Viagens...(cont.)
Os homens não choram de dia
Acariciei-te os longos braços muito ao de leve durante uns minutos. Disse-te que era a parte mais bonita do teu corpo e não menti, apesar de saber que não ias ficar muito bem disposto com isso. Abraçavas-me, enquanto estávamos deitados, no jeito de macho latino protector, mas com o qual eu não me importava, porque tu eras um sensível e eu, de facto, sentia-me protegida.
Decidi que era a última vez que assim iríamos estar. A minha insanidade reclamava o direito de existir noutros sítios, sendo isso incompatível com a normalidade que tu me davas. Depois de alguns meses juntos sabia que era o que tinha a fazer.
Hoje, quando te encontrei na rua, sabia que estavas casado e que tinhas um filho. Sabia também que iríamos acabar o dia na cama, desta vez no meu quarto de hotel e que eu, após te acariciar os braços lindos, me iria levantar da cama para escrever, enquanto fumavas um cigarro, pensativo.

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