre para depois o concluir pautado de uma musicalidade minimalista de compreender, de nos compreendermos.&lt;br /&gt;No fundo, alcançar as soluções fáceis que sempre se ofereceram ao raciocínio. Um murmúrio inseguro de sermos assim pelo prazo de vinte e quatro horas mais. Depois disso tudo será diferente...&lt;br /&gt;prometemos a nós próprios que tudo será diferente. A insegurança de tal ruidosa certeza, de tal elíptica dedução humana.&lt;br /&gt;O silêncio; a paz está ali, no fundo...&lt;br /&gt;no fundo de mim...&lt;br /&gt;no fundo do Tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-8094244461622965111?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/8094244461622965111/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=8094244461622965111' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8094244461622965111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8094244461622965111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/07/baladas-da-varanda-fria-cont.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-2746209484322977822</id><published>2009-06-30T09:50:00.001+01:00</published><updated>2009-06-30T09:50:29.903+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>O náufrago&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pintei uma cara numa garrafa de rum; um objecto escolhido entre os parcos víveres que sobreviveram à catástrofe. Encontrei esse acto vulgar na minha memória, fruto de leituras que fiz ou filmes que vi na civilização. Não deixo de o considerar um lugar-comum, mas, quando se náufraga, não consta das preocupações mais prementes ser original nos actos. De qualquer forma não serviu de muito, rapidamente a garrafa se tornou vazia de conteúdos que acrescentassem alguma coisa à minha infortunada existência. Um sorriso estilizado; uma forma arredondada de matéria translúcida; uma recordação de um bom momento, mas breve momento; rapidamente deixou de me fazer companhia para ser isso, um objecto inútil com um sorriso permanente. Dos outros objectos a utilidade prática repetitiva do servirem para o que foram feitos, nada mais. A partir deles organizar o espaço de acordo com os modelos que aprendi. Ridículo; ter tanto tempo e não me preocupar em reinventar as coisas de uma forma completamente diferente, com uma nova base de pensamento inerente aos resultados. Talvez ter dentro de mim a ideia de que assim a necessidade de sobrevivência não assume tanta urgência, tamanha gravidade.&lt;br /&gt;A gravidade agarra-me ao chão mole do areal e, aqui, não tenho tempo de voar em sonhos pouco consistentes nos seus propósitos. Afinal, bastar-me a areia, a praia deserta de uma ilha ou continente – desconheço-o, admito, mas não tenho vontade de explorar o desconhecido quando nem este breve horizonte continental conheci ainda a fundo – para ter onde marcar os meus passos e os poder observar quando feitos; pensar neles, na profundidade da sua marca, na superficialidade do meu acto ao marcá-los. No fundo, agarrar agora esse sonho ocidental de estar numa praia deserta. Sim, lembrar aqueles exercícios estéreis de quem se levaria para uma praia deserta, para esta praia deserta, como se não fosse infortúnio ter naufragado, mas conquistado pela sorte a benesse de umas férias permanentes. O acaso de estar vivo tornar-se assim num acaso de ser afortunado por ter tal sonho à mão.&lt;br /&gt;As mãos recusarem-se em marcar os dias, seja porque forma for, nem que seja para que se não baptize o primeiro selvagem que aparecer com nomes parvos; sobretudo quando já deve ter um. Não me preocupar muito com essa eventualidade. Tenho tempo para gozar a solidão merecida pelo cansaço, pela dor estampada na pele com marcas que outros iguais a mim me afligiram. Não esquecer isso quando grito boa noite às estrelas e uma sensação de vazio me estica a pele; quando um ruído animal me sobressalta na escuridão da noite ou quando corro a apagar a fogueira, para que o barco que navega o horizonte não me assista em socorro. Não me sinto uma alma perdida. Aliás, julgo mesmo que não tenho alma acoplada a este corpo; essa ideia absurda que me toldava os juízos e me travava os ímpetos selvagens a que o pensamento me empurrava; tudo em prol de uma salvação moral da memória de mim. A poesia ser pura, até no fresco das negras sombras do arvoredo basto. A imortalidade a que me conduz ser condicente com a sua essência etérea, como os raios de sol que me escurecem a pele, que me alimentam de vida muito mais do que essas células mortais que me compõem a existência. Não preciso escrevê-la à posteridade ou à estúpida garrafa que me sorri insistente. Basta-me tão só senti-la. Nas suas linhas que dão forma à irrealidade poderei naufragar sem limites, sem chão que me segure os passos ou sem força que me direccione à praia cobarde de ser eu, dia após dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-2746209484322977822?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/2746209484322977822/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=2746209484322977822' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2746209484322977822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/2746209484322977822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_1104.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4432002233027979686</id><published>2009-06-30T09:48:00.001+01:00</published><updated>2009-06-30T09:49:59.887+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;VII – Escaladas na solidão&lt;br /&gt;A montanha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A montanha; subi-la a esforço; parar de quando em vez. Deixar o suor escorrer e o ânimo sofrer abalos pontuais, nas passadas mais difíceis. Deixar. Chegar ao seu topo, mais tarde ou mais cedo, e então escolher um ponto dominante, uma pedra que aflore imponente, um ponto de mira para tudo. Daí dominar os quatro quadrantes de que sou feito, para além da infinitude que as linhas de horizonte oferecem, ou do que se pode pressupor existir para além delas. Mais próxima, a plataforma aplanada do topo da montanha, o chão reservado aos deuses e aos humanos inadvertidos dessa proibição.&lt;br /&gt;A Norte montanhas mais altas se erguem, mas não me pertencem, nem sobre elas tenho qualquer pretensão que não seja percorrê-las sem este cansaço de que sou feito no momento. As montanhas altas e o azul profundo das suas sombras, ou a neblina que se ergue para proteger os seus habitantes. À noite, sem luz e com neblina, Deus não existe de certeza e os homens, ou se dedicam a temer os seus próprios medos e se encerram em abrigos, ou deambulam vertiginosamente sobre as escarpas, uivando às intempéries naturais como que em desafio. Eu também ainda cá estou, também ultrapasso as minhas escaladas e, quando for tempo disso – eu sabê-lo-ei –, uivarei da mesma forma, sem medo dos meus temores.&lt;br /&gt;A Oeste o reino das águas e os seus deuses ocultos. Numa análise mais lacónica também as aventuras que o desconhecido oferece, seja qual for o seu estado físico. Caminhos possíveis para tudo o que se quer encontrar e, por inerência, para o que desejava não conhecer. Ergo o meu copo e brindo a isso. Que seja vivido quando possível. Não me reter nas questões do que torna as coisas possíveis ou não. A Vontade. Não questionar a Vontade.&lt;br /&gt;A Este os abismos; os vales fundos onde o vento sibila. Grito mensagens com a esperança que sejam ouvidas. Quando o sol nasce, todos os dias, esta terra fendida parece uma vasta planície, como se o tempo não lhe tivesse enrugado as faces. Só mais tarde, a meio da manhã, é que toma a sua forma envelhecida, por isso inóspita de vida; pode suspeitar-se.&lt;br /&gt;A Sul a união dos eremitas, o deserto, o calor e os maiores horizontes de vida. O silêncio associado aos feixes de luz forte que banham estas paragens. Ainda que no fulgor da civilização – os homens como formigas, portanto – haver espaço para um silêncio interior, uma profunda análise do que se é, do que se deve ou não fazer com isso. Logo, é a terra dos incompreendidos.&lt;br /&gt;A toda a volta, no imediato a que se retira a escalada, porque essa é só minha, a civilização, disposta em conceitos arquitectónicos e outros sociais, mais complexos por isso. Os pensamentos aplanados, despidos de vegetação; os músculos tensos, como se um apocalipse prestes a acontecer; o ruído de fundo, o feed-back. Ter o prazer de vê-la decair e a pena de dela fazer parte. Ainda não decidi se vou ser carne para canhão ou canhão para a carne. Enquanto nisso penso vou respirando o ar puro da montanha, mais rarefeito, destinado aos eleitos, os que estão mais perto dos deuses, logo dos sonhos, logo de todas as possibilidades que a sua imaginação oferecer. Ao longe, Sodoma arde num banho de enxofre e Gomorra afunda-se num manto fétido; um chão que nenhum homem se atreverá a pisar tão cedo. O Tempo efémero que me é dado a viver para que não conheça o que vem a seguir.&lt;br /&gt;Vista de qualquer ponto, a montanha é um rasgo branco na paisagem, uma ilha que se ergue, vertical, sobre uma base verde que se interrompe na subida; um labirinto de sombras entrelaçadas por entre as rochas. Com mais minúcia perceber uma clareira ligeiramente aplanada, um traço horizontal de cor contrastante, logo escura, para aí um cinza bafejado de azul. O traço ser alguém que repousa os seus pensamentos no ar gélido. Os pensamentos repousarem numa grande mancha vermelha, uma poça de sangue que anima de vida o quadro inerte.&lt;br /&gt;Eu um traço horizontal que repousa os seus pensamentos.&lt;br /&gt;Eu um quadro inerte, um observador alcantilado no seu cume, na sua poltrona lítica, firme nas bases das misérias humanas.&lt;br /&gt;Eu um rasgo branco na paisagem; uma ilha que se ergue, vertical; um labirinto de sombras entrelaçadas por entre rochas.&lt;br /&gt;O amor...&lt;br /&gt;Distender-me numa impressão sobre o amor; incuba-lo em conceitos; expressá-lo com actitudes radicais; simbolizá-lo com linhas simples sobre fundos coloridos; destruí-lo pelo poder abstracto que confiro ao meu pensamento sobre o que não conheço.Viver. Desçer a montanha pedregosa em saltos esparsos de patamar a patamar. Pareço uma criança a imitar as cabras, enquanto segue a caminho de casa com elas. Talvez seja mesmo isso, mas já não uma criança, antes um homem, grande como os silêncios, pesado como o passar das horas, calmo como a dinâmica dos elementos que o rodeiam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4432002233027979686?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4432002233027979686/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4432002233027979686' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4432002233027979686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4432002233027979686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_30.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-3390907090431069962</id><published>2009-06-29T13:16:00.001+01:00</published><updated>2009-06-29T13:18:41.762+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Tortura&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga-me o seu nome.&lt;br /&gt;Estive para perguntar “Como?” como resposta à interpelação, mas permaneci absorto de mim, quanto mais das coisas que o homem que estava à minha frente me dizia.&lt;br /&gt;Vá lá, - atribuiu então à fala um tom cordial em modo sorridente – diga-me o seu nome.&lt;br /&gt;Sorri-lhe. Pareceu-me o que de mais simpático poderia fazer era sorrir-lhe e não pensei muito na irrelevância da questão, nem no tom menos cordial que se seguiria no futuro próximo, caso continuasse sem lhe responder ou mesmo nas profundas razões que ali nos trouxeram; a mim, ao homem e à sua curiosidade burocrática sobre o meu nome.&lt;br /&gt;Quando o seu sorriso se ocultou bruscamente, procurei arrastar a conversa, a fuga à resposta que me era pedida pelo caminho do&lt;br /&gt;Porquê?&lt;br /&gt;Voltou a sorrir. Ganhei tempo. O jogo começava a divertir-me. Perante o seu silêncio continuei.&lt;br /&gt;Trabalhei nas obras, sabe? Aliás, todos os trabalhos que tive até ao momento foram assim, anónimos como eu que os executava. Toda a gente que me perguntou o nome, até ao momento, fê-lo para o traduzir por um número, um código mais conciso. Será que o sr. se vai dar a essa acção inútil. Pode criar já o número, se é que o não tem já à sua frente.&lt;br /&gt;Nem podia acreditar no meu descaramento. Tinha formulado muitas frases de uma vez, algumas assumindo alguma complexidade gramatical a que não costumo dar uso.&lt;br /&gt;Onde quer ir? É outra pergunta possível ou consegue inventar outra caracterização.&lt;br /&gt;Essa pergunta obrigar-me-á a mentir-lhe porque não tem resposta conhecida. Penso que não lhe quero mentir, como o Sr. Não quererá que eu lhe minta. Já viu. Estamos a convergir opiniões e nem sabemos o nome um do outro.