25 de Abril sempre…
Este ano, por já estar farto de crises políticas, de mentalidades, de personalidades, eventualmente crises existenciais colectivas, declaro que pode ser, sim, 25 de Abril Sempre, mas é melhor começarmos a pensar de uma vez por todas em fazer outra revolução, não? Uma dessas que dê vontade de dizer às pessoas “data tal sempre”, que é uma mensagem deveras importante; uma mensagem que encerra toda a comodidade que a liberdade de 1974 trouxe. As pessoas juntam-se, revoltam-se colectivamente contra os outros, os dominantes, e enchotam-nos para cómodos exílios no estrangeiro, onde viverão infelizes o resto das suas vidas a dar conferências, palestras e aulas. Por cá haverão um ou outro incidente social, politica e moralmente reprováveis; eventualmente haverão algumas vítimas mortais, depende da proliferação das flores que entopem os canos das armas de fogo. Então um ou mais responsáveis, anteriormente encobertos pelo sistema político, até com alguns laivos de terem sido segregados, ostracisados, censurados, demitidos, tomam as rédias do novo poder para que alguém conduza o povo a um horizonte dourado de cegueira solar. Serão talvez os mesmos que se agarram à ideia que a história dos sobrenomes pomposos traz sabedoria, experiência e competências governativas acrescidas. Pessoas prontas, de forma altruísta para com os seus familiares, ao sacrifício de assumirem as responsabilidades que a todos cabem, substituindo os que já fizeram a revolução na difícil tarefa de arrumar a casa e tomar decisões por toda a gente. Assim, continuaremos a ser governados pelas mesmas famílias que nos governam desde os inícios da nacionalidade – faça-se excepção a um ou outro caso pontual para que se iludam as hostes de que há oportunidades iguais para todos, as mulheres, os gays, o pessoal com mais ou menos melanina que o grosso da população. Sim, iludamos-nos de novo, mas com outra data, sempre.

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