Viagens...(cont.)
O poema
I
Cidades adormecem à minha passagem
enquanto os ventos secos trazem murmúrios dos mundos arruinados,
enquanto os mundos colapsam ainda ao cair da tarde.
Logo no Outono!
Teu olhar de deusa piedosa já não suporto.
Meu olhar, que se furta de admirar a lua, não reinvento.
Para trás, solidão do cais do porto;
para trás, vento forte,
ondas contra as pedras,
solidão do olhar contra a tua piedade inusitada,
solidão do cais do porto contra qualquer reinvenção de um barco que parte.
Turbinas movem lentamente os pensamentos,
enquanto os ventos secos trazem murmúrios dos mundos arruinados,
enquanto os mundos colapsam ainda durante a noite.
Canhões que estilhaçam as estrelas…
Ouvem-se ao longe!
Grito das estrelas estilhaçadas…
Não se ouvem!
Será que não existem?
Será que não existo?
Botas sujas de lama arrumadas a um canto do meu corpo,
enquanto a chuva traz lama dos mundos arruinados,
enquanto os mundos colapsam ainda pela manhã.
Silêncio cinzento que se move
dançando com a chuva.
Pássaro que teima em não mais cantar
Seu silêncio melancólico de não ter força…
Que salve os mundos!
Que salve os mundos!
Força para sair do cais solitário,
enquanto que o rio traz dejectos dos mundo arruinados,
enquanto os mundos colapsam agora e sempre.
Força para limpar as botas.
Força para existir lutando
contra os canhões,
contra as lentas turbinas das cidades adormecidas,
contra a piedosa solidão do teu olhar.

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home