&lt;br /&gt;Ah! Então é isso. O Sr. está a brincar comigo.&lt;br /&gt;Seria mais pertinente dizer “Ah! Então é isso. Quer saber o meu nome primeiro.” Como vê, o Sr. é que está a brincar comigo.&lt;br /&gt;Sabe? As vitórias têm sempre um sabor amargo quando se processa a nossa queda.&lt;br /&gt;O que são uns segundos de amargura face a uma vida inteira provando o seu travo adocicado.&lt;br /&gt;O Sr. é louco.&lt;br /&gt;Vá lá. Essas considerações só devem ser tidas depois de sabermos o nome um do outro.&lt;br /&gt;Voltou-me as costas com sorriso aberto, pelo menos por todo o tempo em que consegui ver a sua face. Foi buscar os instrumentos à bancada e, voltando-se rapidamente com eles nas mãos, assumiu uma pose altiva, como se tivesse agora na sua posse um enorme poder face a mim, face ao que tinha demonstrado ter até então.&lt;br /&gt;O Sr. é um subversivo.&lt;br /&gt;Não. Chamo-me Vasco.&lt;br /&gt;Já não tenho tempo para formalidades. Quero sangue, dor...&lt;br /&gt;Supremacia face a um seu igual.&lt;br /&gt;O poder não se alcança com romantismos.&lt;br /&gt;Aí discordamos completamente, devo dizer-lhe.&lt;br /&gt;Vou magoá-lo por isso mesmo.&lt;br /&gt;Como se as suas palavras não bastassem para causar dor suficiente. Talvez lhe dê mais trabalho.&lt;br /&gt;O Sr. brinca comigo.&lt;br /&gt;Nunca estive tão sério – disse-lhe sorrindo.&lt;br /&gt;É uma pena, tem os dentes todos e um corpo são que servisse o nosso exército, a nossa luta.&lt;br /&gt;Isso seria muito chato. Teria de lutar contra a minha luta, pelo que acabaria por elouquecer.&lt;br /&gt;Poderia... pelo menos... – a falsa hesitação para me tentar convencer da sua falta de domínio.&lt;br /&gt;Não denuncío ninguém. Sabe disso, mas não sabe o meu nome e insiste em fazer perguntas, por certo é para o meu bem. Eu acho que é para o seu próprio bem. Já pensou bem no que sabe. A informação deve ser o negócio mais rentável do mundo.&lt;br /&gt;Morre gente.&lt;br /&gt;Vive gente para que mais não morram.&lt;br /&gt;Agora, o corpo berra a dor que sente contra as paredes húmidas e escurecidas do casebre onde me encontro. Poderia tentar explicar como me esqueci de tudo desde que entrei pela porta de acesso à rua, à liberdade. Não sei se eles iriam acreditar. É inútil porque, de qualquer forma, já não consigo falar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-3390907090431069962?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/3390907090431069962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=3390907090431069962' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3390907090431069962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3390907090431069962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_7195.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4820076313336686454</id><published>2009-06-29T13:15:00.000+01:00</published><updated>2009-06-29T13:16:33.739+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O calendário&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fumava DEITADO na cama. Nem sempre o fazia, mas preferia fazê-lo sempre que lhe viesse a predisposição para reflectir. Não percebia como, mas o acto de fumar assim colocava-o em frente a uma cascata de pensamentos. Inadvertidamente, por vezes, achava-se mesmo a gesticular com os membros inferiores e superiores sem que houvesse explicação aparente para que o fizesse. Pelas linhas luminosas e etéreas do fumo, face à luminosidade fraca do quarto, o seu corpo deixava que se soltasse e por entre elas fosse livre, feliz pela liberdade que experimentava.&lt;br /&gt;Quando de PÈ, ainda que fumando, percorreria o espaço como um animal selvagem preso numa jaula, sendo que os pensamentos que lhe percorriam a mente eram mais tormentosos nesses momentos. De relance poderia olhar as imagens que se dispunham pela parede branca, de forma breve por saber o que continham de cor; os fantasmas que lhe assomavam aos sonhos e lhe interrompiam o descanso possível.&lt;br /&gt;Uma vez por dia, depois de APAGAR um dos cigarros anónimos, pegava numa caneta e riscava mais um dia do calendário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PENSAVA; UM DIA SAIREI DESTA PRISÂO.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4820076313336686454?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4820076313336686454/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4820076313336686454' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4820076313336686454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4820076313336686454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_29.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-545373963552956188</id><published>2009-06-28T00:29:00.001+01:00</published><updated>2009-06-28T00:29:39.057+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;A lista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lista está feita, depositada no papel dobrado reciclado de outras funções, guardada no bolso traseiro do lado direito das calças. É a única coisa que guardo de valor neste buraco escuro e frio, neste refúgio momentâneo perante o mundo todo onde paira a confusão. Tudo o resto, como as alfaias agrícolas, tornadas armas à falta de melhor, são um mero veículo para que cumpra o que ela contém.&lt;br /&gt;Tenho-a como segurança à memória que pode ser afectada por acontecimentos previsíveis e intensos, perigosos, mas penso que logo a destruirei quando constatar que está epigrafada no meu cérebro e que só um abrasivo que me destrua a poderá destruir.&lt;br /&gt;A lista tem nomes de pessoas que me couberam matar.&lt;br /&gt;Não penso no porquê desse julgamento, interessando-me apenas a sentença. Fá-lo-ei porque acredito que o mundo ficará melhor com a putrefacção dos seus corpos sem vida.&lt;br /&gt;A vida resplandecerá em seu torno e a vida nasce nos sítios mais inóspitos.&lt;br /&gt;Contudo, não mo ordenaram sem que pudesse questionar o que tinha a questionar. Houve respostas, entendimentos, silêncios e abraços de despedida. Nestes tempos, como em todos os tempos conturbados, as despedidas são frequentes, mas corroem menos o coração e a alma, concentrada em objectivos maiores que o corpo, maiores que a vontade individual, por grande que seja. Também questionar para quê, se estou no mesmo barco à deriva que toda a gente que tomou decisões similares à minha. Na lista não constam alguns nomes que conheço de cor, com mais força; nomes que dela não constam por serem fruto de uma vontade individual, de uma certeza só minha. Os nomes inscritos, por o estarem, são a missão colectiva, logo por isso burocrática, firmada em papel; os outros constituem uma missão individual, em nada distante da outra nos propósitos, mas de difícil justificação moral ou ética ou seja lá em que valores em que se finge acreditar.&lt;br /&gt;Quando o caos nos rodeia somos sempre homens maiores que os outros, os Ratos. Para esses sou eu o Rato que se esconde no covil da terra, portador de doenças de carácter social. Logo eu, que me dou bem com os meus vizinhos, com a comunidade mais próxima. São os conceitos a que nos agarramos que nos toldam a visão do essencial. Contudo, a existirem essas diferenças de perspectiva, vamos lá pô-las em confronto de uma vez, só para ver o que sai daqui. A luta, seja física ou verbal, terá de ter lugar quando soarem as sirenes, o supremo sinal de ordem, de uma nova ordem que se anuncia como a claridade da madrugada limpa antes de o sol dar de si.&lt;br /&gt;Por enquanto aguardo, tocando no papel que guardo no bolso, que não posso ler pela falta de luminosidade.&lt;br /&gt;A lista é a minha única companhia neste momento e é o espelho de todas as realidades que aqui me trouxeram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-545373963552956188?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/545373963552956188/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=545373963552956188' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/545373963552956188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/545373963552956188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_2150.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-1384409330477189529</id><published>2009-06-28T00:28:00.001+01:00</published><updated>2009-06-28T00:28:55.374+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O suspiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um suspiro, um desabafo para a atmosfera carregando o que, dentro de nós, urge em ser liberto e a liberdade ser o vazio onde se espalha, onde se dissolve numa fátua energia que alguém pode respirar, que uma árvore pode de novo transformar em oxigénio, que um carburador industrial pode destruir em prol do bem comum. Isso nada terá de poético, uma coisa tão íntima resultar numa dinâmica entre nós e a atmosfera e da atmosfera com a tecnologia. Pensar antes no que o silêncio subsequente encerra, em todo um conjunto de palavras contidas, ao contrário desse sopro ínfimo que se libertou. No fundo, nada restar de uma análise que não se quer ficcional, para além de um peito que se alivia de um peso excessivo. A vida, o respirar, por vezes, dá-nos peso a mais. Felizmente temos intrínsecos mecanismos somáticos que nos afastem do sufoco do que se cala, sendo que o que se cala pode tomar milhentas formas de sentir o que nos rodeia; um corriqueiro problema do dia-a-dia; uma mentira que se disse para não pensar mais no assunto; um sentimento que o corpo manifesta mas que ideia se esforça por rejeitar, face ao todo social que se aprendeu até ao presente, até que o suspiro se solta. Dessa forma, poder-se-á afirmar que cada vez suspiramos mais, com o correr da idade, desembocando numa velhice cansada em que os suspiros simulam um sono profundo e o corpo... esse bem desperto perante as coisas do mundo. Assumir que pode ser cansaço, mas também esse cansaço ter múltiplas géneses possíveis. Oh, a que êxodo sujeito o meu pensamento para não admitir, nem por escrito, o que sinto. Suspiro. Revolvo a ideia num vai e vem de exaurir a minha existência aos poucos, de a aceitar, de me aceitar como sou. Rejeitar-me, rejeitar a ideia de estar cansado e a força esvair-se em mais um profundo respirar. O silêncio da expiração de palavras mudas, de vontades secretas que o corpo esconde, repele, aceita, rejeita. O sol, a alta temperatura das latitudes percorridas a não ajudar a fluência dos pensamentos, a condução dos mesmos a fins concludentes. As dúvidas a evaporarem do corpo em ondas esparsas; condensadas de novo na inspiração divertida, quase infantil, das coisas pouco concretas. Daí, dos conceitos indefinidos, não sei bem explicar como, o desejo entranhar-se nas veias e percorrer o corpo em jorros bastante impetuosos; a bomba cansada; o corpo, o sangue pesados. Agir. Não. Pensar. Não. Suster os actos, os pensamentos; deixar para depois, para nunca. Suspiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-1384409330477189529?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/1384409330477189529/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=1384409330477189529' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1384409330477189529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/1384409330477189529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_28.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-8778512846764527471</id><published>2009-06-27T00:42:00.002+01:00</published><updated>2009-06-27T00:43:14.117+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;VI – Quedas na realidade&lt;br /&gt;O reencontro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;            Começar bem o dia, uma nova semana de trabalho, reencontrando a Mediocridade no corpo inteiro de um amigo de infância. Estaria igual na sua fisionomia, não fosse a Mediocridade ter-lhe inchado o corpo ligeiramente de modo uniforme. Trajava um uniforme de executivo e, não sei se ele ou a sua mediocridade, tentaram-me vender a sua imagem com a postura de um comercial, profissão que efectivamente o rapaz exerce.&lt;br /&gt;            Poderia escrever um livro a derrubar árvores destas, com raízes pouco firmes, mas não o merece. Também entendo que não merece o meu silêncio; o meu silêncio como o meu autismo face ao que me chateia verdadeiramente. Isto porque, ao vender-me a sua imagem, ele não precisava de o fazer. Partilhámos demasiadas coisas boas e más para que, agora, cedêssemos perante a formalidade dos estranhos. Sobretudo, não merece que ignore o facto de o ter encontrado pela altivez com que me tentou seduzir com a sua pose. Não, não fui eu que me senti pequeno ou baixo face a quaisquer conceitos de diferenciação, social, económica e estética; foi ele que para mim olhou e logo entendeu – na sua aguçada observação profissional – que eu merecia, que eu precisava do seu ar condescendente, da sua pose altiva, das suas palavras ditas em jeito paternal, mas também em jeito de “vai-te mas é embora; que merda de começo de dia”.&lt;br /&gt;            Esta será uma descrição de todo simplista do caso, mas agora que contei os traços gerais da cena, não quero incorrer no mesmo erro que critico; subestimar a sua pose, as suas profundas razões e armar-me para aqui em superior no que concerne à análise dos outros; arrastar-me na mania de que sou o acutilante cirurgião que lhe disseca o espírito torpe, submetendo-o a uma anestesia social.&lt;br /&gt;            O que é certo é que não tenho muito que fazer e, nas próximas horas, poderei não fazer mais nada que digerir a sua imagem em mim. Se o meu orgulho disso precisa, bastar-me-á a ideia de que o posso fazer, para sentir que ganhei o jogo. O meu espírito crítico, no entanto, impele-me antes a pensar que o perdi, para que esteja aqui a falar nisso. Assim, perdido por dez, perdido por mil. Que se lixe. Mais vale continuar a pensar que, enquanto apertava o nó da sua gravata em frente ao espelho, se fechou na personagem que escolheu para viver a vida e que, sem que eu ou ele tivéssemos culpa sobre esse imperativo cordial da sua profissão, tivéssemos de nos cumprimentar dessa forma vulgar.&lt;br /&gt;            Apertou-me a mão – já que é para continuar a falar nisso – de forma fugidia, como se tivesse pressa, mas não tendo ainda pedido o café. Eu ainda estava feliz pelo reencontro no acaso dos dias e, tendo já bebido o meu, encostei-me ao balcão e à disponibilidade de trocar actualizações do passado com ele. À primeira pergunta oca e circunstancial que me fez quase que percebi o seu incómodo em me rever, mas como lhe tinha feito uma pergunta similar, procurando saber efectivamente as respostas, deixei que a conversa se prolongasse a novas questões, minhas e dele. Aí, não obstante, percebi tudo, o que lhe causava essa azia matinal que o movimento de queixo indiciava. Enchi o peito de sarcasmo e estiquei a conversa, as perguntas ao extremo da sua indisposição. O suficiente até que me voltasse as costas, após o café bebido, e rumasse ao posto dos correios com a desculpa de algo urgente. Aliás, não era desculpa porque se deu ao trabalho de me mostrar as credenciais que o comprovavam, sem que eu lho tivesse pedido. Coitado – pensei enquanto se despedia. Eu não me despedia. Media ainda a possibilidade de o acompanhar na sua longa espera que a fila dos correios anunciava. Desisti no imediato de o pensar; não sei se porque queria fumar, se porque não estava assim com tanta paciência para essas palhaçadas. Talvez estivesse mesmo com pressa de ir embora e de percorrer muitos quilómetros e pensamentos sobre essa cena tão breve.&lt;br /&gt;            Agora sim, está na hora de terminar este exercício absurdo como a cena que o alimentou, tão ignóbil quanto a actitude do meu amigo. Amigo será talvez uma palavra demasiado forte, dado o contexto. Vou dedicar-me aos lilases, à minha visão impressionista sobre a flora do jardim público. Vou observar a nora do rio que cumpre a sua função de ilustrar que já foi útil em tempos, como já foi útil em tempos. Talvez alcance uma qualquer metáfora sobre o tempo que roda ou sobre o passado que essa ideia encerra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-8778512846764527471?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/8778512846764527471/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=8778512846764527471' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8778512846764527471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8778512846764527471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_8548.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4120303114084901454</id><published>2009-06-27T00:42:00.001+01:00</published><updated>2009-06-27T00:42:39.357+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;As bruxas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bruxas sentam-se, muito bem sentadas nos seus cadeirões de madeira polida, recitando os poemas propícios ao momento; sem demoras, sem timidez que intimide, sem vergonha alguma que acate as almas ouvintes.&lt;br /&gt;Canções de embalar em noites semi-frias, longas porque se iniciam. Promessas vãs, firmadas com o intuito de chegar às mais frágeis formas de sentir. Vinho que escorre em malgas, primeiro pelas goelas abertas, depois para o nada do chão; porque ninguém jamais beberá desse líquido conspurcado, porque o desperdício é um pequeno nada do início de noite.&lt;br /&gt;O afago solidário da mão que vai percorrendo o meu corpo.&lt;br /&gt;O brilhar de olhos porque sim.&lt;br /&gt;A calçada branca que aqui me conduziu de novo, rumo à esperança de existir, de ser mais um pouco para além de mim.&lt;br /&gt;Tretas.&lt;br /&gt;Porquê?&lt;br /&gt;Já vês.&lt;br /&gt;Sou o sonho disperso pelas partículas de neblina que se espectram na luz da fogueira, por entre o fumo das madeiras resinosas. Sou o estúpido sonho que vagueia por entre as coisas humanas a que os humanos deram nomes, para que não entenda o porquê de entrar dentro da neblina, dentro do fumo; para que não entenda o que ocupa espaço que eu não sinto, por se tratarem de territórios onde a aventura de respirar nunca me levou.&lt;br /&gt;O caminhar pela coincidência dos sonhos dos outros que se cruzam com os nossos.&lt;br /&gt;Sou só uma giesta que abana ao vento porque este nem o ordena, porque este o quer e pronto. Tu és o vento que me aflora a superfície e que me abana até às bases estruturantes, sem que seja em demasia, sem que quebre o chão flutuante a que me agarro com toda a força.&lt;br /&gt;Se fosse tudo assim tão fácil!&lt;br /&gt;Não há nada que seja fácil, mas tu não te importas com esses ditames da vida terrena.&lt;br /&gt;Sabes que há algo mais para além disso; na calma espera de uma maré que sobe lentamente; na lua a dançar com as águas terrenas e os grãos de areia a oporem-se, a rolarem uns sobre os outros, quase impotentes, quase insignificantes, mesmo no seu conjunto.&lt;br /&gt;Os dedos que cruzaremos um dia terão essa força inútil contra as marés já definidas. Teremos de reinventar um outro território paralelo a este para que a gravidade não se manifeste.&lt;br /&gt;No entanto, a pressa…&lt;br /&gt;De viver? De correr sobre a brisa que percorre a noite?&lt;br /&gt;Nada disso. A pressa de cumprir promessas firmadas por escrito.&lt;br /&gt;Para ti.&lt;br /&gt;Para os outros que te rodeiam e a quem tanto queres bem.&lt;br /&gt;O altruísmo jaz na valeta infecta pelas lamas dos últimos aguaceiros.&lt;br /&gt;Sou eu o assassino da noite que começa e não o sei…&lt;br /&gt;Ou pelo contrário, não quero acreditar.&lt;br /&gt;Instalado no conforto das arcadas de pedra, já familiares, acredito que escrevo o texto da minha vida num pequeno caderno de notas e essa mesma vida é o líquido incandescente que me escorre pela garganta aberta uma vez mais; o veneno que tomo voluntariamente, sem que alguém, mesmo tu, tivessem forjado a condenação que atinge todos os corpos.&lt;br /&gt;O céu estrelado pelo isolamento face à civilização. Sou tão pequeno aqui.&lt;br /&gt;Somos todos, mas as bruxas estão aqui para celebrar outras coisas.&lt;br /&gt;Seja como for, estamos virados para o infinito, amparados pelos amigos, em breves abraços de distracção.&lt;br /&gt;Sentar no espaço branco reservado aos loucos, por se ter lido Bréton e por ele ter explicado que não há problema. Descansar aqui do consumo imediato da tua arte e ler da tua pena a piça e a cona que também a Lua grita e que a natureza impõe.&lt;br /&gt;Os sonhos impedem-te de dormir; são eles quem atormenta o descanso que o dia de normalidade requer. Logo agora que aprendes que és uma rede de vazios e que as linhas que os unem são raios de luz que os buracos da ruína deixam passar para o interior. A ruína tem as suas vantagens pela incisa luminosidade que confere aos espaços.&lt;br /&gt;Afogo o pensamento absorto na beleza do cenário que me rodeia, alheado das bruxas que dançam, que falam, que riem e que preparam o caldeirão onde devo arder. Não será poção que me consumirá a vida, nem o feitiço verbal que vagueia pelos tempos, será o fogo que me conduzirá rapidamente à cinza que me está prometida.&lt;br /&gt;O melhor poeta…&lt;br /&gt;Não. Não mintas com esses lábios que são teus e dos quais conheço bem o sabor acre.&lt;br /&gt;Sou um mar de dúvidas pescado pela tua rede aberta do não saber,&lt;br /&gt;do não viver as coisas que me vão na alma; só pelo prazer de estar, só pelo prazer de ser.&lt;br /&gt;Mas não é isso que quero. Quero que te vires para aqui, enquanto olhas para acolá. Depois tens ainda isto e aquilo e eu sou só uma praia de areia fina, branca como a neve com que tanto sonhas. Eu sou o sonho ao dobrar da esquina do desejo e tu, meu brinquedo predilecto de um sonho que vou inventando ao correr do Tempo.&lt;br /&gt;Tu sabes. Tu tens a certeza que nada é o que é e, ainda assim, confias&lt;br /&gt;porque te foi ensinado; porque a alternativa é demasiado dolorosa.&lt;br /&gt;O primeiro punhal que se espeta, esventrando a vontade, cortando a respiração que ia ajudar uma ideia que sai pelos lábios. Os lábios sangrentos e, logo, doces como a matéria ressequida que te compões a alma.&lt;br /&gt;O melhor poeta&lt;br /&gt;A insistência das ideias ocas e eu a acreditar, segurando as entranhas com a mão direita, enquanto a esquerda segura o copo e o cigarro.&lt;br /&gt;O empurrão de força.&lt;br /&gt;O abismo já ali ao dobrar do próximo segundo...&lt;br /&gt;Com o calor liquidifico-me e entro pelas falhas das pedras lentamente. A certeza que a doce sensação que o abismo oferece à existência só existirá enquanto o percorrer pelo rebordo. A mesma serpente a povoar o rio, lá no fundo. O mesmo inocente que teme, cá em cima; a tentar adormecer, temeroso.&lt;br /&gt;Assim os dias passarão rápido para que um dia te arrependas da pressa com que se cai em qualquer vazio, nem que seja pela estúpida ideia, a firme certeza de que poderás subir mais tarde, vir à tona.&lt;br /&gt;À tona vem a merda e os animais que sabem nadar, ou quando já estão mortos, como as árvores e outras imundices que não alimentam o corpo nem a alma.&lt;br /&gt;Devoro o meu pulso esquerdo para matar a fome e para que pare de escrever, mas esqueci-me de que sou destro. Talvez não quisesse mesmo parar de escrever. Não me posso iludir assim à primeira quanto aos meus intentos.&lt;br /&gt;A memória inexistente de um futuro próximo oferece-te um cansaço antigo e olhas pela primeira vez o tecto a reflectir a luz artificial no baço dos teus olhos. Aqui não há cor. O que fazes aqui a escrever sem cor que te rodeie?&lt;br /&gt;Acredita em ti e verás que a verdade é a realidade que tu constróis. Mas tu sabes tudo desde o início da noite. Só não queres crer na Verdade, aquela que te penetra a carne sangrenta uma vez mais.&lt;br /&gt;As bruxinhas juntam-se naquele canto onde a lua incide vigorosamente, afastado  da fogueira em redor da qual as bruxas dançam. As bruxas reúnem-se em roda aberta ao infinito e o Universo em implosão és tu. Uma delas recita a Cena do ódio e as bruxinhas esquartejam os bonecos preparados para o efeito.&lt;br /&gt;Eu o Narcíso do Egipto.&lt;br /&gt;Eu esquartejado pelas bruxinhas.&lt;br /&gt;Eu que tinha tanta vida para oferecer a mim próprio.&lt;br /&gt;Mas tu sabes tudo desde o início da noite. Só não queres crer na Verdade, aquela que te penetra a carne sangrenta uma vez mais.&lt;br /&gt;Já não falas&lt;br /&gt;não sussurras os medos que te cobrem o corpo triste porque não consegues. Os murmúrios são alarvidades previsíveis para ti e os gritos estão do lado de fora do edifício onde não chovem punhais. Rodopias na vertigem de ser mais um pouco e a esperança é bebida de chofre, num trago amargo de existência dogmática.&lt;br /&gt;A calçada branca pontuada de negro sobre os pés e&lt;br /&gt;não és crente,&lt;br /&gt;não és nada para além dos passos que te arrastam para o veículo de fuga.&lt;br /&gt;Vinte e três anos nos braços que não são meus,&lt;br /&gt;como os sonhos que sonhas,&lt;br /&gt;como o nada que te preenche o vácuo.&lt;br /&gt;Enfim repouso na certeza que não sou, dormindo no corpo que não é meu.&lt;br /&gt;Acredita em ti e verás que a verdade é a realidade que tu constróis. Mas tu sabes tudo desde o início da noite. Só não queres crer na Verdade, aquela que te penetra a carne sangrenta uma vez mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4120303114084901454?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4120303114084901454/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4120303114084901454' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4120303114084901454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4120303114084901454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_27.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-5828808805231325090</id><published>2009-06-26T22:41:00.001+01:00</published><updated>2009-06-26T22:42:29.204+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O quarto negro&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer casa onde escolho viver tenho sempre um quarto negro onde exorcizar as amarguras que a alma me dá ao corpo, que o tempo me faz atribuir ao espaço vivido. No quarto negro as trevas nem sequer brilham, tratando-se de um negro opaco, sem brilho e sem ponta de luz que possa absorver. Picasso, por certo, encontrá-la-ia, mas já cá não está para o fazer. Van Gohg e a maioria dos pintores que lhe seguiram não a conseguiriam pintar nunca. A ausência de luz é um problema para a arte plástica. As coisas mais negras pensam-se e escrevem-se se houver coragem para o fazer.&lt;br /&gt;Sim, é verdade. Falaste-me de Van Gohg e é por isso que o coloco aqui, dentro do quarto negro.&lt;br /&gt;Aqui ouvir o som depressivo que tanto se aprecia; aqui sentir as palavras da poesia favorita como gotas de chuva que percorrem o corpo, acariciando-nos, fazendo-nos sentir muito felizes por estarmos vivos, por sentirmos a água que escorre, o frio na epiderme que enregela a alma. Sentirmo-nos pequeninos por todas as coisas que a vida e o mundo nos deram e darão daqui para a frente e sentirmo-nos gigantes pela oportunidade de tudo isso sentir.&lt;br /&gt;Acabar o pacote de mortalhas e começar a inventar uma solução qualquer para terminar a onça de tabaco que nos faz companhia pela noite fora. Balouçar pelas amenas conversas entre amigos, como se naufragasse por mares de calma; deixar ainda abraçar-me por esse conforto existencial. Amanhã, os fantasmas irão gritar de alegria, de loucura provocada pelo álcool abundante, pelo desejo tão grande de viver a jorrar para os seus copos. Os profetas não precisarão de transformar a água em vinho e seremos todos mais felizes também pela ausência desse tipo de protagonismos comerciais. As ideias não se vendem, dão-se e recebem-se sem peso e medida, para que sejam absorvidas o quanto baste, para que sejam despejadas e mesmo defecadas, se for caso disso. Nesses casos, normalmente o outro dia é que o dirá e não a análises do momento, por muito que alguns se estejam a cagar para outras coisas, metaforicamente falando, é claro.&lt;br /&gt;O quarto negro torna-se pequeno e aconchegante quando dele o requeremos; quando o corpo treme de cansaço, de desgaste pelos produtos corrosivos que se tomam às refeições; quando a solidão é o corpo dobrado em si, dentro desse silêncio exterior.&lt;br /&gt;As linhas negras, finas, de orientação esquizofrénica que delimitam os contornos da cidade na pintura de parede. Esta inundada de cores, das cores que delineiam a cidade, não das cores que a animam.&lt;br /&gt;Gosto da cidade; tem as ruas desertas, apesar de fazerem denotar a passagem de muita gente noutras horas. A calçada polida pela contínua repetição dessa função suprema ao ser humano que é caminhar; porque isso lhe dá pequenos resquícios de vida como beatas, vidros, papeis e o odor de urina de cão a povoar o espaço. Os grafitis de mensagens telegráficas tornam esta descrição absurda. Vai parar aqui.&lt;br /&gt;Por vezes, o quarto é um grande espaço aberto a todas as coisas do mundo, sem fronteiras que o delimitem de um qualquer outro espaço, sem que o cheiro seja ali diferente de todos os espaços que não existem. Uma porta verde pelo meio da sobriedade telúrica e bato, sem hesitar um pensamento que seja. Trazem a chave e já cá estou dentro partilhando cansaços e silêncios, frases curtas eventualmente, mas não sei se as digo ou se as ouço simplesmente.&lt;br /&gt;O anjo da madrugada declama um poema titânico e os estados de espírito alteram-se entre o ironicamente-sorridente e o triste, tão triste, tão só e tão frio ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Vou balançar-me para a rua até ao conforto urgente da minha não-casa.&lt;br /&gt;Lá fora o mundo colapsa; os canhões rugem cada vez mais alto, fazendo prever que todo o mundo se liquefaz em lava ardente, pelas bombas que queimam, pelas bombas que matam tudo o que alcançam. Não me importo em demasia que assim seja, apesar de estar a escrever sobre o assunto. Tudo é demasiado fulminante, de maneira que não há gritos, que não há pena de ninguém e muito menos de mim; não há sono que me acalme, não há sonhos que percorrer.&lt;br /&gt;Os espaços surgem de novo, abruptamente como a esperança, para que os viva sem que as forças do tempo os marque; os espaços são o que eu sou, como eu sou, do que eu sou. O aroma que inunda o ar que se respira é esse mesmo que eu respiro quando coloco o nariz na dobra do braço.&lt;br /&gt;Acordo com a dor do suor contínuo da pele, pela boca seca que pede água, perante a tragédia de acordar, de ter de acordar. A dor dissolve-se na coragem quente da rua, mas solidifica nas sombras profundas das cavernas, dos espaços escolhidos para longa hibernação.&lt;br /&gt;Perfumes suaves tomam formas docemente femininas passeando-se no sonho do meu sonho.&lt;br /&gt;Não quero sonhar o meu sonho, quero estar bem acordado para o viver por inteiro, para o perceber nos pormenores mais ínfimos.&lt;br /&gt;A dor desfeita em cinza ou presa entre duas linhas paralelas no espaço arquitectónico, grande armazém do vazio de mim, pavilhão das vontades individuais, como se as massas pensassem, tivessem vontades colectivas.&lt;br /&gt;Os sonhos não dão para tanto. Enroscam-se cheios de frio, em mantas coloridas, vendidas em feiras barulhentas onde não se concebe a paz, o silêncio e se pensa que as mantas são uma vontade colectiva de algumas individualidades. Eu não sou. Eu não quero ser. Eu realizo todos os meus sonhos de não ser.&lt;br /&gt;Tens olhos de gato, porque as sombras inundam tudo à tua volta e, ainda assim, consegues ver os resquícios de luz natural ou,&lt;br /&gt;Tens olhos de gato. Tens olhos, logo és, logo existes ou,&lt;br /&gt;Tens olhos de gato e o Beckett nunca teve razão na destruição da prosa.&lt;br /&gt;Ecoa. Ecoa. Ecoa.&lt;br /&gt;Inspira&lt;br /&gt;Expiraaaaaaaaaaaaaaaa.&lt;br /&gt;Pensa responde às questões que te colocam, que se te colocam.&lt;br /&gt;Tens ecos que se colocam nos olhos negros de gato.&lt;br /&gt;Tens olhos que te levam a ergueres-te na respiração ou,&lt;br /&gt;Os pés a erguerem-se na respiração do gato?&lt;br /&gt;O calor do fogo do negro dos teus olhos a evaporar-me de novo.&lt;br /&gt;Tudo foge da materialidade que eu desejava agarrar, sentir pelo toque, inalar descobrindo o poro que liberta o teu cheiro. Também as coisas que dizes pontualmente não materializam os lábios que libertam o som, o seu sabor certamente fresco. Como os gestos que se fazem à minha frente são longínquas miragens, possivelmente produto do calor que não tem fonte só nos olhos, que talvez nos rodeie a toda a volta. A concreta inevitabilidade é a de que ambos os corpos serão abandonados pelo que está lá dentro, invertendo papeis.&lt;br /&gt;Os corpos solitários dissipar-se-ão pelo redondo das horas mortas, quando as células se apagam e não se transformam em nada. Lavoisier não tinha razão, mas de nada importará tal facto, porque nós os três nada temos em comum para além das cinzas que seremos os dois, com a cinza que ele foi.&lt;br /&gt;As cinzas que a nossa planta dos pés pisa inadvertidamente contra os chinelos. Pés que poderiam flutuar lado a lado, nos mesmos plácidos sonhos, nas mesmas mantas coloridas de vontade individual.&lt;br /&gt;Não há praia, mas areia fina sob os pés e o murmúrio da lenta maré que a banha, o murmúrio lento dos teus segredos simples.&lt;br /&gt;Apago-me como o último pau de incenso da não-praia da minha existência.&lt;br /&gt;Pollock. Pollock. Onde estavas quando se pintaram estas paredes negras, estes tectos, o chão povoado de pingos indisfarçáveis?&lt;br /&gt;Agora posso repousar em silêncio de não me responderes, quer esteja morto ou vivo; agora posso desejar à vontade todos os sonhos que tenho por cumprir.&lt;br /&gt;Sem medo.&lt;br /&gt;Sem força alguma que o impeça.&lt;br /&gt;Mas, se quisesse, poderia colocar o som agressivo das horas mortas para encher o espaço do quarto. Adorar o contraste da parede escura relativamente à luminosidade que arromba a janela desde lá de fora, lá de longe, do outro mundo da luz.&lt;br /&gt;O teu sussurrar de palavras doces entra-me pelos ouvidos cortados e atirados ao chão, como agulhas quentes abrem espaço por entre as células até chegar ao âmago da questão, até chegar ao ponto onde os líquidos podem verter a sua consistência, a sua essência que passa a pertencer a este corpo.&lt;br /&gt;Corpos vagueiam na crista de ondas de calor, balançam por entre letras gigantes que se consomem no vácuo. O Tempo pára na penumbra da manhã e o cansaço dissolve-se no álcool que restou nos recipientes-lençóis.&lt;br /&gt;A minha geografia é um quintal interior de uma casa de Sodoma; este é delimitado por altos muros de pedra vã, reforçados por frondosas árvores de fruto. Ali se acumula a mobília-lixo em aglomerados dispersos, onde os cães urinam com as pessoas sem o intuito primário de marcar território.&lt;br /&gt;As sombras…as sombras.&lt;br /&gt;A tua geografia é diferente. Já a conheci nos voos aleatórios que faço sobre os domínios que conquisto.&lt;br /&gt;Vai-te. A porta está ali ao fundo e sê rápido para que o vácuo não deixe de o ser.&lt;br /&gt;O silêncio arrasta-me pelas pedras de calçada, como a chuva corre involuntariamente até ao rio. O rio passará a ser a fronteira entre dois seres que cruzam os braços em busca do afago que falta, em complemento da ausência de matéria sugada pelos buracos negros dos nossos medos.&lt;br /&gt;Procura-se a calma na caixa onde se guarda a inquietude; procura-se o teu cheiro na célula própria para o efeito; espraia-se o desejo nas areias finas da impossibilidade e converte-se a paixão num amor fraterno mais condizente com a racionalidade assimilada pelos anos fora. Por fim, termina-se o texto com todas as reticências possíveis, para que o olhar se questione sobre o &lt;em&gt;deja-vu&lt;/em&gt; que o Eterno Retorno não explica, que a Relatividade procura tornar inteligível e a que a Neurologia retira toda a carga poética que o meu tanto querer lhe dá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-5828808805231325090?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/5828808805231325090/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=5828808805231325090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/5828808805231325090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/5828808805231325090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_3660.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-108302872819585684</id><published>2009-06-26T22:39:00.000+01:00</published><updated>2009-06-26T22:40:47.591+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O refúgio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O refúgio hoje transpira a felicidade; a madeira das suas estruturas cheira a perfumadas resinas; as árvores florescem nas suas imediações, rumo ao fruto sumarento dos ramos onde os pássaros chilreiam.&lt;br /&gt;Merda.&lt;br /&gt;Dispensava esses pássaros.&lt;br /&gt;O ar fresco da noite apazigua os cheiros, bem como as torrentes de lava expelidas pela putrefacção dos corpos sujeitos à tectónica. As multidões unem-se pelo toque, em grupos onde as conversas acontecem esporadicamente entre as almas perdidas.&lt;br /&gt;Aqui, todas as almas que falam estão perdidas. É o preço da imortalidade.&lt;br /&gt;Poderei viver a dita imortalidade no refúgio, neste refúgio de terroristas. Aqui serei feliz sempre que quiser; o vinho escorrerá pelas frinchas das pedras, da ruína das ombreiras da janela gradeada. O seu ferro oxidado e o vinho que jorra por perto, sem tempo de sofrer essa alteração química. Logo ao lado a roupa que dança no estendal da casa vizinha, sem corpos que as preencham, que procurem essa secura a que rumam. Mais perto, o olhar amigo, complacente do aceitar esses pormenores do observar; o aceitar do próximo que está para além do seu Eu. Eu, que não tenho nada que dar ao próximo a não ser a minha presença. Eu, que me deixam estar aqui, em paz com todos e em revolta comigo, que nada posso oferecer a ninguém; dinheiro, saúde, mesmo a vã esperança de que os corpos permaneçam ali, estáticos, à nossa frente. Somos dois sem saber que fazer e essa cumplicidade ocasional é quanto baste ao aguentar das horas que se seguem.&lt;br /&gt;Terminaram aqui. Não há horas. Onde estávamos? O Outro, não era? O próximo de se trocar um olhar de respeito, logo de compreensão; oportuno, vivo e vivificante na mortalidade da sua verdade. As verdades dizem-se sem problemas com as reflexões irreflectidas que as calem ou as censurem.&lt;br /&gt;Os pombos voam livres, mas não quero voltar a falar da Natureza. Vagueio entre a promiscuidade e a luxúria no pensamento.&lt;br /&gt;Só no pensamento?&lt;br /&gt;A carne ensanguentada, vermelha, de olhos gigantes, confronta-me com os olhos de soslaio; a luxúria cobre-me o corpo como se fosse uma capa. Preferirei dormir agarrado aos meus sonhos, à melancolia que vou inventando. Por vezes, chega um amigo ao pensamento e fica-se contente com a recordação viva. É a vantagem de pertencer ao mundo dos sonhos, onde a realidade se confunde.&lt;br /&gt;Um sonhador de olhos abertos, portanto?&lt;br /&gt;Será apenas um estado de espírito com outro qualquer. Não se devem levar os conceitos tão a sério. Nada, contudo, me impede de integrar a sociedade, nem mesmo de uma forma marginal, quanto mais incompreendida.&lt;br /&gt;O refúgio vai ficando vazio e não percebo o porquê de tantas desistências. Melhor assim. Haverá mais espaço para os outros, os Bons.&lt;br /&gt;Os rebanhos de Bons resolvem então sair também do refúgio, percorrer as ruas e espalharem-se pelas casas, aproveitando para tomar ar nas ventas. É pena que não possam estar todos juntos, seria frutífero para todos, mas haveria menos ar que respirar, teoricamente falando.&lt;br /&gt;Tento escrever e não sai nada. Deve ser porque despiram a parede do tasco das imediações, a dos cartazes coloridos que, por vezes, tinham vida, como se dentro destas paredes não houvesse já a suficiente.&lt;br /&gt;Chega um amigo e interrompe-se o nada que se começava a escrever; para que o tempo passe em vertigem; para que o meu corpo se entregue ao álcool de uma forma lúcida, tal como o meu amigo London me ensinou esta tarde.&lt;br /&gt;Grito por dentro, porque a Lua é tão cheia por baixo de mim como de ti e porque os amigos chegam às toneladas.&lt;br /&gt;Um toque. Pelo meio de tanta gente foi só um toque.&lt;br /&gt;Estava distraído e deveria ter desviado o pé. É sempre assim quando ao lado dos amigos que preenchem a solidão das horas. Esses amigos que ainda ecoam e cujo som me faz voltar para fora de mim.&lt;br /&gt;Escolhe-se o roteiro do futuro próximo no plenário das decisões fáceis. Segue-se pelo caminho regular e seguro de estar em grupo, individualidades à parte. O Ego enche-se de acordo com as passadas até que se repare no negro da noite, que o esvazia lentamente rumo sol nascente do costume.&lt;br /&gt;Pelo meio tocam tambores de guerra, a par dos cachimbos de Paz que rodam; trocam-se mensagens codificadas pelos olhares, pelos sorrisos, a par com os simples cumprimentos de ocasião.&lt;br /&gt;Calem-se as vozes.&lt;br /&gt;Parem esses cenários múltiplos, esses lugares comuns supostamente metafóricos.&lt;br /&gt;Saiam as alarvidades provocatórias em catadupa. Não há oposição, não há vítimas e todos os corpos fogem de repente do abraço que se pede. A alternativa é a rua despida de gente, quando o espaço nos cospe para fora de si, quando nós nos cuspimos para fora de nós.&lt;br /&gt;Eu cuspo-me para fora de mim e condenso-me na tua morte, para que a mim retorne, sem ressentimento algum sobre quaisquer pensamentos inúteis. Morres para que eu seja vida e eu, agora que penso nisso a sério, não sei se a quero para alguma coisa. Pararia de bater este fraco coração e eu sem pena alguma.&lt;br /&gt;Os frutos saltam das árvores rumo ao tacho da sangria adocicada, rumo à histeria colectiva consequente.&lt;br /&gt;A Natureza outra vez?&lt;br /&gt;A doce condição de Ser, convertendo-se em abraços múltiplos; milhentos agarrares de alma.&lt;br /&gt;As almas outra vez?&lt;br /&gt;Não penso em porquês, por enquanto. Talvez mais logo, quando a sobriedade tomar conta de mim. Entretanto, as musas vão passando, silenciosas, sorrindo de esguelha.&lt;br /&gt;O abraço forte que se pediu e que volta ao corpo saudoso de ter noção de si.&lt;br /&gt;Então o sol promete que o dia vai nascer. O vento levanta-se e a claridade do dia, por muito tempo, teima em não ultrapassar as características de madrugada. O refúgio, de qualquer forma, perde a sua função e retiro-me para a minha não-casa.&lt;br /&gt;Pelo caminho, a calçada vai mudando de aspecto numa metamorfose poética que só a minha loucura encontra. O corpo embala-se sem vontade própria na vertiginosa descida rumo à civilização.&lt;br /&gt;Começam pessoas a percorrer o espaço em passo lento, para que o choque com essa realidade seja brando, não produza mossas mais graves que as usuais. Alguns sinais estáticos suportam pessoas dormentes, alheias às bandeiras que esvoaçam atabalhoadamente; às águas revoltas do rio, sem tempestade aparente que o explique; alheias de si mesmas, que é o mais importante.&lt;br /&gt;Os pavões gigantes pavoneiam as suas ricas plumagens pelas ruas. São tantos e, ainda assim, não percebem a sua vulgaridade. A época da caça já deveria ter sido aberta, mas não, quem manda nessas coisas prefere deixar que esses pombos se finjam pavões à vontade. Também não existem caçadores por estes dias, ou as armas é que escasseiam, encravadas pela a tosse dos débeis e envelhecidos iluminados.&lt;br /&gt;As crianças descalças revolvem as lamas à procura de minhocas, longe do mundo politicamente correcto dos empedrados regularzinhos, da terra firme e bem calcada, na ausência destes. Ali, onde as árvores e arbustos florescem tocados pela brisa suave, para que daqui a uns meses chovam pétalas como agora o perfume percorre a aragem. Do outro lado da praça já não habitam os poetas que isto observem, restando os edifícios onde escreviam, respirando o ar pesado da madeira apodrecida. Dirigentes políticos, hábeis e sem inteligência, mandam pedreiros plantar painéis nas fachadas para que o assunto fique encerrado com os seus nomes misturados aos desses sublimes seres. Não o mereciam e já cá não estão para manifestar a sua indignação.&lt;br /&gt;Outros há que estão vivos, é certo. Ainda conseguem baixar as calças e apontar o rabinho para o céu. Chegam mesmo a tentar outras habilidades, mas ninguém os leva a sério por essas absurdas acções e por serem os principais culpados por estarem vivos.&lt;br /&gt;O dia que não nasce. A porra do dia que não nasce.&lt;br /&gt;Uma derradeira subida a aflorar o percurso e logo o consequente suor na testa; o cheiro do corpo cansado a chegar ao cérebro, a obrigá-lo a pensar num duche; na força necessária para um duche. Ter pois a certeza que um duche só muito mais tarde, depois de acordar, quando for preciso lavar tudo.&lt;br /&gt;Por enquanto os primeiros passos a serem aprendidos contra a correnteza de águas que nos escorre na pele. O pânico estampado na cara das pessoas que comigo cruzam, rumo à limpeza espiritual na igreja mais próxima de si. Talvez, de uma forma altruísta, procurem salvar a minha alma pelos pecados do corpo que balança involuntariamente.&lt;br /&gt;Estou tão cansado e não tenho corpo.&lt;br /&gt;O horizonte longínquo que desaparece e o dia que não nasce nunca. Desistir de esperar. O corpo cansado que tomba na superfície macia do chão da não-casa. Não tenho corpo e por isso não durmo. Beijo os teus lábios húmidos e quentes, mas não tenho corpo. Sinto o teu sabor a noite, mas não tenho corpo, como o teu que cheira à atmosfera do refúgio. Abraço esse conforto tatuado à tua pele macia, mas não tenho corpo.&lt;br /&gt;Respirar mais tarde a liberdade.&lt;br /&gt;Longe de ti. Longe de mim.&lt;br /&gt;A liberdade forçada de respirar.&lt;br /&gt;Longe de ti. Longe de mim.&lt;br /&gt;Agora, o ecoar da dor no corpo inexistente pela ausência de refúgio e pelas horas suspensas no dia que não chegou a nascer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-108302872819585684?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/108302872819585684/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=108302872819585684' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/108302872819585684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/108302872819585684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_26.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4423827932523149567</id><published>2009-06-25T10:41:00.000+01:00</published><updated>2009-06-25T10:42:33.765+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;V – Tetralogia do Império Inka&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pátio&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Saio da sala soturna dos mestres-sábios empurrado pela claustrofobia do meu cérebro. Este provoca-a pelas questões que as sombras levantam, mais do que as dos mestres-sábios, mais do que toda a história estampada nas paredes do espaço onde se encerram.&lt;br /&gt;Deparo-me com um amplo pátio aberto à luz do dia. Respondo então à primeira questão, uma vez que o ar aqui é mais respirável, uma vez que a luz é mais natural, com as sombras mais livres do peso do saber hermético. Não deveria sequer ter questionado o desejo de fuga que me acometia os músculos tensos, sequer conter o impulso dessa força para repetir a pergunta por uma hora inteira.&lt;br /&gt;Percorro o pátio de extremo a extremo pelo seu meio, sem medo de não percorrer os caminhos pré definidos pelos seus criadores. Rumo à paisagem aberta fingindo que vou de encontro à estátua do Rei-fundador do pátio, para que logo me desvie desse confronto, marcado pelas previsíveis regras físicas que bem conheço. Há personagens assim, petrificados pela sua glória, sendo impossível dar-lhes um encontrão que lhes animasse de novo o sangue que lhes correu no gosto pela vida.&lt;br /&gt;Voltando as costas ao saber petrificado encontra-se então o horizonte, aberto há mesma curva de rio que a topografia proporciona à séculos, mas com uma outra aragem renovada, que enche o peito do mesmo desejo de viver de sempre. Arrisco rumar ao passado, ao dia em que conheci o pátio. Mas se a força que então me alimentava era a mesma, era canalizada para outros locais que não marquei nos mapas e que, portanto, se encontram perdidos, talvez para sempre.&lt;br /&gt;Penso que deveria tomar um café, enquanto procuro uma caneta com quase desespero e vou retendo os pensamentos o mais que possa. A contenção resultará na flatulência verbal ou, se não for marcada pela sonoridade, será substituída pelos silêncios nauseabundos que nem eu próprio aguento.&lt;br /&gt;Percorro de novo o pátio, ladeando-o pela sombra lateral e sento-me nas Escadas da Fé à procura da Existência. Ao invés, encontro a Falta de Fé vestindo de branco, deixando a túnica ondular ao vento enquanto percorre o fórum em direcção a mim; qual matrona que busca a solidão pelo meio da multidão prensada no torno da douta ignorância.&lt;br /&gt;Deixo de existir.&lt;br /&gt;Não deixo de existir.&lt;br /&gt;Sou.&lt;br /&gt;Não sou.&lt;br /&gt;Talvez seja e, assim, lá vou respirando o pouco ar que me resta, que me foi destinado para este longo dia de agorafobia.&lt;br /&gt;Os amigos dão ordens para que saia de mim e que vá tertuliar a seu belo prazer.&lt;br /&gt;Antes disso, prefiro encerrar-me no buraco fundo onde me refugio de vez em quando. Vou distraidamente olhar para os aspectos formais do pátio, que até agora me passaram despercebidos.&lt;br /&gt;Não sou.&lt;br /&gt;Sou qualquer coisa que desconheço ser.&lt;br /&gt;Não sou base, nem fuste, nem capitel, nem qualquer parte de estrutura alguma que assente nessas bases rectas e obedientes das ditas Leis da Física.&lt;br /&gt;O pátio enche-se de nevoeiro e o Rei-fundador dissolve-se no ar. Fica o território de sombra, só meu, onde me refugio dos transeuntes atónitos de Vida,&lt;br /&gt;Atónitos de Ciência, essa que me atrapalha continuamente os pensamentos pelo ruído que provoca,&lt;br /&gt;Agora...&lt;br /&gt;Agora...&lt;br /&gt;Agora...&lt;br /&gt;A musa que chega e que implora pela conversa que não vai ter lugar, uma vez que eu não existo e me dissolvo no nevoeiro junto ao Rei-fundador.&lt;br /&gt;Assim, não sou apanhado pela Inquisição,&lt;br /&gt;assim, não tenho de jantar, de suportar os olhares avaliadores,&lt;br /&gt;permanentemente avaliadores de mim, que não existo.&lt;br /&gt;Vejam bem!&lt;br /&gt;Não tenho de sorrir para quem não quero sorrir; de ouvir o que é dito por alguém que não sei se existe,&lt;br /&gt;porque não existo para o julgar.&lt;br /&gt;Não tenho de beber o vinho rasco de tasco,&lt;br /&gt;de beber retóricas vómicas,&lt;br /&gt;de me forçar a voar num espaço fechado, como numa gaiola.&lt;br /&gt;Os papagaios verdes enchem então o espaço, grasnando então o meu fátuo embaraço de ser pela aragem nocturna.&lt;br /&gt;Se cai efectivamente a noite, então poderei percorrê-la contigo, musa destas horas perdidas, de tantos outros momentos que vivo, que passam por nós. Faremos o pátio pelo exterior dos edifícios que o delimitam e, cá fora, posso amar-te tanto e…&lt;br /&gt;Que sabem os mestres-sábios do amor?&lt;br /&gt;Que sabes tu daquilo que sinto a cada passada em que o meu olhar tropeça em ti?&lt;br /&gt;Não sabes nem queres saber, porque a Lua está lá em cima a ver, a ouvir, a medir-te os passos, os gestos.&lt;br /&gt;Só na minha-não-casa encontrarei o silêncio incómodo de mim próprio,&lt;br /&gt;longe a tua pele,&lt;br /&gt;longe o teu cheiro,&lt;br /&gt;longe o silêncio incómodo que nos abraça a ambos.&lt;br /&gt;O pátio sou eu,&lt;br /&gt;como o Rei-fundador sou eu,&lt;br /&gt;como serei, à distância, o saudoso amante das noites de verão.&lt;br /&gt;O pátio!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4423827932523149567?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4423827932523149567/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4423827932523149567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4423827932523149567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4423827932523149567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_7023.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-456830176630567630</id><published>2009-06-25T10:40:00.000+01:00</published><updated>2009-06-25T10:41:41.699+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Beat&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser.&lt;br /&gt;Ser.&lt;br /&gt;Ser.&lt;br /&gt;Ser nada.&lt;br /&gt;Desconjuntar-me,&lt;br /&gt;desmembrar-me de ser e, para isso, ser algo ao fundo, espelhado na superfície lisa de alguns objectos; no reflexo das janelas abertas ao Outono da praça; na desfocada superfície dos tacos do chão, encerados como a percepção de aqui estar, de pertencer a um todo onde fui afagado; nos ecrãs escuros dos electrodomésticos apagados.&lt;br /&gt;Voltar ao chão e a humidade ser a razão física de me sentir soltar desse todo, mas não. Para quê a ingenuidade das metáforas a esta hora das respostas lacónicas que a minha sombra vai dando em silêncio? Os humanos não se regem por regras físicas nos seus propósitos. Será essa a piada que move a tentativa de compreensão.&lt;br /&gt;Logo se desemboca no beco escuro do empirismo onde os ecos são gritos informes de dor, quase prazer, vá-se lá entender qual a diferença, qual a fronteira. Logo se acha melhor encontrar qualquer diversão onde a atenção se foque, onde a vontade impluda, onde esse espírito inquieto – que afinal não pertence ao corpo nem à sua sombra, por ambos não o reflectirem – adormeça como um embrião repousa, sem medo, no ventre quente da sua mãe. Talvez nem assim se repouse. Talvez sejamos um ponto de interrogação desde que a primeira célula que se multiplica.&lt;br /&gt;Eu desmultiplico-me em ondas hertzianas, em pequenas células de luz, de energia, que afinal – dizem-me os tablóides do não pensamento – são também matéria.&lt;br /&gt;Não poderei fugir dessa inevitabilidade de ser matéria. Sento-me; sento a matéria informe que me compõe o conceito de ser; matéria que me dá, para além dessa anulação de mim que procuro, uma dor sem nascente, sem rasto que me faça descobrir a sua origem, logo a sua cura, logo a sua essência energética, material, que transforme em qualquer coisa..&lt;br /&gt;como, por exemplo, alegrias expelidas em verborreia sem sentido ou lutas por ideais que o mundo me faz arrumar a um canto, já não sei bem onde.&lt;br /&gt;Saber que não encontro a solução – A CURA – no consumo de quaisquer drogas legais ou ilegais que me deixem tomar e, ainda assim, fazê-lo. Rumar por todos os tenebrosos mares de algumas referências exaustas em si; pela sombria luminosidade de Turner, pela esquizofrenia apaixonada de Van Gohg; pela doçura opiácea do Pessoa; pela expressividade intranquila de Pollock; pela decadência despreocupada de Duchamp; pela tristeza infantil de Sá Carneiro; pela dissonante agonia de Charlie Parker; pela concreta irrealidade de London e Kerouac. Ser tudo isso e não saber onde está o algo mais que também se é, que também se decidiu ser na génese dessa personalidade adolescente. Ter a ideia que deixar cair os ombros...&lt;br /&gt;c&lt;br /&gt;  a&lt;br /&gt;     i&lt;br /&gt;       r&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         o&lt;br /&gt;            s&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              o&lt;br /&gt;                m&lt;br /&gt;                     b&lt;br /&gt;                       r&lt;br /&gt;                         o&lt;br /&gt;                           s&lt;br /&gt;A ideia que ontem quase não existiu face à ideia de hoje, não fosse a puta da ideia de te amar. Sim de te amar. É aí que reside a dor mas também a cura; aí que amalgamo a esperança no amanhã, ainda que em ideia; a vontade de sorrir ao mundo agreste que, quando inerte de tempo, se torna um campo de paz, um deserto acolhedoramente quente onde perscrutar todas as verdades da natureza; a coragem de ser naturalmente um ser social que foge da hipocrisia inerente à humanidade.&lt;br /&gt;Sair de mim, do espaço, do tempo. Olhar as estrelas e chegar ao fim de um caminho asfaltado. Encontrar a maçaneta secreta da porta a mim destinada e abri-la. As mesmas estrelas, a mesma negridão e o mesmo frio, mas agora como se uma manta me rodeasse e me tornasse gigante, capaz de suster todas as adversidades das realidades construídas.&lt;br /&gt;Pombas a arderem riscando o céu.Acho bonito e prossigo o caminho que vou inventar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-456830176630567630?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/456830176630567630/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=456830176630567630' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/456830176630567630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/456830176630567630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_25.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-3503772996620513843</id><published>2009-06-23T09:30:00.000+01:00</published><updated>2009-06-23T09:31:50.233+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>IV – A descoberta da Poesia&lt;br /&gt;Rimbaud&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior que andar perdido nos desertos do amor, ou outros mais quentes que qualquer inferno descritível, é encontrar-me de novo na civilização europeia. Aqui apenas me vejo obrigado a reconhecer a minha débil existência física. Nunca ninguém percebeu que eu considero a minha existência muito para além dessa outra que aqui me trás de novo. Perdem-se as pessoas em pormenores, pequenos acontecimentos que não dizem nada sobre o que eu vivi realmente. Por exemplo, a bosta fresca de animal selvagem é perfume face ao ar fétido de Londres. Isto, em qualquer parte do mundo.&lt;br /&gt;Sei. Estou a exagerar.&lt;br /&gt;Porta-te bem Jean-Arthur.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quelque chagrin n’existe pás, Jean-Arthur.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Hoje, por ser dia de escrever, de me afundar nessa triste e solitária forma de existência, sinto o vazio da ausência, o rancor de existir aqui, neste espaço nada condigno a que o faça. Até uma gruta escura e húmida seria mais acolhedora e mais merecedora dos meus suspiros, do silêncio das minhas palavras escritas, porque posso calá-las e assim ficar interpretando a sua muda musicalidade.&lt;br /&gt;Agora um vasto cais repleto de amigos e o clima cinzento, como os cavalos que os vão conduzindo à ideia da minha partida; uma comuna de propósito tão efémero quanto um comandante dar ordem de largada e se voltar para os mapas mudos que tem pousados na mesa. Nem acenos, nem sorrisos, nem qualquer gesto de inútil afecto, só a presença necessária para a despedida. Não foi sempre assim?&lt;br /&gt;O tempo a distender-se como o planar dos albatrozes no espaço e eu ser seu dono para que olhe rosto a rosto pela última vez. O espaço de cais a reduzir com a chegada de mais volume – de mais rostos, que os corpos só os concebo em ideia – mesmo enquanto os ratos se indianam pelas cordas que se soltam. A matiz da dor ser uma massa informe, cinzenta como os cavalos que a vão transportando.&lt;br /&gt;Pelo ar folhas soltas choram as árvores abatidas ao cumprimento do meu propósito de imortalidade, substituindo os lenços branco-amarelados da ilusão, essa que me desamarra do mundo correcto. Voltar as costas a esse horizonte com um porte altivo que se arrepende, para que se torne trágico no último rosto, o seu, de quem mais?&lt;br /&gt;No caminho para o cais, a visão última de ter uma forte pretensão de ter a certeza,&lt;br /&gt;de o saber pela melancolia que confrontava o vidro da janela e a mim retornava;&lt;br /&gt;a certeza que tudo isto que abandono terá um trágico fim, que nunca mais regressarei a este cenário colorido,&lt;br /&gt;agora colorido, tão colorido,&lt;br /&gt;que nunca mais regressarei a mim e por isso mesmo deixei já de existir. Melhor assim, não me vergar perante a angústia, o arrependimento passageiro que me empurra a uma vertiginosa lágrima.&lt;br /&gt;Lá atrás a vastidão cinzenta da destruição inerente à cor que me causa uma última impressão; um imenso deserto de ausência de vida e a ideia que o Homem, eventualmente, escondido numa ignóbil sobrevivência, reduzido à animalidade que tanto repudiou, concentrado em mecânicos actos de obscenidade.&lt;br /&gt;Eu, um regato seco onde outrora a vida pululava; os pequenos animais que saltavam sobre as pedras para transpor as ténues linhas da minha néscia existência; as raízes que a mim vinham beber o verde e eu a dá-lo exigindo perfumes em troca; os amantes que se aninhavam um num outro, escondidos no único recanto solarengo da minha geografia, alheios à trágica condição de se anularem.&lt;br /&gt;Procurar uma palavra,&lt;br /&gt;A PALAVRA,&lt;br /&gt;e não a encontrar na minha titânica vontade.&lt;br /&gt;Que vontade?&lt;br /&gt;A esperança de que me entendam,&lt;br /&gt;de que entendas.&lt;br /&gt;Entendes-me tu?&lt;br /&gt;Oh! Que actos abjectos posso eu cometer para expulsar a raiva que os teus olhos interrogativos em mim despertam?&lt;br /&gt;Que fim dar ao que não finda por não ter sido nunca?Só calar-me de vez; deixar que o silêncio comande a minha dor e esta me consuma em fogo piroclástico da efémera irrupção que fui por ti, meu núcleo; rocha firme que perfurei e cobri de sombra, até que os conceitos formais se anulem de toda a memória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-3503772996620513843?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/3503772996620513843/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=3503772996620513843' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3503772996620513843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/3503772996620513843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_9403.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4022907711021069294</id><published>2009-06-23T09:29:00.000+01:00</published><updated>2009-06-23T09:30:22.031+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Borboleta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avistei uma borboleta no agreste descampado urbano, onde a vida raramente se denota dessa forma. Um pequeno ponto colorido que esvoaçava numa irregularidade de trajecto  já familiar. Como se sempre a tivesse visto nestas latitudes, acrescentando-lhe as papoilas, a erva seca à mesma altura, o chão ainda húmido pelo orvalho nocturno e aquele cheiro intenso, opiáceo. Não corri para ela nem procurei agarrá-la, pois face a tão efémera criatura seria como prender um jovem por um delito e soltá-lo já velho, preparado a ser inapto para a vivência normal dos últimos dias. Esvoaçou em meu redor pousando duas vezes no meu corpo; uma no ombro, vinda subitamente de trás de mim, como que dá um leve toque na percepção distraída do Belo, da Arte, do Amor e, eventualmente, de várias noções similares a estas; essas que espicaçam a inteligência dos corajosos; outra na mão dormente que se pousava na perna dobrada ao chão; a reverência perante a minha inabilidade de compreender, de sentir tudo o que de gigantesco me rodeava. Foi-se embora sem o pré-aviso que eu exigia, quando nem pensei na coerência face ao seu surgimento no meu horizonte cinzento.&lt;br /&gt;Seguiu-se essa mania de poeta decadente, a tendência inata de cair na valeta funda de uma estrada inóspita de ser. Culpar os outros com frequência, a capacidade inata que têm de fugir aos sentimentos, ao amor pelos outros, mas reconhecer também a culpa no que concerne a esse assunto. Simplesmente desencontram-se as pessoas que nunca tiveram de se encontrar e, se o acaso lhes permitiu um breve encontro, foi porque os infortúnios, as frustrações têm de fazer parte da nossa memória. Então o corpo sentir-se doente, a alma corroborar desse estado e um sofá poder tornar-se em funil de solidão. A inquietude da queda vertiginosa face aos músculos presos, todo o corpo amarrado na camisa das forças brutais da moralidade. Sou amoral no que concerne ao Belo, à Arte, ao Amor e por isso condenado ao degredo, ao isolamento de uma cela pequena, escura, de pequena portinhola onde vão depositando os livros do meu alimento. Eu, o poeta decadente que se agarra à vida quando ela é somente um poder criativo, um punhado de sentimentos a saltar no peito, a percorrer as veias como se fossem sangue.&lt;br /&gt;Sangue. Quero pintar a sangue a obra plástica da minha existência poética. Quero sentir uma dor concreta, inerente à dor a que tento dar forma, cor, cadência, som e significados, imanente e subliminar. Quero que o eterno retorno se substancie na minha capacidade de amar uma borboleta, em tudo o que fervilhou em mim ao admirá-la pelo que é; pela sua forma, cor, cadência, som e significados, imanente e subliminar. Quero que o descampado agreste da minha vida tenha papoilas, a erva seca à mesma altura, o chão ainda húmido pelo orvalho nocturno e aquele cheiro intenso, opiáceo. Quero que a irregularidade do meu trajecto em todas as latitudes não seja interrompida pela percepção distraída do Belo, da Arte e do Amor, tudo o que me espicaça a corajosa inteligência; a reverência perante a minha inabilidade de compreender, de sentir tudo o que de gigantesco me rodeia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4022907711021069294?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4022907711021069294/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4022907711021069294' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4022907711021069294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4022907711021069294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_23.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-8598640073277956484</id><published>2009-06-22T12:03:00.003+01:00</published><updated>2009-06-22T12:05:19.256+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Banshees&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A esquizofrenia e as mulheres são os melhores alimentos dos artistas; dois pólos de uma mesma loucura. Veja-se o caso da genialidade de Anaïs Nin, a supremacia poética que esvaziou a sua caixa pela caixa vazia de June. Esta porcaria quase que soa a um ensaio quando não nada disso que se trata. Dirão então os leitores eruditos, ou tão só inteligentes – coisa rara nos nossos dias –, que se trata de um ressentimento do autor, ainda por explicar. Talvez este texto sirva precisamente como tentativa de explicação; talvez sirva apenas como exorcismo desse ressentimento ressabiado; talvez ainda seja só mais um assunto em que se tem pensado nos últimos tempos e que, agora, as marés vivas do contexto geográfico fizeram vir à tona, como as ondas revolvem a merda que as adutoras de resíduos domésticos depositam no fundo dos mares.&lt;br /&gt;Partamos para o título, para o seu porquê; uma vez que quem lerá este texto terá acoplada a pergunta à sua análise crítica ou tão só à sua necessidade inquieta de compreender o que lhe faz dedicar o seu precioso tempo. É este como poderia ser Ninfas, Tágides, Musas eventualmente,&lt;br /&gt;&lt;em&gt;mais Banshees son les femmes qui porte malade pour tous les hommes qu'elles amés&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Vá lá, concordemos que um título bíblico ainda seria mais batido e, consequentemente, ridículo na mesma medida.&lt;br /&gt;Imaginemo-nos deitados numa cama de colchão mole, desconfortável, ao lado de uma mulher despida de roupas ou quaisquer outros artifícios que a sociedade lhe pode ter incutido. Uma noite quente de pensamentos encarneirados sem cancela que saltar; o corpo extenuado pelo esgotante extravasar de sentimentos em bruto. É essa impotência que os artistas têm face às mulheres-caixa-vazia; resta escrever, pintar, esculpir, passear pela noite agreste de chuva, vento e frio. Revolvermo-nos continuamente na cama é proibido pela necessidade que temos de nos mostrar orgulhosos; inventar desculpas feitas palavras é ridículo sejam elas quais forem; procurar gestos ternos ou de raiva impetuosa sobre o seu respirar é um instinto animal que não nos pertence, que não nos deve dominar. Resta criar isoladamente a ficção que nos aflora a pena por sermos escravos, dissolver o absurdo que somos na cristalina forma de ser que elas são, perscrutar em nós a forma mais desesperada de sobrevivência face à morte que já nos anulou o corpo e a alma por completo.&lt;br /&gt;Qualquer história será trivial pelo seu conjunto; ridícula pelo contexto do seu início sem contornos de expressividade; breve, efémera em qualquer escala de tempo; incipiente pelo deslumbramento repentino, fruto das lunares veleidades e com um fim à vista, apesar de lento, anunciado pelos caprichos humanos, pela nossa impaciência perante tal defeito no estar consigo e com os outros. Um acaso de respiração que acompanha a cadência das ondas; a maré que enche, que vaza e, no fim, a paisagem que se transforma por umas meras palavras secas, como uma despedida circunstancial de fim de expediente.&lt;br /&gt;Até amanhã – como quem diz,&lt;br /&gt;É o fim. – Logo, o início somos nós que o ditamos daí para a frente. Agora.&lt;br /&gt;As circunstâncias de as conhecermos são usualmente de foro profissional, que isto de haverem vidas doces, só escravas das paixões da alma já não existe. Agora trabalha-se; dispersam-se energias para que poucos outros possam ter vidas diferentes e, eventualmente, a Arte é-nos dada a viver. Claro, tantas coisas haveriam que ser ditas sobre isso, mas opto por dizer apenas uma. É preciso saber vivê-la e isso adquire-se com a experiência ou com a coragem dos irresponsáveis. Quando julgamos que as conhecemos no seu âmago, constatamos que afinal não passou muito tempo desde que as vimos pela primeira vez e que – esses estados de espírito não mudam em tão pouco tempo – talvez as conheçamos desde sempre. Pensamos que as conhecemos ocasionalmente, podendo ser que já nos tivessem passado ao lado, como acontece a milhentos acasos. Lembramos a ideia de uma breve apreciação estética – é jovem e bonita – não despertando mais que a cordialidade dos cumprimentos diários que as convenções impõem aos monstros perante as belas; simpáticas na eventualidade de uma conversa. Será sempre Primavera-Verão ou Outono-Inverno; quando o ser está demasiado centrado no cinzentismo do umbigo, para que notemos sequer nas suas cores mornas, ou quando o umbigo arde, expulsando cores que a todas pintam. O tempo, assim, passa rápido, para que só no conjunto das estações seguintes nos ceguemos pela sua luz, nos inebriemos pela respiração da frontalidade do seu desejo caprichoso.&lt;br /&gt;A lua a enche, prestes a parir de luz, com uma regularidade atroz, para que surjam conversas de fundamentos triviais, mas sinceros, onde se dá o que se tem e não se sente falta do tudo que se poderia dar. Conversas baseadas em outras similares, onde as pessoas se descobrem, aprendem, crescem umas com as outras, apesar de fisicamente se terem ficado por ali há já algum tempo. É quando o corpo se enche de informação, os sentimentos transbordam ou a vasilha se parte, ou...&lt;br /&gt;se janta, se ensaiam as primeiras hipocrisias de ambas as partes, se finge alguma sinceridade. O fingimento ser útil mais tarde, quando se inventarem mentiras, se detectarem as falhas que anulam o desejo pelo perfeito, pelo belo, pelo inexistente. Assim se ocultam as paixões humanas e nós, os animais que assim se auto-intitulam, dispersamo-nos nas trivialidades ocas dos nossos actos, alheios do seu poder sobre o que almeja ser perfeito, procura ser belo, existe efectivamente, além de toda anulação criativa.&lt;br /&gt;Vagueamos entre o que o corpo exige e o que o pensamento impõe, se formos covardes. Deixamos as paixões na inércia platónica, ridiculamente ali colocadas pelas convenções que se refutam, que não se aceitam em manifesto. Paramos com essa inútil brincadeira infantil, ingénua, depois ou nunca teremos saído do mesmo ponto de espaço e, ao acordar, sentimo-nos perdidos em tão tormentosos caminhos do ser, do ter de ser, do desejar, do ter de não desejar.&lt;br /&gt;Jantar. Não jantar. Foder. Não foder. Não amar; disso ter a certeza, mas também não exigir tal sentimento para que o corpo se sinta ele, para que se justifique o que se faz ou se deixa de fazer. Pensar. Pensar demasiado – a primeira acusação que sofremos enquanto afastam o nosso corpo que não pensa. Tenho a certeza que o corpo não pensa. Não perceber nada do que se passa e ser essa uma espiral de pensamento que nos prende, de onde jamais se sai, uma vez nela entrada, a não ser pelo ralo minúsculo de tal forma afunilada, do objecto Paixão a que se tenta dar forma em julgado geométrico.&lt;br /&gt;Entrar na merda; um monte fétido de matéria orgânica povoado de moscas ou&lt;br /&gt;Ser merda – um monte de carne viva, de presença esmagadora, em termos físicos – rodeada de seres que se babam continuamente. Assumir a pose superior de quem é demasiado inocente para procurar em si algum resquício de humildade (A humildade aprende-se quando se constata que a forma, e o que ela exala, nos traduz de forma errónea para as moscas ou seres que se babam por ela.). Um silêncio que aponta ao vazio de pensamento – afinal, o cérebro é um músculo que necessita de treino, nem que seja pela leitura de todos os lugares comuns, similares a este, que os neurologistas nos deram. Um sorriso cordial, por quem se deixa dominar pela merda, pela sua presença esmagadora em termos físicos ou, em caso contrário, um queixo erguido face ao pescoço, como quem teatraliza a superioridade face aos outros seres pelo desprezo. Talvez nem isso, pode sempre acontecer que os outros não façam notar a sua inferioridade.&lt;br /&gt;A tragédia dos acontecimentos, normalmente, acontece por qualquer decrepitude do corpo, de um dos corpos. Tudo poderá ser inerente ao infeliz desenlace do amor não ser eterno, mas este já não o era – sem surpresa alguma – antes disso acontecer. Depois disso – com alguma sorte – o caso não se explica devidamente, tornando-se um caso pendente, pelo que o pêndulo será tocado pela força ventosa do pensamento criativo. Caso contrário, haverá um vazio criativo; os amigos – no caso de os haver ainda – procurarão puxar por nós e...&lt;br /&gt;alguma coisa há-de acontecer, porra, senão será a morte da Arte.&lt;br /&gt;Pois, pois, estávamos para falar da puta desta repetição de enredos. Como os quebrar? Como os contornar, num minúsculo universo em regressão que vivemos? Talvez olvidá-lo de vez, ao amor. Talvez olvidarmo-nos de nós da forma mais parva que conseguirmos inventar, os artistas. Talvez sentarmo-nos na praia, placidamente, aguardando que as &lt;em&gt;Banshees&lt;/em&gt; se aproximem timidamente e uma qualquer história trivial tenha lugar pelo seu conjunto; seja expressivamente ridícula pelo contexto do seu início; breve, efémera em qualquer escala de tempo inventada anteriormente; incipiente pelo deslumbramento repentino, fruto das carnais veleidades e com um fim à vista, apesar de lento, anunciado pelos caprichos humanos, pela nossa impaciência perante tal defeito no estar consigo e com os outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-8598640073277956484?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/8598640073277956484/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=8598640073277956484' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8598640073277956484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/8598640073277956484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_371.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6528906616761927988</id><published>2009-06-22T12:02:00.000+01:00</published><updated>2009-06-22T12:03:21.772+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;III – Trilogia dos amores impossíveis&lt;br /&gt;A Amante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A Amante; a vida adiada por horas em que o corpo não se move por estar embriagado em demasia, para depois tomar forma de jorro num piscar de globos oculares. A acção adiada pela secura do palato, pela presença de corpos que se questionariam,&lt;br /&gt;Que escreve? Porquê?&lt;br /&gt;Aquelas perguntas inúteis de almas curiosas que apenas sofrem do ser humanos, do ser curiosos. Que tem isso a ver com a Amante? Nada. Absolutamente nada, na medida em que a Amante quase não existe, de distante que está deste Tempo, escondida nessa dimensão atroz de estar longe de tudo o que é amar; agarrada a convicções sociais que se impõem, porque delas só se foge quando se tem a coragem de lutar em todos os tempos, em todas as dimensões.&lt;br /&gt;Contudo, a Amante existe como fátua recordação, sem tempo nem dimensão, como teimosia do corpo, a começar pela mente que a transporta por circuitos nervosos. A Amante torna-se assim o desejo de ser longe, de fugir dos conceitos, sociais e outros que possam condicionar comportamentos ditos instintivos; a sua ausência torna-se a luta contra a abnegação de ser sem questionar.&lt;br /&gt;Perceber a invasão súbita e progressiva da tristeza num qualquer território que não se define, mas que se sabe ser nosso. Olhar apático para a noite, para todas as noites como para todos os dias e deixar que a invasão prossiga nessa imperceptibilidade visual. Não pegar em qualquer arma que não se possui, nem inventar outras com o improviso sobrevivente de reinventar funções em instrumentos pacíficos. As canetas. Deixar repousadas as canetas, procurando apenas folhear as folhas que receberiam as palavras, inertes na sua vontade; apesar de tudo transpirar a certeza de que seria inútil esse contacto, essa tentativa de desabafo.&lt;br /&gt;A Amante aguarda pelas palavras não escritas, como aguarda os afagos que estas poderiam conter. As mãos, seriam as suas mãos que os tinham de completar, porque as palavras, às vezes, são afagos dissimulados, que nada valem se não se quiser crer na simulação.&lt;br /&gt;A invasão prossegue e o povo, crente de que a paz virá um dia, assiste impávido ao correr corriqueiro dos dias, ouvindo o zumbido frenético da civilização. Doenças fazem os homens sucumbir em massa; a fome sente-se em todas as horas do dia, estando o corpo adormecido ou não e os campos tornam-se desertos, pelo abandono e pela devastação física das poucas colheitas em que se investiu.&lt;br /&gt;A Amante vagueia pelo espaço cinzento, onde se começam já a reconstruir as mesmas coisas que se destruiram, alheia a essa cor dominante, sorrindo para a cor exuberante que pontualmente desvirgina a paisagem agreste. Espera ansiosa pelo toque dos corpos, sem a angústia de que tarde essa sorte, esse poder sentir o corpo para além da sua energia que flutua.&lt;br /&gt;Os dias da conquista terminam por fim. Não se percebem as diferenças nas paisagens nem nas relações sociais que as compõe e, no entanto, a angústia é evidente na verborreia insistente que assoma os lábios, na euforia estúpida que se veste em frente ao espelho. O corpo dança embalado por outro e o abraço que se implora nem atrás dos armários toscos se encontra, nem nas profundezas da terra húmida, estéril de vestígios materiais do passado dos homens.&lt;br /&gt;A Amante veste a túnica da História e deixa-se conduzir pela sua dialéctica; torna-se fantasma para que apareça de repente, para que vagueie etérea pelo ar que se utiliza para a sobrevivência. Dá-se ao luxo de quase não existir, não fossem os seus acólitos acreditarem nela profundamente, precisarem dela para encarar o futuro incerto. O instante presente não tem valor algum para além do sonho de a possuir, de penetrar o seu cárcere, o seu corpo esquecido. Deixar os poros libertar a essência humana da carne e deslizar então por todos os caminhos abertos ao desconhecido. A Lua cheia e o vento estão nesse cenário.&lt;br /&gt;Pergunto-me de que é feito o sonho, para que o distinga da realidade que esqueci.&lt;br /&gt;Quero-te. Nenhum brilho, nenhum cenário poderá gritar essa necessidade; nem tu mesma a poderás calar, ainda que som algum se ouça para além do vento. Eventualmente, no corpo imerso em realidade, gritar,&lt;br /&gt;Está tão cheia.&lt;br /&gt;e as palavras a assomarem o contexto ridículo. A Amante sentada a meu lado suspirando por si, pelas pequenas coisas do seu quotidiano. Eu também, logo ali, na distância imensa de não ser necessário ao momento por não perceber a ascensão da Lua em tempo real.&lt;br /&gt;O que é o tempo?&lt;br /&gt;O que é a realidade?&lt;br /&gt;A amante distante, como sempre. Como sempre estará? Como sempre será?&lt;br /&gt;A sua promessa de ser real destinada aos crentes e felizes…&lt;br /&gt;Sim, felizes, porque não?...os pobres de espírito e felizes os crentes na salvação da alma eterna em prol de um corpo perene.&lt;br /&gt;Assim, não lhe dar a mão, cujo entrelaçar conheço sem força.&lt;br /&gt;Assim, não lhe traduzir o meu desejo em coisas concretas como sorrisos, olhos brilhantes, taquicardias desritmadas do compasso real à musicalidade de amar.&lt;br /&gt;O que é sonho?&lt;br /&gt;O que é realidade?&lt;br /&gt;A amante sentada, inerte sobre um livro aberto, fechando o seu em breves movimentos de peito que denotam a respiração, a vida. Segue-se o grito que dá a sensação de liberdade; só isso, a sensação. Depois os encontros sempre adiados pelas desculpas mais diversas que o destino nos inventa. Amanhã será sempre o dia do abraço que lhe devo, que me deve, que o destino nos deve. Aponto às estrelas para explicar a infinidade dos tempos, da nossa memória breve, que nos iremos dissolver em energia e percorrer o espaço muito antes de chegarmos a cinza. A Amante, a estrela que guia, que ilumina; a Amante, o ponto de espaço que se pretende alcançar um dia, como uma viagem que se faz rumo ao desconhecido; a Amante, o exorcismo da solidão que se respira todos os dias; a contorção dos músculos, da alma e a explosão energética do nada que é essa força inerte de amar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6528906616761927988?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6528906616761927988/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6528906616761927988' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6528906616761927988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6528906616761927988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_22.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-6793330629143695944</id><published>2009-06-18T08:47:00.000+01:00</published><updated>2009-06-18T08:48:07.342+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sótão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou no centro do mundo e quem são agora os meus espectadores? Um punhado de livros guardados, cada um com a sua memória construída aos poucos e, de repente, ainda por construir? Um ficheiro de arquivo morto, estático, inútil, mesmo bombástico em alguns dos seus elementos? Um conjunto de discos que vês não serem mais que um corpo digital com uma série de números de código binário? Uma máquina fotográfica do século passado, ainda por cima aliada do Pacto de Varsóvia? Ou serão os outros electrodomésticos que não figurarão no texto, nem mesmo no quotidiano? Poderá ser a cama-sofá, disposta no meio do espaço, onde te deitas com cobertores para dar calor à noite? Talvez as fotos espalhadas caoticamente pelo chão, mesmo ao lado das lágrimas inexistentes que essas imagens pediam? Ou dos restos de computador, inertes, sem que algum mago informático os venha despertar?&lt;br /&gt;O soalho de madeira esconde uma história antiga, que se identifica pelos cartazes que escondem as pedras da parede, como as cinco cadeiras vazias, alinhadas entre si.&lt;br /&gt;Faltas aqui tu, para dançar a valsa comigo, lembrando que é só Primavera, que as botas poderão continuar naquele sítio específico onde se encontram; que as condutas metálicas trarão o ar que nos alimenta, em complemento às janelas semi-fechadas; que o calendário ainda lembra o tempo por nós criado; que os candelabros não têm velas, mas que as teriam de bom agrado; que a tristeza que se sente morre aqui, na ponta da esferográfica de publicidade do mundo exterior ao meu.&lt;br /&gt;Valha-me quem puder valer. Acudam à infinita insatisfação, ao desalento permanente, à doce robustez de ter coragem de ainda aqui estar pela manhã, à suave fraqueza de não me erguer no corpo e dificilmente nos sonhos. Calma. Estás no cenário certo, quando tudo já não dói; onde o mar é calmo, ainda que seja Inverno, ainda que o vento nos abrace e nos repudie e chegue mesmo a cuspir umas quantas gotas de água, se for essa a sua vontade.&lt;br /&gt;Aqui, no meu eu de olhar o mundo, as bíblias são só um punhado de folhas para reciclar e os monstros não são mais que a minha sombra, quando a Lua cheia lhe dá vida.&lt;br /&gt;O teu cheiro aflora o meu pensamento e nem sentes o peso de isso acontecer. Preferes dormir descansada, no teu sono pesado, no mar distante do colchão enorme que se espraia sob ti.&lt;br /&gt;Aparelhinhos e aparelhómetros; baús fechados de histórias apagadas e também de roupas velhas guardadas para obras de caridade, porque seres superiores não as querem, não as usam, nem podem com o pensamento de as usar. Vestígios de maratonas titânicas em noites frias de sonho e utopia; resquícios do ser mais elementar ao ser mais complexo; a caixa de Pandora bem fechada.&lt;br /&gt;Morram de vez os deuses e quem afirma que eles existem.&lt;br /&gt;Morra de vez o amor e quem nele não acredita.&lt;br /&gt;Morra de vez a justiça e quem padece da sua falta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-6793330629143695944?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/6793330629143695944/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=6793330629143695944' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6793330629143695944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/6793330629143695944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_2625.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_vrcCqmrKq2s/SlkXB_AJPaI/AAAAAAAABSI/VPKXbpQ3mOc/S220/DSC00549.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24256786.post-4412003491659764001</id><published>2009-06-18T08:45:00.000+01:00</published><updated>2009-06-18T08:47:36.670+01:00</updated><title type='text'>Baladas da varanda fria (cont.)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Estética&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo mais cem anos sem que as moscas me venham chatear. Adivinho o futuro breve; o companheiro de casa deixará em breve de cagar e deixará a casa de banho livre para que eu a ocupe. Ouço a música que me penetra pelo ventre…&lt;br /&gt;Não tenho ventre, mas a música existe.&lt;br /&gt;Eu não existo. Sou de novo a mentira do costume...&lt;br /&gt;mas agora à distância; mas agora travando o movimento, o respirar.&lt;br /&gt;Quem sois vós, de olhos brilhantes-sol, que me obrigam ao desvio de olhar?&lt;br /&gt;De onde vem esta fatia de bolo parida pela asfixia do Ary dos Santos?&lt;br /&gt;De onde vem este consumismo inato para onde toda a gente ruma?&lt;br /&gt;De onde vem este ponto de interrogação que uso para coçar as costas?&lt;br /&gt;Foge da existência. Foge da existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até amanhã Camaradas&lt;br /&gt;ou os passos lentos, de cadência marcada pelas goteiras de chuva dos beirais dos telhados.&lt;br /&gt;A bosta solta das vacas que se dilui nos pequenos regatos conduzidos pela calçada,&lt;br /&gt;daí até ao rio,&lt;br /&gt;daí até ao mar, para conspurcar de merda o mundo inteiro.&lt;br /&gt;As moscas refugiam-se nos edifícios fechados e mais quentes. Observam atentamente as tragédias do mundo, que a televisão propaga pelos lares de gente decente e limpa; talvez por isso fiquem loucas facilmente, voando sem nexo aparente e deixando-se apanhar nas palmadas rápidas.&lt;br /&gt;Corro para o espelho para observar o rosto ensanguentado e repleto de moscas. Deparo-me com o rosto branco que tenho depois da plástica de Inverno e rebento num choro compulsivo de água insalubre. Quando me chega aos lábios posso bebê-la, mas prefiro apenas sentir este sabor doce do seu travo.&lt;br /&gt;Familiarizo-me com as moscas, ou elas comigo, para que rapidamente caiam em esquecimento e já não existam.&lt;br /&gt;Foge do neo-realismo. Foge do neo-realismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprende a sonhar, mesmo que acordado. Aprende a viver o absurdo que o espaço e o tempo sempre provocam. Aprende assim a sorrir do objecto que és nesse espaço e nesse tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho um blog na minha cabeça; cresce fulminante por estes dias; acorda-me quase sempre depois das quatro da manhã, na medida em que faz a minha cabeça rebentar. É um blog chato e ofensivo. Poderia esfolhear o meu cérebro até lhe descortinar os pormenores, mas seria um trabalho penoso que quero evitar. Prefiro acordar sempre àquela hora com a cabeça a saltar entre os armários.&lt;br /&gt;Descobre o surrealismo. Descobre o surrealismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24256786-4412003491659764001?l=homensnaochoram.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/feeds/4412003491659764001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24256786&amp;postID=4412003491659764001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4412003491659764001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24256786/posts/default/4412003491659764001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensnaochoram.blogspot.com/2009/06/baladas-da-varanda-fria-cont_18.html' title='Baladas da varanda fria (cont.)'/><author><name>alex valinho gigas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11046711949738657080</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' heig
